Quem sabe um dia eu Volto a te Encontrar
Difícil!
E tem sido a cada dia
Mais difícil vislumbrar
Vida inteligente nesta vida
Salvo parcos resquícios
De quem queira ver
E quando olhar no espelho
Iníquo
Ver-se
Tendo em vista
Ser todo sentido da vida
Avesso a qualquer conquista
Pois a lista de batalhas a vencer-se
Resume-se a si mesmo
Porque é este o motivo de estar aqui
E vivo
Porquanto é o mais duro oponente
O próprio orgulho
Que uma vez vencido
Por si mesmo
O ego
Fatalmente haverá perdido
Anular-se
Sem jamais aniquilar-se por completo
Vida, batalha perdida
Uma vez que se perdeu
Vencida
Porém
Conforme o poema discorria
Por um momento observou-se
Inócuo
A quantidade de pronomes oblíquos
Em detrimento aos do caso reto
Nem mesmo o poema
Tampouco o poeta
O dito pelo não dito
Movimento inerte
Inertes qual suas conquistas
Contemplando seus espelhos
Sem jamais serem vistos.
Edson Ricardo Paiva.
Cerro meus olhos todo dia
Na esperança de guardar aqui
A toda fantasia
E poesia que se encerra
No final de cada olhar ao longe
E também cada alegria não vivida
Que eu dividi comigo mesmo
Nos tempos mal vividos
Que o caminho abrange
Pois a sorte desta vida
Não consiste em deparar
Com o diamante bruto
Que a cada um de nós
Há de esperar pelo caminho
E, sim, reconhecê-lo
Agradecer-lhe, com o devido zelo
Pois cada um de nós
Um dia há de encontrá-lo
Mas, nem sempre
Vê-lo
E lapidá-lo
Longe de toda malícia
Distante de qualquer olhar astuto
Somente a mansa gratidão
Que qualquer criança
Encerra dentro de si mesma
Quando tem na mão
Um brinquedo de papel
Um desenho que ficou bonito
E um coração escrito
E cerra os olhos
Na esperança de guardar ali
A sensação de fantasia
Que todo dia finge em reviver
No final de cada olhar ao longe
Que o tempo não deixou guardar.
Edson Ricardo Paiva.
Bom dia
Amigo passarinho
Que, talvez esteja
Entregue à própria sorte
Bom dia, amiguinho
Bom dia
Pra todo mundo
Que qual passarinho
Não vive pela lei da mais valia
E que mesmo assim
Reina em seu reino
Sem nenhuma garantia
Bom dia
A todo passarinho que não tem ninguém
Que vive cada manhã
Assim que ela vem
Porque sabe que o canto é em coro
E que o choro é sozinho
Bom dia pássaro sem casa
Cujas asas
Não lhe pertencem também
Voando de cara pro vento
A vida inteira
Não se ocupa em pensar
Se a vida
Ela é boa ou não é
A vida é só voo
O voar é momento
Que se vive à toa
À luz da lua
Um luar de leoa
Um pássaro qualquer
Sem ramo, semente, sem chão
Diferente de gente
Porque gente pensa
Pensamento ecoa
E gente diz que pensamento voa
O pássaro jamais
Nem pensar ele quis
Não faz questão
E se gente não voa
Inventa ventania
E mente
Passarinho, não.
Edson Ricardo Paiva.
Ventania
Era dia de vento lento
Até que soprou
Soprou até
Sobrou até pro pé de ipê
Levou até não sei o quê
Que não se vê
Ventou até
Levou a paz e o pensamento
O tanto faz e eu tô atento
E eu tô à toa e eu vou até
Até que eu não fosse mais
Não dá mais pé
Assim, de momento
Levou-me a fé num pé de vento
Deixou-me aqui, por enquanto
De tanto que trouxe o vento
Pelo tanto que ele levou
Hoje é doce o desencanto
Surge um pranto que doeu
Doeu-me um tanto
e eu sozinho
Sentado ao pé do caminho
Parado
Procurando espinho. ou mais
e foi-se...foi-se até
Foi-se até não ser esquecida
Depois de ensinar a vida
Doer, sem mostrar onde é.
