A Verdade de cada um Pirandello
"A renúncia por amor não nos faz perder, mas nos devolve ao que somos de verdade, seres feitos para a leveza, não para carregar espadas suspensas pelo fio do ego."
ENTRE A LUZ E A SUPERSTIÇÃO: A VERDADE ESSENCIAL SOBRE O QUE O ESPIRITISMO É E O QUE ELE JAMAIS FOI.
O VAZIO DAS FORMAS E A PUREZA DA IDEIA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
Há um desvio silencioso que, pouco a pouco, infiltra-se nas consciências menos vigilantes: a substituição do estudo pela aparência, da essência pelo símbolo, da verdade pela ornamentação ilusória. No campo do Espiritismo, tal desvio revela-se particularmente grave, porque atinge o núcleo de uma Doutrina que se fundamenta na razão, na moral e na simplicidade.
O Espiritismo não se edifica sobre formas exteriores. Não necessita de sinais, talismãs, objetos, vestimentas especiais, consagrados ou fórmulas ritualísticas. Toda tentativa de materializar o invisível por meio de instrumentos simbólicos constitui regressão às práticas supersticiosas que a própria Doutrina veio dissipar. A relação entre o mundo corporal e o mundo espiritual não se estabelece por meios mecânicos, mas por afinidade moral, elevação de pensamento e sinceridade de intenção.
A crença em objetos dotados de poder espiritual é expressão inequívoca de desconhecimento das leis que regem a comunicação entre os Espíritos e os homens. A matéria, por si mesma, não exerce ação sobre os Espíritos. Atribuir-lhe tal capacidade é reduzir o princípio inteligente a uma submissão que ele não possui. Espíritos não se atraem por amuletos, nem se afastam por símbolos. Aproximam-se ou se distanciam conforme a qualidade moral daqueles que os evocam.
Essa verdade, embora simples, exige disciplina intelectual para ser assimilada. E é justamente essa disciplina que muitos evitam. Preferem o caminho breve das crendices ao esforço contínuo do estudo. Onde falta investigação séria, proliferam invenções. Onde escasseia o compromisso doutrinário, surgem práticas híbridas, destituídas de fundamento, mas revestidas de aparente espiritualidade.
O resultado é uma adulteração da Doutrina. Introduzem-se elementos estranhos, mesclam-se conceitos inconciliáveis, e o Espiritismo, que é ciência de observação e filosofia moral, passa a ser confundido com um sistema de crenças arbitrárias. Essa deformação não apenas compromete a compreensão individual, mas também obscurece o caráter da Doutrina perante aqueles que a observam de fora.
É preciso afirmar com clareza: O Espiritismo repele toda forma de superstição. Não há dias propícios, objetos sagrados, palavras mágicas ou rituais secretos. Há, sim, consciência, responsabilidade e elevação moral. A mediunidade, quando existe, manifesta-se de modo natural, sem aparato, sem teatralidade, sem necessidade de qualquer suporte material.
O estudo sério constitui, portanto, o único antídoto contra tais desvios. Estudar não é acumular informações superficiais, mas compreender princípios, analisar consequências e aplicar ensinamentos à própria vida. Sem esse esforço, o indivíduo permanece na periferia da Doutrina, vulnerável a interpretações equivocadas e inclinado a preencher o vazio do desconhecimento com construções imaginárias.
Não se trata apenas de erro intelectual, mas de responsabilidade moral. Ao deturpar o Espiritismo, o indivíduo não compromete apenas a si mesmo, mas contribui para a disseminação de ideias falsas que afastam outros da verdade. A ignorância, quando assumida com humildade, pode ser corrigida. Mas quando se reveste de convicção infundada, torna-se obstáculo mais difícil de remover.
A simplicidade é, pois, o critério seguro. Onde há excesso de formas, desconfie-se da ausência de conteúdo. Onde há necessidade de símbolos, suspeite-se da fragilidade da compreensão. O Espiritismo é despojado porque é profundo. Não precisa de adornos porque se sustenta na coerência de suas leis e na elevação de seus propósitos.
