Sempre Precisamos de um Amigo Brincalhao
Creio eu
Que talvez, o segredo
A bem viver a vida
É guardar sempre pra si
Um pouco de coragem
Misturada ao medo
Saber viver as alegrias
Mas só um pouco dela a cada dia
Penso
Num momento de silêncio
Em meio ao caos
Nem todo mal
Nem todo bem com muito afã
Pra que a vida seja bela
Deixe um pouco da tristeza
Para vivê-la também amanhã
Feche a janela para o Sol
Deixe entrar a escuridão do dia
E você sorrirá
Pra luz do Sol de amanhã
Não se come todo o almoço
Numa única garfada
É preciso tempo pra esfriar
Consolidar, brotar, crescer
Secar e até morrer
Não sinta pressa em livrar-se de nada
Cedo ou tarde as coisas se vão
O tempo é que rege essa vida
E é sempre bom ter lágrimas nos olhos
Pra que se contenha as risadas
Mesmo que elas venham
Vão passar
Pois tudo passa
Tudo e nada
Solidão também faz companhia
Penso eu, que a graça da vida
É saber dividi-la
Não se vive tudo de uma vez
De um fôlego só
Uma só voz
É preciso guardar sempre um pouco
de lágrimas e de sorrisos
E, quem sabe, a presença
de alguém que seja louco o suficiente
Para estar
Sempre presente em nossas vidas
E queira estar com nós.
Edson Ricardo Paiva
Tem um mundo
Lá no coração da gente
Um mundo sempre igual
Só que diferente
Porque lá também tem céu
Só que nunca é o céu presente
É sempre outro, o tempo
E tudo é melhor, eternamente
Mas só dá pra olhar pra ele
Quando o olhar da gente
Como num barco distante
Olha o mar
Quando uma fogueira acesa
Lá no alto da maior montanha
Uma pipa no céu
Que se torna avião
Contorna o mundo
e volta pra um dia qualquer
Nesse dia é de tarde
E a gente se vê
Lá no galho de uma árvore
Porque lá tem quintal também
Só que sempre é diferente, é melhor
Mesmo assim, distante o chão
Ainda que eu voasse
E, lá nesse céu tivesse
O rosto de tanta gente
Que passou pelas nossas vidas
Gente que nos esquece
Porque sempre haveremos de ser esquecidos
Nesse mundo o esquecimento é diferente
E tudo sempre volta
Em formato de brumas
Como um barco na noite
Que passa lá, distante
E você numa montanha
A montanha no quintal
O quintal lá no galho
O galho no céu
Que se torna avião
Que contorna o mundo
E traz você sempre de volta
E quando volta você deixa lá teu rosto
Pra que sempre sejamos lembrados
Em formato de bruma sem nome
Somos todos crianças brincando no mesmo quintal
Se pudéssemos sair pra brincar
Com certeza a gente iria pra lá
Sempre...ou de vez em quando.
Edson Ricardo Paiva.
Feridas.
De tanto viver em descompasso
O dia é sempre um dia e nada mais
Pensar no amanhã, jamais
Sem lugar pra voltar, sem abraço
De viver eternamente
O mesmo passo a passo
Era somente a vida e o estar vivo
Era ser pra sempre
A própria ferida
Todo dia o mesmo curativo
Transpondo as pedras que surgissem
Uma a uma, passo a passo
Uma hora, nem percebe, se acostuma
As gotas de chuva na cara
A vida segue...o coração não para
Se é que a gente de vez em quando
Para e olha
As gotas de chuva na cara
Tanto faz se molha
A paz se instala
Os olhos veem, o ouvido escuta
O coração fala menos comigo a cada dia
Sem lugar pra voltar, sem abrigo ou abraço
...e sem palavra arguta
Vou pra onde o vento me levar, não ligo
Não levo um sorriso e nem lágrimas
Nem meu coração não fala mais comigo
Tanto faz, nada faço
Cada dia é sempre o dia e nada mais
Um dia a paz, ela vem e se instala
Nesse descompasso
Minh'alma se cala também
Tem um Deus, também calado
Passo a passo desse dia a dia
Pensar no amanhã, jamais
Trago meu coração em silêncio
Na ferida da vida que eu vivo
Todo dia o mesmo curativo.
Edson Ricardo Paiva.
Tem sempre alguma coisa.
Um dia
Mesmo o coração de olhar mais duro
Lança um olhar à estrada
Depois de muito ter partido
Porque nada a paisagem lhe diga
Quanto ao começo
Tem sempre um pedaço que fica
Esse é o preço da vida
Num mundo onde tudo é de graça
Passa tudo, passa o tempo
Passa toda e qualquer ilusão
Não mais me iludo
Mesmo o coração mais puro
Não foge a ter o olhar endurecido
Mesmo que a paisagem lhe diga tudo
Tem sempre alguma coisa que não fica
Porque nada é de graça
Um passo deixa sempre rastro
Um mastro ao longe, uma pegada
Mentira acreditada, conta que não fecha
A estrela errada que te orientou
Tem sempre alguma coisa a ser lembrada
No pouco que se traz ou deixa
Esse é o preço da vida.