Edson Ricardo Paiva,
Às vezes rosa
Às vezes chumbo
Às vezes mar
Às vezes mundo
Todo dia vida
Às vezes prosa
Às vezes verso
Às vezes má
Outras o inverso
Sempre vida
Às vezes isso
Às vezes disso
Às vezes esse
Às vezes desse
Eis a vida
Às vezes queima
Às vezes arde
Às vezes longe
Às vezes tarde
Sempre, todo dia
Vida mesmo
Só de vez em quando
Edson Ricardo Paiva.
Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia
Pode ser que elas voltem
E que nos contem por um momento
O que era que estava escrito
Numa manhã de Sol qualquer
Poder ser manhã de um Sol que se sente só
Sentindo um nó na garganta
Por ver-se só, lá acima da tempestade
Numa tarde de chuva que nos invade
Só que é aquela chuva que não chove
Poesia de quê?
Poesia de tarde, poesia que vem de cima
Que não faz chorar e nem sentir
Poesia de nuvem, que não comove
E esconde o Sol que nos olha
Sem nada nos olhos, nem no olhar
Cada dia é outro dia
Pode ser que hoje, ainda
Elas chovam sobre nós por um momento
Trazendo uma noite estrelada, uma noite linda
Dia de esperar, não era
Era dia de espera só
De olhar o Sol detrás da nuvem, igual criança
Com o todo nos olhos, tendo estrelas no olhar
Escrevendo poesia de esperança.
Edson Ricardo Paiva.
"Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia"
Edson Ricardo Paiva
Hoje é dia de juntar as folhas
De fazer o pão, de consertar telhados
Ou talvez de só ficar olhando o céu
Sentar-me no chão da calçada
Arrancar as ervas que crescem nos vãos
Pensar na vida é não pensar em nada
Nada além de esperar que ela aconteça
Hoje é outro dia
E todo dia tem sido assim
Dia de olhar a pluma passar flutuando
Fazer bolhas de espuma, buscar borboletas
De pensar nos medos que foram tolos
Em outros que ainda são
E deixar que eles cresçam
Assim, que nem contar segredo ao beija-flor
E mais uma vez fazer um pedido à estrela que cai
Hoje é dia de ficar à toa, enquanto come o pão
Fazer tocaia pra noite é o que nos resta
Olhar entre as frestas dos olhos
E esperar que outra estrela caia
De pedir ao tempo que ele pare
E aguardar que não seja atendido
Porque ele não para
Tomara, então, que seja bela a tarde
Que o vento traga uma boa mensagem
E que o coração esteja atento e a guarde
Enviar um convite à propria alma
Aguardar que ela apareça
dasabroche e floresça
Como a mais pura e bela verdade
Aquela, pela qual se espera uma vida
E que jamais se escuta, não pela sua ausência
Pedir que permaneça e nunca mais nos deixe
Quando o coração se nega a ouvi-la
E não a procura
A voz da alma se oculta
A mão conserta o telhado
Não deixa passar luz de lua
Mas a verdade insistente
Ela cresce entre os vãos da calçada
Como um sonho de luz que valsa no céu na noite
E prepara outro dia de acalmar o coração
Pra tudo que a Deus pertence
Deixa o tempo passar com a balsa
Como a alma descalça na areia de algum lugar
Não existe o mar do impossível
Hoje é dia de quebrar telhados
De espalhar as folhas
Fazer bolhas de sabão pra botar poesia
Sentar na calçada e dividir o pão dessa vida
Podia ser hoje esse dia.
Edson Ricardo Paiva.