Preservar sua pureza é tarefa de todos os que o estudam com seriedade. E essa preservação começa no íntimo, na recusa consciente de tudo aquilo que não encontra respaldo na razão, na moral e na observação.
Porque, em matéria espiritual, não é o que se inventa que ilumina, mas o que se compreende que transforma.
Há equívocos persistentes que atravessam os séculos, nutridos pela ignorância, pela má interpretação dos textos sagrados e pela tendência humana de associar o desconhecido ao temível. O Espiritismo, desde o seu surgimento no século XIX, tem sido frequentemente confundido com práticas mágicas, supersticiosas ou mesmo proibidas pelas Escrituras. Contudo, uma análise rigorosa, à luz da razão, da moral e da própria revelação espiritual progressiva, revela uma distinção profunda, essencial e intransponível entre a Doutrina Espírita e tudo aquilo que ela mesma condena.
O primeiro ponto que se impõe com clareza é o contexto histórico da proibição mosaica. Ao se referir ao trecho de Deuteronômio, capítulo 18, versículos 10 a 12, é imprescindível compreender que Moisés legislava para um povo rude, recém-saído da escravidão egípcia, profundamente inclinado às práticas idólatras e supersticiosas. As evocações, naquele tempo, não possuíam caráter moral, instrutivo ou elevado. Eram, ao contrário, instrumentos de adivinhação, comércio e manipulação, frequentemente associados a práticas degradantes, inclusive sacrifícios humanos.
Dessa forma, a proibição não recaía sobre a comunicação espiritual em si, mas sobre o uso indevido, interesseiro e supersticioso dessa faculdade. Tal distinção é capital. Confundir a interdição de abusos com a negação de um princípio natural é um erro de interpretação que não resiste a um exame sério.
A própria lógica bíblica reforça essa compreensão. Se Moisés proibiu a evocação dos mortos, é porque tal fenômeno era possível. Uma proibição de algo inexistente careceria de sentido. Logo, admite-se implicitamente a realidade da comunicação espiritual, ainda que mal utilizada à época.
Avançando na revelação espiritual, encontramos no Evangelho e nos escritos apostólicos indicações ainda mais claras. Em Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 17 e 18, lê-se que o Espírito seria derramado sobre toda carne, resultando em profecias, visões e sonhos. Já na primeira epístola de João, capítulo 4, versículo 1, há uma orientação precisa: "não creiais em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus". Tal recomendação não apenas admite a comunicação espiritual, como estabelece o critério moral para sua validação.
Assim, a revelação cristã não apenas não proíbe a manifestação espiritual, mas a reconhece e a regula pelo discernimento e pela elevação moral.
O Espiritismo, ao surgir, não introduz um fenômeno novo, mas explica, organiza e moraliza uma realidade que sempre existiu. Ele retira o véu do mistério e do temor, substituindo-o pela compreensão racional e pelo propósito ético. Não há nele qualquer elemento de magia, feitiçaria ou milagre no sentido vulgar. Tudo se insere no campo das leis naturais, ainda que desconhecidas em épocas anteriores.
A Doutrina Espírita afirma, de maneira categórica, que os Espíritos são as almas dos homens que viveram na Terra. Não são entidades sobrenaturais, tampouco seres demoníacos. São consciências que prosseguem sua jornada após a morte do corpo físico, conservando suas qualidades morais, seus conhecimentos e suas imperfeições.
A comunicação com esses Espíritos, quando realizada sob princípios sérios, possui finalidades elevadas. Entre elas destacam-se o consolo aos aflitos, o esclarecimento dos encarnados, o auxílio aos Espíritos sofredores e o aperfeiçoamento moral de todos os envolvidos. Não há espaço para curiosidade fútil, interesses materiais ou pretensões de domínio sobre o invisível.
É igualmente fundamental destacar que o Espiritismo rejeita, de forma absoluta, qualquer prática supersticiosa. Não há talismãs, fórmulas, rituais secretos, horários especiais ou lugares privilegiados para a comunicação espiritual. A matéria não exerce influência direta sobre os Espíritos. O que determina a qualidade da comunicação é o estado moral e mental daquele que a busca.
