Algumas Pessoas Nao Merecem nosso Amor
A magnitude do amor celestial é um conceito que a mente humana tateia, mas jamais apreende em sua totalidade, pensar que o Pai Celestial entregou o próprio Filho, a encarnação do Verbo, para que este sofresse o ostracismo e a morte em meu lugar, é confrontar a fronteira do indizível. Este não é um afeto passivo, mas uma força ativa que me arrancou da ruína e me inseriu na família divina, transformando um coração limitado e errante em um reservatório onde reside a plenitude do Espírito. Essa certeza da filiação é a minha riqueza imaterial, a fonte inesgotável de regozijo que me move à adoração incessante.
A autodisciplina é a forma mais profunda de amor-próprio. O futuro agradece o rigor que você tem hoje.
O amor reprimido é um grito abafado na garganta, uma energia densa que se manifesta em distanciamento. Quando a palavra certa é engolida pelo receio, ela se transforma em chuva fria que escorre entre os dedos, levando o calor que poderia nos salvar.
O amor é casa, e casa precisa de estrutura, eu só entro onde há pilares fortes, teto firme, e portas sinceras.
O amor me ensinou que reciprocidade é mais rara que paixão, e por isso vale tanto, eu só fico onde sou correspondido, onde meu coração tem lugar.
O amor verdadeiro é uma fonte que alimenta, cresce e ilumina, jamais algo que consome ou destrói, pois o que sufoca não é afeto genuíno, mas uma carência profunda habilmente fantasiada. Aprender a diferenciar o toque da paz do toque da possessão é a chave para a liberdade do coração. O amor certo tem, na verdade, um cheiro inconfundível de paz profunda e o gosto familiar de um lar seguro, onde o olhar que reconhece a sua essência é a maior prova de verdade. É uma experiência impossível de confundir, que nos convida a sermos inteiros e a buscar a profundidade e a verdade em vez da superficialidade. Amar exige coragem, é colocar o coração na linha de frente e arriscar a ferida, mas não amar é uma dor muito mais silenciosa e devastadora, pois o coração precisa deste movimento sagrado para pulsar e, através dele, nos construir e nos tornar humanos, longe da frieza de uma pedra.
O amor exige mais coragem do que a guerra, pois na guerra você enfrenta o inimigo, no amor, você enfrenta a si mesmo.
O amor-próprio é o alicerce mais antigo da alma, o único lar seguro e o primeiro ritual ao cruzar essa soleira é o perdão visceral que demola todas as acusações.
Falar de amor virou ato de contrabando entre a dureza do mundo. Levo-o escondido no peito como quem leva pérolas em bolsos rasgados. Quando entrego, minhas mãos tremem, não por medo de perder, mas por saber que a dádiva pode curar lugares onde o sol não entrou.
A Bíblia é o único livro de amor em que o protagonista escolhe dar a própria vida pelo vilão da história.
O amor nasce simples como estrada de chão, cresce entre olhares contidos e promessas impossíveis, e sofre calado porque nem todo sentimento pode atravessar a cerca que separa o coração do destino.
O amor entra em silêncio, como uma soprano antes do primeiro agudo, e de repente tudo em nós aprende a doer bonito, como se o sofrimento fosse
apenas outra forma de cantar.
O amor verdadeiro é aquele que permanece quando a beleza se vai e a saúde se despede, deixando apenas dois espíritos cansados se apoiando um no outro. É a caridade do olhar que não julga a falha, mas acolhe o que restou de humanidade no outro.
O amor é um hóspede barulhento que bagunça toda a casa da nossa alma e depois vai embora sem ajudar na limpeza, deixando apenas o cheiro de um perfume que odiamos lembrar. Mas, no fundo, a gente sabe que a casa vazia e limpa é muito mais triste do que o caos que ele causou.
O amor é como as Gymnopédies de Erik Satie: Uma repetição hipnótica de melancolia e paz, onde o vazio entre as notas diz mais que o som. Amar exige a coragem de ser vulnerável em um mundo que idolatra a frieza e o descarte imediato das emoções. É aceitar que a tristeza faz parte do arranjo, e que sem o grave, o agudo não teria onde se apoiar para brilhar. Que o seu afeto seja profundo o suficiente para não temer o silêncio do outro.
- Tiago Scheimann
