25 anos

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Meus olhos pousam em tuas pernas desnudas, atrevidamente descobertas.
Tua pele bronzeada, os pelos eriçados — meu desejo arde em labaredas contidas, inflamadas por chamas inconfessas.

Escorregas para o meu colo, sentando-te como quem reclama um trono.
— “Fale algo bonito para mim...” — sussurras.
— “Tu és o poema que me arranca a lucidez,” — digo, arfando.Sorris, remexendo devagar.
— “Então, declama-me...” — diz mordendo o lábio.
Uma métrica perfeita, libidinosamente obedecida, sílaba por sílaba, tercetos e quartetos das tuas rimas.

Sussurras quase inaudível, enquanto arrastas minha mão para teu recôndito paraíso — um jardim de névoas úmidas.
— “Escreva-me com os dedos”, — exiges.
Meu corpo obedece — sou a pena que desliza nas entrelinhas do teu prazer.

Vazios de Si:
Vivemos numa era onde as pessoas são tão cheias de razão e tão vazias de si.
O pior, porém, vem daqueles que abdicam da realidade
para habitar um mundo imaginário —
por vezes autoritário, talvez confortável para si,
mas sempre opressivo para os outros.
Aí não há diálogo: há imposição de vontade.
E quando o bom senso deveria prevalecer,
voltamos ao início:
são tão cheias de “razão”
e tão vazias de si.

Ecos:
Que não nos tornemos surdos ao clamor do tempo,
cegos diante da injustiça,
nem mudos perante a verdade.
Que não sejamos ecos da caverna de Platão,
preferindo o conforto das sombras
à dor de enxergar.

Na calada da noite, vêm barulhos mudos — mas ensurdecedores — que a minha mente produz.

Vive-se em plenitude quando o ser se assenta no solo fértil da autenticidade.

Não há plenitude sem que se rasgue o campo e se lavre, em si, o solo fértil da autenticidade.

Entre o que sinto e o que dele sei, há uma vastidão quase infinita de excentricidades.

Um poema que carrega o próprio cansaço não esbraveja contra o tempo; apenas observa — com a lucidez amarga do seu dissabor.

O poeta contra o tempo


Diante da frieza do tempo, que passa sem remorso —
a angústia da finitude.


O poema é estático;
mas o tempo, carrasco, segue em fluxo.


E nessa discrepância entre obra e vida,
tudo escorre pelas linhas do tempo —
e o poeta, impotente, apenas escreve.

Sendo amar-vos minha perdição, procurai-me nas sinuosas curvas de vosso riso.

Nunca se perca da sua essência, e jamais permita que apaguem sua chama.

Não te percas de ti mesmo; nem deixes que extingam o brilho que te habita.

Sua história de vida define quem você é — não as fofocas que contam sobre você.

O que és nasce da tua trajetória — não das vozes alheias que a deturpam.

Que a pressa não nos furte a delicadeza das flores.

Ainda em meio à escuridão, subsistem belezas que, em silêncio, irradiam.

Até mesmo entre o concreto inerte, vicejam delicadezas.

Acordei cedo, julgando ser tarde — mas já era tarde para crer que ainda fosse cedo para sonhar.