Nasce o dia na janela
Bela luz que resplandece
Cresce o canto de pássaros lá fora
Poesia infinita pra olhares falantes
Olha o ar com olhar de ouvinte
Um certo manto vem cobrir-me a alma
O momento, o instante, o segundo seguinte
Um mágico nascer de dia
A magia sobrepõe-se à lógica
Transcende ao frio caminhar das horas
Põe as coisas onde estão
Aquece o caminho
Navega o mar sem pressa
Atravessa bem devagarinho todo o ar que me permeia
Se compõe, se sobrepõe, vagueia e aquece
Nasce o dia como a prece que agradece a poesia primeira
Tem que ver como é bonito
Quando o espírito da gente
Volta lá na primeira manhã
Relembra o quente que era
Cada sol que alvorecia e mostrava
Toda gota brilhante
Cada instante percorria a nova primavera
Vivida ou vindoura
Cada lágrima chorada
Pois a vida é nada, se a gente não chora também
Se são elas que douram as lembranças
De todas as dores e alegrias
Noites bem ou maldormidas
Manhãs orvalhadas
São as horas da vida e há de sempre faltar
Vamos sempre carecer daquele mero instante
Irmãos e irmãs, um olhar aos ponteiros
Corre o tempo, passa tudo
O nada, a saudade, a solidão, um sorriso e a gratidão
Nasce o dia na janela, é preciso viver
E se a vida é bela ainda
Cada um de nós precisa ouvir
A voz que tem o coração
Só ela pode dizer.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje amanheceu chovendo
O pássaro dormia, ele partiu
Meu dia amanheceu calor
Olhando o mesmo mundo
O vejo mais distante
Desejo ao pássaro
Uma boa viajem somente
Não tem como sentir
A dor de fazer tudo igual, diferente
Meu dia amanheceu
Tão quente
Sem motivo pra calar
Não faz mal estar tudo bem
Quando estar tudo bem
Não é, nem de longe, importante
O ar quente do balão
O vento forte contra a asa do avião
O tempo breve, cuja vida abrange
A grandeza do anjo
A beleza do jardim lá fora
O pássaro que há muito adormecido
Fez uma curva no céu
Acenou-me um adeus
Era a hora de partir
A corda do violão
Arrebentou, quando eu não estava perto
Se fez algum ruído ou não
Não sei
Somente o anjo, coração deserto
Decerto estava lá pra ouvir.
Edson Ricardo Paiva.
Infância.
E se a gente pudesse
Voltar lá, praquele dia
O dia que caiu da árvore
O dia que pisou num prego
O dia que minha mãe falou
Que me batia
Pois não gosta de criança que desobedece
Se pudesse, juro que eu ia
Se voltasse aquele momento
Em que um vento carregou meus sonhos de criança
E que eu vi perdidas todas esperanças
Chorei, pois criança pode chorar, então ela chora
Se Deus me permitisse voltar lá, eu ia agora
Pro dia em que tirei o mais redondo zero
Levei bronca da professora, fui parar na diretoria
e minha mãe foi chamada na escola
Se você me perguntar agora, eu ainda respondo que quero.
Nem que eu fique meses de castigo
Se aquele tempo voltasse, eu queria
A viver somente a minha vida
O dia corrente...sem ter que pensar no amanhã
Pois o dia de amanhã, ainda nem nasceu
Se o tempo perguntasse quem
Eu diria que eu.
Edson Ricardo Paiva
"Nem todo dia cinza é triste, nem sempre a alegria brilha ao Sol. A Felicidade é como a inteligência: Sua origem é de dentro pra fora. Não procure nas nuvens o que está sob seus pés"
Amanhã
Quando for de manhã
Sorria e receba esse dia
Qual fosse a primeira manhã
Amanhã
Quando vir esta poesia
Seremos nós desejando bom dia
E depois
Após a manhã desse dia
Deseje uma boa tarde a alguém
Relembre que será também
A primeira tarde
Dessa sua nova vida
Mas enquanto ainda for de manhã
Não aguarde pela tarde
Como se fosse uma tarde qualquer
Pois quando chegar a noite
Não será apenas o final de mais
um ou outro dia
Será o final do primeiro dia
Em que finalmente
A alegria infinda, desejada e bem vinda
Terá chegado pra ficar
Em todas as nossas vidas
Noite fria, claro dia
lembranças de momentos tão distantes
cujas lembrança trazem
qualquer sentimento
exceto alegria
recordando a primavera
de uma existência
mergulhada em agonia
Aonde estão as caravanas de ciganos?
violinistas,flautistas
trapaceiros...vigaristas
Amigas amadas
com seus sorrisos de fadas
que eu via de manhã, quando acordava
que me sorriam, e como névoa
dissipavam
deixando seus sorrisos
e uma alegria que ficava no meu dia
Laranjeiras no quintal
insetos voando lentamente
Feitiço de bruxa
que só de maldade
traz e tira isso da gente
hoje não há mais fadas
e são maldosos os olhares
que outrora faziam sorrir
e não há boca pra dizer nada feliz
não há mais grama no quintal
e nem vontade de dançar na chuva
já não tenho mais ciência
do que haverá
depois da curva
o tempo passa
a vista turva
a luz que a vista ilumina
não mostra aonde
e muito menos quando
a estrada termina
o espelho não mostra um atalho
lá eu olho e vejo
apenas e tão somente
um sorriso de espantalho.
