A Medida que o Tempo Passa

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O relógio e o tempo são invenções humanas,
criadas para o amor desafiar e subverter.
Amar de verdade é só para quem tem
coragem de sair de si para no outro viver.


Não existe erro e nem acerto na rota,
e sim alinhamento em uma só trajetória;
É só prestar um pouco mais de atenção:
estão abertas a porta e as janelas do coração.


O Ipê-amarelo-da-mata em floração agostina
em Santa Catarina dirá muito dessa confissão
que no embalo romântico têm sido escrita.


Somos livres. Não haverá nada que nos impeça
seja na água, no ar ou mesmo aqui na terra,
porque com pressa ou sem, só amar nos interessa.

O tempo propício chegou


de um mostrar o quanto um


pelo outro sempre esperou;


e nada nos dessacralizou.






Por adoração e magnetismo


viramos o magnífico vício


de escrevermos o destino:


o calendário não ultrapassou.






Não há um só dia que não


tenhamos vivido: porque


pelas estações nós sentimos.






E sentindo: ipês seguimos.


Com o ritmo das estações


pelos caminhos floridos.

Quando se é por muito tempo invisível,
e só te põem no último lugar seja lá
qual for o motivo o melhor é não se iludir;
És o teu magnífico caminho a seguir,
não perca tempo com o que tende a se esvair.


Você não tem o dever de distrair o tédio,
de ser para o emocional o analgésico
ou de preencher o vazio de ninguém;
Não tenha dúvida que o melhor mesmo
é ficar na sua para o seu próprio bem.


Abra os seus olhos para a beleza e a delicadeza,
permitindo que a florada da Imbuia cubra
todo o seu caminho porque és em todas
as estações a sua melhor companhia;
Para que não perca por causa de quem quer
que seja a sua confiança e a sua alegria.


Esteja de prontidão para que o melhor da vida
te encontre de prontidão para viver o amor
de corpo, alma e coração com integridade;
Se proteja de verdade mesmo que na solitude
te coloquem contra a parede, que os anos passem
ou até que façam você que agora já é tarde.

Fazem guerra cognitiva
o tempo inteiro para minar
a convivência deixando
o tecido social retorcido,
Para não entrar neste circuito
escolhi a poesia como abrigo.

A busca pela coerência e pela coesão é algo que levo com disciplina e ao mesmo tempo sem encarar como carga, porque gosto de ler o mundo com clareza.

O teu coração com o meu
tocam em ritmo de Aléké
em tempo de Sumaúma
eflorescida bem na beirinha
do majestoso Rio Maroni,
nada teu não mais se esconde,
o meu beijo toca a tua fronte.


Tudo na cena nos coloca
sem nenhuma resistência
nos colocam em reverência,
e não se preocupar mais
com roteiros e decência
põe um nos braços do outro.


A noite vestida perfeita
com a cor dos negros da floresta
por nós acende em inteira festa
as estrelas para nos receber
com gala na Guiana Francesa,
sedutoramente a gente se corteja
com todo o intenso desejo
que pelos nossos poros flameja.


O toque do fim do mundo
ou próximo disso, não tememos.
Unidos pelo amor profundo
até o último passo dançaremos;
para do jeito mais absoluto
para o oceano de fogo, nascemos.

Não sei se havia
me visto antes,
Não tenho costume
de guardar datas,
Tem um bom tempo
que ele ocupa
o meu pensamento,
Ele é o mistério da década,
Talvez ele seja poeta
e nem tenha descoberto.


Quando o fez,
ele mexeu comigo,
não tenho dúvida
que ele tem algo de divino.

A memória não é uma qualquer,
sabe para quem ou não dar palco;
foi testemunha do tempo
de ateliês de portas abertas.


​Por ela ninguém foi esquecido:
a memória está íntegra,
sabe o que é ter subido e descido
o Morro de Santa Teresa
para pular Carnaval no bloco
no Largo das Neves.