A evocação, quando legítima, é simples, natural e desprovida de aparato. Realiza-se pelo pensamento elevado, pela prece sincera e pelo recolhimento interior. O Espírito não é constrangido a vir. Ele comparece, ou não, conforme sua vontade e conforme a permissão divina. Tal princípio preserva a dignidade do mundo espiritual e impede qualquer tentativa de subjugação.
Outro aspecto de grande relevância é a impossibilidade de utilização da comunicação espiritual para fins egoístas. O futuro, por exemplo, não é revelado livremente. Isso ocorre porque o desconhecimento do porvir é condição necessária para o exercício do livre-arbítrio. A revelação antecipada dos acontecimentos comprometeria a responsabilidade moral do indivíduo.
Do mesmo modo, os Espíritos não substituem o esforço humano no campo da ciência, da indústria ou do progresso intelectual. A evolução do conhecimento é fruto do trabalho, da inteligência e da perseverança. A intervenção espiritual ocorre apenas como inspiração, jamais como substituição do mérito humano.
A crítica que associa o Espiritismo à magia decorre, portanto, de uma confusão entre essência e desvio. Há, sem dúvida, práticas desviadas, exploradas por charlatães e indivíduos de má-fé. Contudo, tais abusos não pertencem à Doutrina, assim como a hipocrisia não define a religião verdadeira.
O Espiritismo, ao contrário, expõe esses desvios, denuncia-os e os combate. Ele não se oculta ao exame. Seus princípios são públicos, racionais e passíveis de verificação. Não exige fé cega, mas propõe uma fé raciocinada, que se harmoniza com a ciência e com a moral universal.
Há ainda um ponto de profunda significação filosófica. Ao explicar a natureza dos Espíritos e suas relações com o mundo material, o Espiritismo oferece uma chave interpretativa para inúmeros fenômenos que outrora eram considerados prodígios. Ao compreender as leis que regem esses fenômenos, desaparece o maravilhoso, e tudo se insere na ordem natural das coisas.
Dessa forma, o Espiritismo não destrói a religião, mas a purifica. Não nega a revelação, mas a amplia. Não combate a fé, mas a esclarece.
Ele se apresenta, enfim, como o Consolador Prometido, não no sentido de substituir os ensinamentos do Cristo, mas de explicá-los em sua profundidade, retirando-os das sombras da alegoria e conduzindo-os à luz da compreensão.
E ao fazê-lo, revela ao homem não apenas a continuidade da vida, mas o sentido do sofrimento, a justiça das provas e a finalidade educativa da existência.
Porque compreender é libertar-se. E libertar-se é, enfim, aprender a caminhar com lucidez diante da eternidade que nos observa em silêncio.
FONTES CONSULTADAS.
"O Livro dos Espíritos", 1857.
"O Livro dos Médiuns", 1861.
"O Evangelho Segundo o Espiritismo", 1864.
"O Céu e o Inferno", 1865.
"Bíblia Sagrada", Deuteronômio 18:10 a 12.
"Bíblia Sagrada", Atos dos Apóstolos 2:17 e 18.
"Bíblia Sagrada", 1 João 4:1.
"Bíblia Sagrada", Isaías 8:19 e 19:3.
Traduções e estudos doutrinários segundo José Herculano Pires.
TEMPO, ILUSÃO E VERDADE: A FALSA SENSAÇÃO DE ATRASO NA ERA DA EXPOSIÇÃO.
A sensação de estar atrasado tornou-se um dos sofrimentos silenciosos mais característicos da vida contemporânea. Ela não nasce do tempo em si, mas da percepção deformada que se constrói a partir dele. O indivíduo olha ao redor e acredita que todos avançam enquanto ele permanece imóvel. Contudo, essa percepção não é um reflexo fiel da realidade, mas o resultado de um sistema de exibição cuidadosamente editado.
