A Verdade de cada um Pirandello

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Já carreguei culpas que não eram minhas só pra manter a paz. Há um preço pela paz que não nos pertence pagar, libertar-se dessas culpas é reencontrar leveza.

Fui cinza, mas o sopro divino me reacendeu. Um sopro divino reacende aquilo que parecia apagado e faz da cinza início e promessa.

Um dia fui queda, hoje sou voo atento. Aprendi o chão antes de conhecer o céu. O cuidado me deu outro modo de subir, voo lento, mas sigo certo do meu destino.

Há um eco que rasga a montanha, é o som do amor em busca. Nenhuma noite é tão densa que impeça a voz de chegar. O pastor caminha, cansado, mas a fé o guia, mansa, até que o pranto se cala no peito que volta a pulsar.

O vento traz um nome esquecido, sussurra entre pedras e vales. A alma, ferida, se move, lembrando o que era abrigo. Não há culpa, só saudade, só o desejo de voltar. E na curva do silêncio, o amor começa a falar.

O céu se abre sem alarde, a chuva já quer cessar. Um coração cansado retorna, sem pressa de explicar. O perdão chega como o vento, e o amor aprende a esperar.

Às vezes a voz de Deus sussurra. A esperança é um som leve, quase imperceptível, mas suficiente para mover montanhas internas. Quem ouve o chamado na escuridão, já está a caminho da luz.

O amor divino não empurra, ele sopra.
Um toque suave é o bastante para reacender o que parecia perdido. A graça está nos gestos pequenos, onde o infinito se revela em silêncio.

Há um instante em que o dia se despede e a alma agradece. O descanso não é o fim da jornada, é o recomeço em paz. Quem foi achado pelo amor aprende que o lar é o próprio coração.

A noite testa a coragem, a aurora revela o rosto da esperança. Onde a alma clama, nasce um caminho, ande, que há um propósito esperando.

Há um refúgio que não se abala, pousa nele a tua inquietação.

Levanta os olhos, o horizonte não encerra, é porta escancarada para um recomeço mais vasto.

Levo no peito a chuva passada e o sopro de um verão.

O tempo é um artesão que esculpe sabedoria em nossas cicatrizes.

O medo é um visitante, mostre-lhe a porta sem rancor.

Não há fim tão certo que impeça um novo começo.

Carrego o passado como um livro, folheio, não me prendo.

Às vezes basta um passo tímido para desatar grandes nós.

O sorriso é só um crédito que o abismo cobra depois.

Há um frio dentro de mim que poda qualquer tentativa de florir.