Aonde foram parar
Onde será que estão
Será que algum dia existiram
Aquilo que a gente pensou
Que pra sempre existiria
Ou será que desde aquele tempo
A gente estava
tão somente
Se iludindo
A vida foi pura e simplesmente
um rio fluindo
Fluiu para um lugar
Onde a ponte ruiu
A ilusão
Para sempre partiu
Nossos sonhos
pra sempre perecem
No fundo do rio.
Todo dia, ao nascer da noite
Me aprumo e desço as escadas
Rumo à escuridão sem rumo
vou me enturmando
com a turma que vive
o avesso da vida
e aqueles que nada tem
procurando me equilibrar
tentando me manter em paz
Após cada tropeço
Que o escuro traz
No começo eu chorava
apesar de ninguém querer saber
agora choro pouco
mas aprendi
Que mesmo poucas as lágrimas
elas ainda me lavam a cara
A escuridão aumenta
e a noite não pára
Mesmo assim o tempo passa
e passando me separa
a cada vez mais
da esperança de um dia
voltar a conhecer
algo que me faça capaz
de ver a luz
toda noite, ao nascer do dia
Este maldito amanhecer
me arrepia
e eu não me acostumo
Me arrumo e subo as escadas
Em pouco tempo
As calçadas estarão lotadas
de gente
com as quais não me enturmo
pessoas que vivem
o lado quente da vida
Aquela amiga desconhecida
que me esqueceu.
No dia em que chegaste, primavera
Trouxeste consigo teus irmãos
Maior fosse tua família
traria juntos pais e irmãs
Amanhã, já ninguém se lembra
Que ontem foi mudança de Estação
As folhas já nem sabem mais
Qual é seu tempo certo de cair
Num mesmo dia vem aqui todos vocês
Não existe mais prevalecência
de um irmão sobre os outros três
Eu fico aqui, coberto de descrença
Sem saber dizer ao certo
Quando era mesmo que floresciam os Ipês
Alguém me disse, quase com certeza
não haver mais a antiga beleza
Que gerava as festas das Mudanças de estação
Pois o ano inteiro parece ser um só Verão
Não há mais chuvas finas
Flores, borboletas, abelhas e pássaros
Garoas não mais existem
Nem frio, nem romantismo
O Humano sinismo
que hoje a tudo envolve
Envolveu também a Natureza
Que hoje
Todo aquele cretinismo nos devolve
Os ponteiros marcam
as horas no terceiro dia
de uma terça-feira qualquer
na verdade
hoje não é dia nenhum
nem acontece nada importante
não há nada
que não tenhamos visto antes
Talvez, se a gente pudesse
aguçar a terceira visão
alçasse, então
O voo tão desejado
rumo ao conhecimento
Que em outros tempos deixamos de lado
por não saber-lhe a importância
a relevância tão acalentada
Que nossa juvenil irreverência
não viu
foi deixada em segundo plano
por anos e anos
Terceirizada
Como se nada fosse
Mas é preciso passar por isso
Pra finalmente compreender
Que esta metafísica jornada
relegada à condição de coisa qualquer
Não é
É algo
Que vai muito além disso
Mas apenas haveremos de enxergá-la assim
Quando firmarmos compromisso
com nós mesmos
Pode ser perto do fim
ou pode ser também agora
enquanto isso
os ponteiros marcam as horas
em uma tarde qualquer
Hoje é o dia, o som da melodia das suas canções abriram o meu coração e fiquei com a alma inundada e a mente livre, recuperei a responsabilidade que se perdia em mãos alheias, amar-te, já não sou mais eu, o coração ciumento escorraçou o intruso, agora somos novamente nós dois, o outro está enjaulado nas trevas sem salvação. O novo ciclo se abre com o seu aniversário, apenas luz e poesia.
Existe uma única verdade em mim comparavel ao nascer do sol que vence obstáculos do dia e descansa ao se pôr, dando lugar à noite. noite que me tranca em mim pensando na paixão da vida. É esta a única verdade que existe em mim.
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