O ponto central dessa reflexão reside na natureza daquilo que se observa. A vida alheia, tal como se apresenta nas redes, não é uma totalidade, mas um recorte. Exibem-se conquistas, ocultam-se fracassos. Publicam-se celebrações, silenciam-se crises. O que se oferece ao olhar externo é uma sequência contínua de êxitos, como se a existência fosse linear, ascendente e isenta de rupturas.
Esse fenômeno produz um efeito psicológico profundo. O indivíduo passa a comparar a sua experiência integral, com dores, dúvidas e hesitações, com a versão editada da vida dos outros. Trata-se de uma comparação estruturalmente injusta. É o confronto entre a realidade vivida e a aparência construída. Dessa discrepância nasce a angústia.
Outro aspecto expressivo é a construção social do chamado tempo ideal. Estabelecem-se marcos invisíveis. Espera-se que se atinja estabilidade em determinada idade. Que se conquiste reconhecimento em certo período. Que se cumpra um roteiro implícito de realizações. Esses parâmetros não possuem fundamento universal. São convenções culturais, mutáveis e frequentemente arbitrárias. Ainda assim, exercem pressão como se fossem leis naturais.
Há, nesse contexto, uma transformação do próprio sentido da existência. Muitos deixam de viver para experienciar e passam a viver para demonstrar. A vida converte-se em espetáculo. Cada conquista não é apenas um fato, mas um elemento de validação pública. Surge, então, uma ética da aparência, na qual o valor do indivíduo parece depender daquilo que ele consegue exibir.
Essa lógica produz um ciclo contínuo de ilusão. Quem observa sente-se insuficiente. Quem exibe sente-se compelido a manter a imagem. Ambos participam de uma engrenagem que se alimenta da comparação e da validação externa. A autenticidade torna-se rara, e a interioridade, negligenciada.
Do ponto de vista filosófico, esse cenário reatualiza uma distinção antiga. A diferença entre ser e parecer. O que se apresenta ao olhar coletivo não corresponde, necessariamente, ao que se vive na intimidade. A era digital não criou essa dissociação, mas a amplificou em escala inédita, tornando-a quase onipresente.
É necessário compreender, com rigor, que não existe uma linha universal de progresso humano. Cada trajetória é marcada por contingências, escolhas, limites e circunstâncias irrepetíveis. O tempo não é uma régua uniforme. Ele se manifesta de modo singular em cada existência.
Dizer que alguém está atrasado pressupõe a existência de um padrão absoluto. Esse padrão não existe. O que existe são expectativas socialmente construídas, frequentemente incompatíveis com a complexidade da vida real.
Há, portanto, uma inversão que precisa ser reconhecida. Não é o indivíduo que está atrasado. É a percepção que está distorcida. O olhar, ao invés de captar a realidade, captura uma encenação.
A superação dessa ilusão exige um movimento interior. Recolher-se parcialmente do fluxo incessante de comparação. Reorientar a atenção para a própria experiência concreta. Reconhecer o valor do percurso íntimo, ainda que invisível aos olhos externos.
A verdadeira medida de uma vida não se encontra na sucessão de marcos exibidos, mas na coerência entre aquilo que se vive e aquilo que se é. E é nesse silêncio, longe das vitrines e das narrativas fabricadas, que o tempo finalmente recupera sua dignidade, deixando de ser um juiz implacável para tornar-se apenas o campo onde a existência se desdobra com verdade.
“As máscaras são muitas até que o vazio as reclame. Quando nenhuma resta, não é a verdade que surge, mas o rosto viciado que já não pode fugir de si.”
" As lágrimas são a linguagem mais antiga da verdade humana. Não pertencem à fraqueza, mas à lucidez. São o transbordamento de um conteúdo que não cabe mais na razão. "
ENTRE O MEDO E A VERDADE.
O ESPIRITISMO NÃO NASCEU PARA O SILÊNCIO.
Existe uma enfermidade silenciosa que atravessa parte do Movimento Espírita contemporâneo. Não se trata da ausência de estudo, nem da falta de obras, reuniões ou instituições. Trata-se do medo. Medo de investigar. Medo de questionar. Medo de evocar. Medo de ouvir. Medo até mesmo de aplicar integralmente o método que o próprio Allan Kardec estruturou.
