Se for para Morrer que Seja
A vida para mim, é uma pausa pra outra vida. Se eu for viver pra ela, eu só vou viver em vão.
A vida pra minha vida, é mais que uma despedida. Acendo um cigarro essa vida é ilusão.
Eu passo o ano todo acrescentando várias vidas, quando os dias acabarem, o que fazer! Se eles vão.
Em quase todas as noites, eu me lembro das sofridas.
Assim a vida é sofrimento, eu não quero apego não..
Tudo tem sua causa e consequência.
Nasceu um dia? Vai qualquer dia morrer.
É criança? Vai aos poucos envelhecer.
A causa da vida é a concepção. O advento da morte, nossa extinção.
Morrer não é problema para a terra; mas, viver sem Cristo nos Céus é um problema para o resto da eternidade.
Sabe o que eu aprendi? A me olhar no espelho e ver uma imensidão de defeitos, de erros, uma deformidade, uma imperfeição. Isso provavelmente irá me levar aonde eu quero. Sabe por quê? Eu posso ouvir qualquer verdade sobre mim e evoluir, porém, tem pessoas que vão morrer no mundo perfeito delas. Continue engolindo sua verdade e cagando sua vida no mundo. Teórico? Não, não ... Vem cá que você aprende na prática.
Nunca celebro a morte matada reconforto me mesmo a contra gosto perante toda morte naturalmente morrida.
O pequeno rio não tem medo de entrar no mar por que ele sabe muito alem de sua vontade terrena, que o mar é uma parte do grande oceano que desde sempre surgiu e continuará a se preservar vivo pela entrada de todos os rios do mundo.
Pera, uva, maçã ou salada mista. Salada mista, sempre... jamais eu poderia escolher uma fruta só pois quando assim o fazemos, perdemos as outras.
Quando eu morrer
Quando eu morrer
cante, grite, dance
ao som de um rock progressivo
com letra peculiar
Beba, conte piadas
morra de rir
faça do momento
a mais pura alegria
Quando eu morrer
não espezinha a minha alma
esqueça as minhas terríveis condutas
a vida é sábia, brilhante e justa
Saudade: a medida secreta do amor
Teus olhos, agora estrelas,
não brilham menos por estarem distantes.
São vigias do meu sono,
um farol que ilumina a noite longa.
Tua voz é sussurro no vento,
um segredo guardado nas folhas secas,
canta memórias nos cantos esquecidos do dia,
um eco que não se apaga,
uma melodia que insiste em ficar.
A saudade não pede licença,
entra sem bater na porta.
Sons, cheiros, risos:
tudo rompe o silêncio da sala.
É o amor que ficou,
pedaços teus que não souberam partir,
estilhaços da tua presença,
que agora moram na ausência.
Sentir saudade é um pacto,
uma entrega,
o ensaio da presença que já não volta.
Dizer "sinto saudades de você"
é confessar: "eu te amo ainda".
A ausência é cheia demais,
carrega teu cheiro, tua risada,
o peso do que não foi embora.
Saudade é régua,
a medida secreta do amor,
o peso e a prova de tudo o que fomos.
Tesouro que o tempo não apaga,
que a ausência não rouba.
Saudade é o amor que persiste,
um grito surdo que ecoa,
buscando-te em cada esquina do tempo.
Se o amor é âncora,
a saudade é barco à deriva.
Navega sempre em busca do que perdeu.
Nem tanto ao mar,
nem tanto à rocha:
foi no equilíbrio das ondas
que minha saudade ancorou
no porto invisível do meu coração.
Como árvore permaneço no mesmo lugar
resistindo as intempéries das estações.
Resoluto e ao mesmo tempo submisso às
novidades de cada novo amanhecer.
As pragas até queimaram minhas folhas,
mas não deixei atingirem meus frutos.
Minhas raízes estão ainda mais fincadas
minha copa a cada dia menos utópica.
Após me restabelecer decidi que vou morrer
de finitude, não de fatalidade.
Minha esperança é que o vento leve
partes saudáveis de mim e polinize um
futuro que não verei.
“Já tenho algumas décadas e sei, tenho muito a caminhar. Desejo ainda ser lido mesmo depois quando enfim for encontrar minhas origens. Espero até lá parecer mais sábio aos olhos dos que me descobrirem. Não sou propriedade da minha propriedade. Tudo que tenho e fiz só faz sentido se puder ser, de alguma forma apropriado por outros. Sou poeta e a poesia não tem dono cada um que a ressignifica se torna co-autor. Essa é a a forma que encontrei de me tornar eterno a cada vez em que eu for recontado.”
“A grandiosidade nas ações de Deus não estão no fato dele morrer em nosso lugar, mas em viver em nosso favor.”
A margem espero o descanso do rio.
Ao ouvir o som de suas águas aquieto-me.
Sinto um misto de esperanças vindouras e medos pontuais.
Transbordo. Rompo diques, mas nunca é o suficiente.
Estou cansado! Contenho-me. Sustento todo um ecossistema.
Será que um dia chegarei a minha margem?
E lá chegando... será que poderei finalmente descansar?
E nesse merecido descanso... encontrarei ouvidos interessados em meus ruídos a fim de encontrar neles sua própria calmaria?
A margem espero o descanso do rio...
“Toda vez que enfrento um dilema pratico o exercício de minha morte.
Na minha cabeça só assim se é possível enxergar as próprias vísceras.
A morte, ainda que encenada, me garante esse distanciamento necessário para não me deixar corromper com o objeto ou assunto por mim observado.
Só morto consigo ser imparcial.”
Quando chegar as águas
e não mais poder distinguir
o paraíso terrestre do celestial,
Mergulhe.
Quando souber que chegou
lá onde céu e mar
se tocam num beijo azul,
Mergulhe.
Afogar-se é a melhor opção.
Não tenha medo.
O ar aqui é mais rarefeito...
É o que acontece quando se vê o belo,
falta ar.
Essa falta de oxigenação te fará bem,
ainda que esse bem te mate.
Não precisa morrer pra ver Deus,
mas se quiser conhecer os seus céus
sim.