Edson Ricardo Paiva
Tenho um dos pés na Terra
O outro pisa a Lua
A cabeça não pensa
O coração sempre erra
A vida tem sido assim
de tanto pensar em mim
não quero esquecer você
tenho a alma no presente
e os olhos no infinito
esculpo palavras de amor
num monolito escondido no peito
preservo meu amor assim
quase perfeito
e a saudade se acentua
Ás vezes ela continua
mesmo quando
o coração pára
Tento pensar em algo bonito
e imagino a sua cara
Brilhando mais
que o Sol da tarde
se me permitir pedir-te algo
peço que guarde
nas asas de um vaga-lume
em forma de perfume violeta
esta lembrança
que voa como nave
e chega como um beijo
levado
por suave borboleta.
Façamos sempre um brinde
festejando a sua alegria
que se perdeu não sei aonde
além daquilo que a vida esconde
tem muita coisa que se perde
todo dia
Mas procurando as vitórias
que o vento carrega
você sempre há de encontrar
por sob as pedras
as marcas de caminhos esquecidos
que por algum motivo
deixaste de trilhar
talvez por ter visto
a porta fechada
e não ter tido coragem
de perguntar se havia alguém
Desavisado,
fizeste de tu mesmo
Um incauto arauto do asfalto
a quem ninguém ouvia
por mais que gritasse alto
façamos, então um brinde
aos tantos ouvidos moucos
que não podem acusar-te hoje
pelos loucos dias que correm
pelas flores que murcham sem abrir
e pelas lágrimas que fluem
devido aos falhos ouvidos
à falência multipla dos sentidos
pássaros que voam
sem haver à vista um galho
outrora, ases do Céu
Sempre Curingas do baralho
e hoje tem a vista
turva e embaralhada
e também mais nada sentem
contudo, ainda insistem
Porém, faltando-lhes base
haverão de quase
entender
nada.
O que é a vida?
O que vem a ser a vida?
A vida é um arame
Quase sempre farpado
Mantendo a gente de um lado
da outra parte do mesmo chão
é preciso ter Arte pra entender
Que a vida é uma vela
Quase sempre acesa
Que exibe
Bela, fraca e efêmera chama
Se atentarmos, veremos nela
Algumas lágrimas que rolam
Enquanto o calor à consome
e o tempo lhe apaga o nome
A vida é um poema
Quase sempre lido
Porém, quase sempre compreendido
Somente por quem escreveu
Cada um escreve o seu
e publica em seu próprio envoltório
A vela se apaga
Se parte o arame inglório
Misturam-se as palavras
do transitório poema
Escrevê-lo
É nossa pena.
O mais belo poema do dia
Nem sempre é aquele que lembra
Que a vida é um problema sem solução
Pois a vida não o é
Porém, muitos poemas que o dizem
São
A mais bela poesia
Nem sempre é aquela que agradece
O nascer de mais um dia
A vida merece que agradeçamos
Por cada momento que se vive
O dia é feito de momentos
Nem sempre há poesia
O mais bonito pensamento já escrito
Nem sempre aponta a solução
Alguns deles romantizam belamente
E apontam as folhas ao vento
Belíssimos de se ler
Quando quem as vai varrer
Não é a gente
O mais belo aforismo
Soneto, sextilha ou canção
Às vezes é aquele que diz
De forma simples e direta
Mesmo que para isso
Use palavras desconhecidas
Mas, mesmo assim, no fim
Todo mundo compreende
Que tudo aquilo que não ensina o amor
Com a dor a gente aprende.
Soneto
Um menino está brincando
Solitário no quintal
Todo dia para ele
é sempre igual
Faz brinquedos com as tralhas
Que vai juntando pela vida
Nunca foi primeiro em nada
E nem nunca teve nada de primeira
Nunca teve segredos
Mas guardou no coração o medo
de viver na eterna solidão
Encontrou somente a companhia
Quem lhe atirasse as migalhas
Que houvessem restado ao fim do dia
Não sou um conceito absoluto, sou experiência. Em cada encontro, revelo um aspecto — nem sempre o mais amável, mas sempre o mais justo. Há quem me chame de luz, há quem me acuse de escuridão. Ambos têm razão. Não ajo por acaso, respondo à essência que percebo. Afinal, ninguém recebe de mim o que não despertou.
Hoje sempre será um dia especial, se tudo der errado fica a experiência, se der certo é experiência, o passado são só lembranças e o futuro nunca existiu.
Sempre sozinho
Um horizonte sem esperança
Não tem por que ou um para que
Não tem aonde voltar e nem ir
Não tem o que entender e nem sentir
Mesmo que tenha
Não fará sentido no final,
Mas nem no final você chegará.
Uma eterna procura, de algo inexistente.
Solidão, horizonte, uma única consciência,
Sempre vamos nos encontrar sozinhos
Porque somos solitários, somos o mundo.
Sou o mundo e o mundo sou eu
Desse ponto, vem-se a pergunta.
E onde estará a companhia?
A fraqueza o medo à crença e a dor é um problema de saúde, mas achamos sempre um diabo para culpá-lo...
Para as verdades absolutas há sempre um rato amparado pelas imbecilidades dos profetas apocalípticos.
As relações entre as crenças sempre foram estabelecida por uma espécie de guerra fria de um lado Deus e de outro lado o Diabo
Deus sempre aparece depois de um acidente, uma catástrofe, um evento tenebroso qualquer para dar causas a algum sobrevivente. “Depois”.
Em estado de desalento, dor e perda há sempre um Deus desumano. O homem está situado entre o céu e o inferno, entre os poderes de Deus criador da fortaleza e da ruína, “Deus é a essência do amor contida na pequenez humana”. Ao mesmo tempo em que Deus aparenta um viés desse amor.
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