Curiosamente, muitos homens afirmam defender a razão enquanto transformam prudência em interdição absoluta. E nisso nasce um paradoxo psicológico profundo. O mesmo Espiritismo que surgiu através do intercâmbio entre encarnados e desencarnados passa a ser defendido por pessoas que demonstram receio do próprio fenômeno mediúnico que lhe deu origem.
É necessário compreender algo fundamental. Kardec jamais proibiu evocação. Pelo contrário. O Livro dos Médiuns dedica capítulos inteiros ao estudo das evocações, dos métodos, das condições morais e dos perigos envolvidos. O codificador não construiu um sistema de silêncio espiritual. Construiu um método de discernimento.
A diferença é gigantesca.
O problema nunca esteve no ato de evocar. O problema sempre esteve na intenção moral do evocador.
Existe enorme distância entre evocação séria e curiosidade frívola. Entre investigação filosófica e espetáculo mediúnico. Entre estudo criterioso e dependência psicológica dos Espíritos.
Quando alguns afirmam que não se deve colher informações de Espíritos como André Luiz, Emmanuel ou Humberto de Campos, inevitavelmente acabam mergulhando numa contradição lógica. Porque grande parte da literatura espírita posterior à Codificação nasceu precisamente de comunicações espirituais.
Se toda comunicação posterior é automaticamente suspeita apenas por ser mediúnica, então muitos dos próprios pilares culturais do Movimento Espírita moderno seriam colocados sob desconfiança permanente.
Entretanto, também seria ingenuidade aceitar tudo indiscriminadamente. Kardec jamais ensinou credulidade cega. Ele advertiu severamente acerca da fascinação, da mistificação e do orgulho mediúnico. Eis o ponto frequentemente negligenciado. O Espiritismo não exige ingenuidade emocional. Exige análise racional aliada ao critério moral.
A evocação não constitui pecado doutrinário. A irresponsabilidade moral, sim.
Quando Moisés proibiu práticas necromânticas em Israel, o contexto era profundamente sociológico e civilizatório. A humanidade antiga encontrava-se mergulhada em magia tribal, idolatria, manipulação sacerdotal e superstições violentas. A proibição mosaica possuía caráter disciplinador para uma sociedade ainda dominada pelo instinto coletivo.
O próprio Espiritismo reconhece o progresso gradual da Revelação divina. Kardec jamais tratou os textos mosaicos como congelamento eterno da compreensão espiritual humana.
Além disso, existe uma questão psicológica raramente discutida. Muitos homens não temem os Espíritos. Temem perder o controle interpretativo sobre a Doutrina. Temem o surgimento de novas análises, novos estudos, novas comunicações e novas perspectivas. O receio da fragmentação transforma-se então em centralização do pensamento.
E toda centralização excessiva produz muros intelectuais.
O chamado “controle universal dos ensinos dos Espíritos”, elaborado por Kardec, jamais foi concebido como mecanismo de censura doutrinária. Tratava-se de um método comparativo, racional e universalista para evitar personalismos mediúnicos e sistemas isolados de revelação.
Porém, quando homens emocionalmente inseguros se apropriam de princípios metodológicos, frequentemente transformam discernimento em policiamento ideológico.
Então surgem divisões.
Discussões intermináveis.
Disputas de autoridade.
Grupos que se observam mutuamente como se fossem guardiões exclusivos da legitimidade espírita.
Tudo isso enquanto o fator moral íntimo permanece relegado ao segundo plano.
O próprio Kardec advertiu que o verdadeiro espírita reconhece-se pela transformação moral e pelo esforço em domar suas más inclinações. Não pela quantidade de proibições que impõe aos outros.
Existe também um orgulho intelectual extremamente sofisticado dentro dos ambientes religiosos. Não é o orgulho agressivo e visível. É o orgulho da convicção absoluta. O orgulho de acreditar que somente determinado grupo possui capacidade legítima para validar comunicações espirituais.
E nisso reside uma tragédia silenciosa.
