A Verdade de cada um Pirandello

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Há um instante em que o homem deixa de obedecer às verdades recebidas e começa a escrever as suas próprias perguntas.

O homem deseja certezas porque o desconhecido lhe parece um tribunal sem juiz; então inventa deuses, teorias e sistemas para preencher o silêncio.

O casamento é, por vezes, a tentativa de conferir eternidade jurídica a um sentimento cuja natureza é essencialmente transitória.

Casar é, algumas vezes, transformar a espontaneidade de uma escolha cotidiana na solenidade de um compromisso que pretende sobreviver à própria vontade.

Entre afirmar que Deus existe e afirmar que Deus não existe existe um território silencioso onde a razão pode simplesmente admitir: ainda não sabemos.

O desconhecido não é um vazio à espera de qualquer explicação; é uma fronteira diante da qual a inteligência deveria retirar o excesso de confiança.

Há perguntas diante das quais a resposta mais rigorosa não é uma sentença, mas um silêncio cuidadosamente fundamentado.

Há leis que protegem a liberdade e leis que apenas conferem aparência jurídica aos costumes de uma época

A existência não é um enigma destinado a encontrar uma solução definitiva; é uma travessia na qual cada resposta transforma novamente a pergunta.

Não carregamos simplesmente um corpo: somos, em grande medida, a maneira como esse corpo habita o espaço, o tempo e os outros.

A consciência não paira sobre as coisas como um espectador; ela se compromete com o mundo através da espessura concreta do corpo.

O corpo não é um objeto entre objetos; é a condição silenciosa para que qualquer objeto possa aparecer diante de nós.

A liberdade nunca nasce no vazio: escolhemos sempre dentro de uma história, de um corpo, de uma época e de circunstâncias que não fomos nós que inventamos.

Um problema pode ser colocado diante de nós; um mistério nos envolve, porque nele aquele que pergunta também está implicado.

Um absurdo repetido por milhões de pessoas deixa de parecer absurdo e começa a parecer tradição.

Quando não conseguimos resolver um problema, inventamos uma narrativa suficientemente bonita para fingir que o compreendemos.

Um livro raramente ofende uma mente aberta; normalmente é a mente fechada que transforma páginas em ameaça.

Entre absolver um culpado e condenar um inocente existe uma assimetria moral que nenhuma conveniência jurídica deveria ignorar.

A realização de um desejo raramente encerra a vontade; muitas vezes apenas abre espaço para uma nova exigência daquilo que ainda não possuímos.

A riqueza pode ampliar possibilidades, mas não possui o poder de estabelecer um limite definitivo para o desejo; quanto mais a vontade recebe, mais pode aprender a exigir.