Agradecimento aos Meus Pais Já Falecidos

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No fim, resta a calma glacial de quem já aprendeu a perder.

Mesmo que eu me arraste pelo chão, o avanço é inevitável, pois sigo amparado pela fé d'Aquele que jamais desistiu de mim.

Aquele que está disposto a perder tudo pelo bem do amado, já ganhou o prêmio da eternidade.

Reconstruir a si mesmo exige a demolição de velhas certezas que já não cabem na sua nova paisagem.

Abandone a obsessão de explicar o mapa, quem realmente o compreende, já conhece a paisagem árida de vales semelhantes.

A energia gasta em tentar provar valor a um júri que já proferiu o veredito da desvalorização é a mais inútil das espoliações.

Uma face enrugada marca a jornada já percorrida, sendo o nosso mapa de lutas e de sabedoria.

A sabedoria é a leveza de quem já caminhou demais.

Você é o enigma mais belo que já tentei desvendar, e eu estava tão focado em desfazer as peças que esqueci que a beleza estava na montagem. Por favor, volte e me assombre com a sua presença, pois prefiro a memória dolorosa do seu amor do que a paz fria da sua ausência. Minha necessidade por você não é lógica, é vital.

O espelho da vida só mostra a beleza de quem já aprendeu a se aceitar inteiro.

Embora estivesse imerso na minha própria dor, a verdade eu já conhecia no íntimo do meu ser, uma luz que teimava em brilhar através das nuvens da minha tristeza, o conhecimento salvífico de que Jesus morreu por mim um dia no madeiro, essa certeza da Sua entrega, do quanto sofrimento Ele suportou, era o único farol capaz de orientar meu barco em meio à tempestade, mostrando a magnitude de um amor incondicional.

A revelação do calvário era um bálsamo e uma acusação simultânea, pois a verdade eu já conhecia sobre o sacrifício supremo de Cristo, a entrega de um amor sem limites que culminou em Sua morte redentora, o pensamento do quanto sofrimento Ele enfrentou me constrangia, pois foi ferido também humilhado sem jamais revidar, e saber que por amor Ele sofreu calado, todos os momentos daquela paixão, tornava minha própria dor menos central, focando no Seu ato de graça.

Apesar dos meus olhos estarem marejados e o futuro incerto, eu já tinha em mim a certeza da verdade mais poderosa do universo, o fundamento da minha fé: o Cordeiro de Deus, Jesus, morreu por mim um dia para me dar vida e esperança, meditar nesse sacrifício, no quanto sofrimento Ele abraçou, como foi ferido e humilhado em favor de um pecador como eu, me fazia compreender que aquele amor silente e paciente me alcançava em todos os momentos da minha fraqueza.

A saudade é um animal que corre em círculos pela casa. Não morde, apenas arranha portas que já deviam estar trancadas. Dentro do peito, a boca do animal é uma chama azul. Alimento-o às vezes, por não saber esperar o fim do fogo. Mas aprendendo, deixo o bicho dormir sem abrir a porta.

Já caminhei sem direção, mas nunca sem esperança, ela me guiou quando meus olhos estavam cegos, e quando abri os olhos percebi, eu estava no caminho certo o tempo todo.

A fé me devolveu a mim mesmo,
quando eu já tinha esquecido quem era, ela me levantou antes mesmo que eu pedisse, e hoje eu sigo firme, porque sei de onde vem minha força.

A fé não resolve tudo, mas resolve o que mais importa, a guerra dentro de mim, sem ela eu já teria desabado, com ela eu renasço.

Eu me reconstruí tantas vezes que já sei montar meus próprios escombros, sou especialista em renascimentos, e isso me dá orgulho, viver é arte contínua.

Já amei errado, já investi onde não havia nada, já me entreguei onde não havia retorno, mas aprendi, o amor certo nunca exige sacrifício da alma.

Minha alma já quebrou tantas vezes que virou vitral, fragmentos coloridos, montados com fé, iluminam quem chega perto.