Porque nem mesmo uma eventual comunicação atribuída ao próprio Kardec seria unanimemente aceita hoje. Muitos a rejeitariam antes mesmo de analisá-la. Não por critério racional legítimo, mas porque o homem frequentemente teme aquilo que ameaça suas estruturas psicológicas de segurança doutrinária.
Enquanto isso, esquecem-se da essência.
O Espiritismo não nasceu para fabricar tribunais espirituais entre encarnados. Nasceu para iluminar consciências.
Se um homem evoca apenas por curiosidade vazia, colherá perturbação.
Se evoca com orgulho, encontrará Espíritos orgulhosos.
Se busca espetáculo, atrairá mistificação.
Mas se investiga com seriedade, humildade e equilíbrio moral, estará apenas utilizando um mecanismo que o próprio Espiritismo reconheceu como legítimo dentro de critérios elevados.
A pergunta mais importante nunca foi “podemos evocar”.
A pergunta correta sempre foi “com que finalidade moral desejamos fazê-lo”.
Porque nenhuma evocação será mais perigosa do que a própria inferioridade psicológica do evocador.
No fim, muitos discutem Espíritos enquanto negligenciam a própria alma. Debatem fenômenos enquanto ignoram a reforma íntima. Erguem muralhas doutrinárias enquanto o orgulho continua intacto no interior da consciência.
E talvez por isso exista tanta inquietação.
O homem teme ouvir os Espíritos porque ainda não aprendeu completamente a ouvir a própria consciência.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
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" Às vezes, uma única lágrima contém mais verdade sobre uma vida inteira do que todas as palavras pronunciadas. "
O FALSO CALCANHAR DE AQUILES DO ESPIRITISMO.
A Verdade Moral de Kardec que o Movimento Antirracista Precisa Ler.
Parte III
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Introdução
O falso dilema do suposto racismo de Allan Kardec.
O problema das leituras anacrônicas.
A necessidade de retornar às fontes originais.
I — Tom, o Cego: o caso que desmonta o preconceito racial
Contexto histórico de 1867.
Escravidão, frenologia e teorias raciais.
A análise filosófica de Kardec.
A genialidade de Tom como demonstração da universalidade do Espírito.
II — A reencarnação como demolição metafísica do racismo
O Espírito não possui raça.
O corpo como instrumento transitório.
A pluralidade das existências.
A fraternidade universal.
III — A questão 803 de O Livro dos Espíritos
Igualdade perante Deus.
Igualdade espiritual versus desigualdade social.
O significado profundo da expressão "O sol brilha para todos".
IV — Questões 804 e 806
Aptidões diferentes.
Livre-arbítrio.
Desigualdade como obra humana.
Responsabilidade coletiva.
V — O grande equívoco de parte do Movimento Espírita
Espiritualização da desigualdade.
Alienação social.
O perigo do fatalismo.
A reencarnação como educação e nunca como punição.
VI — O Espiritismo diante das questões sociais
Racismo.
Xenofobia.
Intolerância.
Violência.
Exclusão.
Capital e desigualdade.
Justiça social à luz de Kardec.
VII — Deolindo Amorim, Herculano Pires e a participação social do espírita
O espírita dentro do mundo.
Política pública e responsabilidade moral.
Caridade e fraternidade como ação transformadora.
VIII — O verdadeiro calcanhar de Aquiles
Não é Kardec.
Não é a Codificação.
É a leitura superficial.
É o desconhecimento das obras fundamentais.
É o abandono da metodologia kardequiana.
Conclusão
Mostrando que o caso de Tom, o Cego, permanece uma das mais contundentes refutações filosóficas do racismo escritas no século XIX, revelando que a Doutrina Espírita dissolve qualquer pretensão de superioridade racial ao afirmar a unidade essencial do Espírito e a universalidade da reencarnação. A igualdade proclamada por Kardec não elimina a responsabilidade humana diante das desigualdades sociais; ao contrário, amplia o dever moral de combatê-las. O verdadeiro "calcanhar de Aquiles" do Espiritismo não reside em sua Codificação, mas nas leituras fragmentadas, descontextualizadas e dogmáticas que obscurecem seu caráter profundamente racional, progressista e humanista.
