Poesias para um Futuro Papai
O que é um prédio em chamas comparado a 400 anos de gerações chicoteadas, queimadas, marcadas, e que quando conseguiram sua liberdade, foram caçados e até mortos de forma que os que estão acima sequer demonstrassem incômodo?
Um país em chamas não pagaria esse prejuízo.
A morte só é um terrível final, quando se viveu uma vida medíocre. Quando vivemos bem, é como se Deus pudesse dizer: "Ótimo espetáculo foi sua vida, mas as cortinas precisam fechar."
Ficamos com os aplausos.
Tenho sido constantemente tragado.
Me sinto um trago,
Um cigarro, desses fortes
Que contaminam o ar na fumaça
Que poluem por milênios com bitucas.
Um trago de bebida amarga
De raízes, de carvalho defumado
Um rum envelhecido e forte
Um whisky puro em dia muito quente.
Um trago de vida, e no vento
Observo atentamente as areias que escorrem.
Os grãos caem talvez mais rápidos
Sim, mais do que de costume.
Entre meus dedos,
Intragável, indiferente, irreversível.
Me sinto o fumo tragado
Um trago de bebida.
Quem me traga não é gente
Não o vejo, porém posso senti-lo
Nos ossos, na pele, no reflexo, no desespero.
Tragado pelo tempo.
Essa manhã eu faltei no café.
Como quem falta a escola, trabalho ou um compromisso do dia.
Falta é o que mais tenho feito, aos outros um pouco menos que a mim mesmo.
As vezes me sinto fino, apagado, desaparecendo aos poucos como a fumaça de um cigarro.
Queria dizer como estou bem, como o sol na janela constantemente me alegra, como as coisas dolorosas não me afetam.
Mas sigo infelizmente muito fiel a verdade, que não me permite compactuar com tantos absurdos.
Escrevo porque quero muito, na quantidade. Escrevo porque quero tanto, na necessidade.
Para que minha existência nunca falte.
Um amor ou um meio amor?
Amor que sinto com pouca e muita intensidade,
meio a meio, quase nada.
É isso que você faz me sentir:
muito amada, às vezes só desejada.
Um dia sou tudo,
no outro, sou nada.
Como sempre, quase nada.
Elogios ouço e leio como se fossem apenas palavras
escritas para preencher um vazio,
mas não sinto nada.
Quero presença,
quero atitudes,
que todos falam por falar ,
mas eu continuo sentindo:
amada, ou meia amada,
e tem dias em que sou quase nada.
A amizade (da minha parte)
Miséria de amores que um dia foram radiantes,
Intensos e satisfeitos.
E um repouso lento…
Tão lento que, dos amores, formou-se amizade.
Amizades — da minha parte.
Parte de quando finalizei na sexta,
E, em outra sexta, veio o recomeço.
E o ciclo se repete.
Miséria de amores que um dia foram radiantes,
Ardentes, ásperos, cortantes.
Agora, um repouso lento…
Tão lento que, de colegas, tornaram-se desconhecidos.
E o ciclo, inevitável, se repete.
O Toque Silencioso
A yoga entrou pedindo licença, com delicadeza,
um suspiro suave que toca a alma e a natureza.
Ela tem me guiado há anos, sem pressa,
todos os dias, ao tocar o tapete, uma lágrima se despeja.
É gratidão que transborda, silenciosa e profunda,
pois em cada movimento, a vida se refunda.
Com a leveza de uma dança, ela me ensina a ser,
a encontrar a paz, a quietude, a saber.
No tapete, sou inteira, sou sem fim,
mas é fora dele que a verdadeira prática começa em mim.
Ela me ensina a respirar, a viver, a olhar,
a ser fiel a mim mesma, a me escutar.
A yoga, como uma amiga silenciosa, se faz presença,
é amor e autoconhecimento, é pura essência.
Ela me guia, me molda, e me faz crescer,
para que, a cada dia, eu me descubra e floresça em meu ser.
Caminho Da compaixão
O animal é um ser único, cheio de luz,
Carrega em si o amor mais puro, que brilha e conduz.
Em um mundo cruel, onde o sofrimento é normal,
Eles nos ensinam a beleza de um amor sem igual.
Tirei-os do meu prato, com a promessa de nunca mais,
Meus filhos, no futuro, não saberão esse sabor tão fugaz.
Claro que ao crescer, farão suas escolhas com voz,
Mas estarei ao lado, para que compreendam a razão, e a voz.