​A memória sobreviveu,
e por dentro continua ainda mais viva
recordando que chegou a ir
sob chuva e fogo seja para ir na gira
ou para dançar Jongo
no quintal de uma casa desconhecida.

Quem o fez?
A pessoa mais inteligente
e mais controlada que conheci,
e ao mesmo tempo não
tenho ideia de quem seja.


Quando o fez?
No fundo nós dois
sabemos e silenciamos
algo que entre nós
ainda não explicamos.


Como o fez? Conversando,
causas e com humor ensinando,
em algum momento por razões
pessoais tive de me afastar,
não tive tempo de me desculpar,
e outras vezes por excesso
de sensibilidade e deixamos de nos falar.


Onde o fez? Melhor não contar,
deixar o amor por nós dois
crescentemente vir a falar.

Em tempo de céu fechado,
o Camboatá-vermelho
esplende sob o céu sisudo.
O corpo sente muito,
mas a alma forte resiste
e os lábios se entretêm
com a poesia que insiste.


Há um sentimento seguindo
o seu curso que não tem
nada a ver com o inverno;
embora envolto de mistério,
com um querer profundo
que tem crescido resoluto.


Tenho me preparado
para receber com o coração
o sentimento impoluto,
a embaladora convicção
de que não há mais viver
correndo do amor e da paixão.

A minha alma a tua beija
por tudo o que nos incendeia,
Onde em nós tudo passeia
em tempo de Apamate rosa
em plena eflorescência,
Deste continente austral
somos o encontro e a pertença
com arte e benquerência.


[Por tudo aquilo que põe
a rebeldia em efervescência.]

Procurar
frutas nativas
e encontrar,
O tempo pode
não voltar,
As florestas
estão a queimar.

Sempre é melhor ter alguma
direção do que nenhuma,
mesmo que peça tempo.
Assim sempre tem sido na vida,
e quando o assunto é sentimento.


A tempestade quando toca
na Palma-real jamais
diminui a beleza da memória.
O Rio Cauto canta
para não apagar a história
de Cuba, a minha e a tua.


Pátria ou morte até a última
consequência, assim ensinou
José Martí a resiliência.
No toque de Son cubano,
somos a famosa resistência.


Seguindo no ritmo que deu
origem à Salsa e a outros ritmos,
enquanto quem roeu a corda
nem nunca houve,
vamos criando à consciência,
porque quem quer viver
em liberdade precisa de paciência.

... o tempo
das licenciosidade plurais, passou...
Logo, da sóbria relevância e
singularidade do 'Eu' sinalizando
o caminho do necessário - respaldado,
sobretudo, pelo mais vertical
dos fundamentos:
a Verdade!

... a quem
dilapide seu tempo
à espera daquela pessoa
capaz de mudar seu destino,
recomendo uma, digamos,
minuciosaolhada no
espelho!

... nosso Criador,
por vezes, disfarça-se
de paciência, ao nos conceder
a solidez do tempo, suas lições - que
sabiamente cultivadas - aos poucos
adicionarão mais consistência e
amplitude aos nossos
sonhos mais
urgentes!

... nossa
viagem não tem fim;
tampouco observarão qualquer
fim nós, viajantes do tempo. Embora
existem os que temem voar: uns
porque ainda não sabem;
outros porque se
negam!

... em tempo algum
tocamos; sequer nos blindamos
contra qualquer pensamento...
De fato, são eles que, silenciosos,
questionadores muitas vezes,
aproximam-se
de nós!

... conviver
com o próprio espelho,
sempre foi - e por muito tempo
ainda será - amais complexa,
indigesta e inspiradora de
todasas artes!

... na acessibilidade
e crescente discernimento
oferecidos pelo tempo, reside
o que intimamente nos assegura e
concilia - como um sábio contraponto
aos destemperos gerados por
nossas próprias limitações
e deslizes!