Fontes.
Allan Kardec. Revista Espírita, fevereiro de 1867 — "Tom, o cego, músico natural".
Allan Kardec. Revista Espírita, abril de 1862 — "Perfectibilidade da raça negra. Frenologia espiritualista".
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, questões 803, 804 e 806.
Deolindo Amorim. O Espiritismo e os Problemas Humanos.
Marcelo Caetano Monteiro et al. Espiritismo, Educação, Gênero e Sexualidades: um Diálogo com as Questões Sociais.
Frase final
"Enquanto houver um único ser humano julgado pela cor do corpo e não pela grandeza do Espírito, ainda estaremos aprendendo a lição que Kardec escreveu há mais de um século e meio, mas que muitos ainda não tiveram a coragem de compreender."
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O FALSO CALCANHAR DE AQUILES DO ESPIRITISMO.
A Verdade Moral de Kardec que o Movimento Antirracista Precisa Ler.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Parte III
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Introdução
O falso dilema do suposto racismo de Allan Kardec.
O problema das leituras anacrônicas.
A necessidade de retornar às fontes originais.
I — Tom, o Cego: o caso que desmonta o preconceito racial
Contexto histórico de 1867.
Escravidão, frenologia e teorias raciais.
A análise filosófica de Kardec.
A genialidade
Minha Verdade não se Negocia
Para sermos nós mesmos, é necessário deixar de lado as hipocrisias e ir direto ao ponto. Não é porque sou escritora e trabalho meu lado espiritual que preciso agradar a todos e engolir seco tudo o que vem pela frente.
Ser escritora ou buscar a espiritualidade para ser melhor não significa que eu tenha que ser boazinha e permitir que as pessoas pisem em mim, ou aceitar aquilo querem que eu seja. Não.
Ser nós mesmos e buscar o crescimento espiritual, é reconhecer que existem leis e direitos. Que existem regras. Que precisamos ser justos, bons de coração. Que as coisas precisam ser boas para ambas as partes, e não apenas para um lado.
Quero deixar registrado que não é porque escrevo sobre a vida – seus percalços, suas incógnitas, seus mistérios – que devo deixar de lado a minha verdade, os meus desejos e as minhas emoções.
Buscar evolução não significa aceitar desrespeito.
Bondade não é fraqueza.
Compreensão não é submissão.
Existem limites.
Existem direitos.
Existe verdade.
E eu não deixo a minha de lado para caber nas expectativas dos outros.
Rita Padoin
Não te preocupes em provar nada a ninguém. Eu mesmo levantarei a tua verdade. O silêncio será a tua arma e a Minha voz será o teu testemunho. Enquanto ficas calada, (o), Eu movo céus e terra em teu favor. Descansa, porque a tua defesa está em Mim.”
O salmista Davi, após cometer adultério e homicídio, reconhece essa verdade em sua oração de arrependimento:
“Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista” (Salmos 51:4).
Aqui, Davi não está negando o mal que fez a outras pessoas, mas está declarando que o pecado, em sua essência mais profunda, é uma ofensa direta ao Criador, que é Santo, Justo e Soberano.
“Ande com quem realmente se importa com você !
porque quem te ama de verdade não te apoia no pecado, te chama de volta pra Deus.
Quem se importa, corrige; quem ama, alerta;
quem é de Deus, te ajuda a levantar, não a se perder.
Cuidado com quem aprova o que te afasta do Senhor,
porque quem aprova o teu pecado não te ama, te destrói em silêncio.”
Tem gente que chama de julgamento aquilo que a Bíblia chama de verdade.
Quem prefere agradar pessoas nunca será aprovado por Deus.
“O mundo promete liberdade, mas te aprisiona. Jesus te oferece vida de verdade — entrega teu coração a Ele hoje!”
João 10:10
A balança de Deus não mede visual, mede verdade. — Tem altar cheio de luz, mas sem presença; e tem deserto escuro, mas com glória escondida lá! miriamleal
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