Guiando os para ver, com olhos de compaixão,
Que todo ser merece viver, com respeito e proteção.
Como eu e você, merecem o direito de existir,
Com dignidade e paz, sem nenhum ser a se consumir.
Uma bela jaqueira no jardim
Um gramado bem verdim
Um cristo de braços abertos
Desejando bem vindos com muito carinho
Terraço arejado e bem quentim
Vista ampla de todo jardim
Porta larga da nobre jaqueira
Um janelão da mesma madeira
Uma sala que visita se esparra inteira
Um belo quadro da Santa Ceia
Uma foto grande da nossa pequena cachoeira
Móveis rústicos de igual madeira
Uma cozinha que todos saem de barriga cheia
Um armário pomposo de fortes prateleiras
Mesa e cadeiras da brava jaqueira
Conforto e belezoura que tonteia
Um banheiro que se amostra na limpeza
Um quartinho que parece um ninho
Descanso de José e seu benzinho
Reino de paz, amor e carinho.
Lá fora uma linda escada à direita
Dá gosto subir, nunca canseira.
Em cima mais dois quartinhos
Que João de Barros fez com muito carinho
Situada no centro de Chã de Areias
Próxima da igreja que o Santo José homenageia
Toda a cidade de Itaquitinga lisonjeia
Abrigo de todos para vida inteira
Há dois móveis de madeira
Que não é brincadeira
Um com amor é presenteado
O outro contra a vontade é comprado
Um traz felicidade que tonteia
O outro tristeza e cara feia
Um enche de paz e alegria
O outro de sofrimento e agonia
Um vem com futuro e pujança
O outro vai com sonhos e esperança
Um anuncia uma nova aurora
O outro avisa que chegou a hora
Um é luz e imensidão
O outro é treva e solidão
Um mostra que da terra viemos
O outro comprova que pra terra voltaremos
Um representa vida e nascimento
O outro demonstra morte e falecimento
Um construído em madeiras trabalhadas
O outro é feito tábuas mal serradas
Um é continuidade e perpetuação
O outro finda um geração
A cada dia que se passa
De um agente se afasta
E na mesma proporção
Do outro é a aproximação.
Morte te faço um pedido
Peço pra morrer em serviço
Desprezo o dia e a hora
Suplico apenas pela forma.
Que seja heroicamente!
Afogado numa enchente
Socorrendo minha gente
Asfixiado por fumaça
Doando oxigênio de meu recipiente
Soterrado nos escombros
Buscando sobreviventes
Queimado num incêndio
Protegendo inocentes
Sou Bombeiro
Pelo destino forjado
O pedido já foi feito
Esperando apenas o chamado.
Deus pegou Maria pela mão
José trouxe pelo pé
Para formar um casal em Nazaré
O resto do mundo aplaudiu de pé
Maria na certa não sabia bem pra que é
Mas o arcanjo explicou pra virgem de Nazaré
José na santa ignorância bateu o pé
Mas assumiu o papel de pai que é
Formando a Sagrada Família de Maria e José
Contemplando com a vinda de Jesus de Nazaré
A Família crescia em graça, sabedoria e fé
Sabe-se da chegada de outros filhos, mas não se sabe quais que é
José da arte da madeira sobrevivia
Maria cuidava dos afazeres do dia-a-dia
Jesus seguiu seu destino do jeito que a escritura dizia
Realizando a Santa Profecia
José morreu primeiro, cumprindo a ordem estabelecida.
Jesus foi crucificado, morto e sepultado, mas foi ressuscitado no terceiro dia
Maria da sua morte não se sabe a origem até hoje em dia
O mais comum é dizer o trânsito da Virgem Maria
Em um pseudepígrafo cristã
Foram 33 homens e 23 mulheres
Frutos do pecado da maçã
Num conflito de geração
Filhos e filhas deram continuidade
A família de Adão
Dez homens ficaram na contra mão
Esperando mais cem anos
Pela próxima geração
Seth e Azura iniciaram a confusão
Foi quando Adão de pai
Passou a ser o primeiro avô da criação
De geração em geração
O primogênito perdeu a ponta do cordão
Noé foi o último dos cristãos
Causando a maior confusão
Casam-se homens com homens
Definhando de uma vez a linhagem de Adão
Num certo dia
Num certo lugar
Um galo na goiabeira
Cantava pra se esfolar
Atrapalhando um belo casal
Que estava a namorar
O galo no seu fole a cacarejar
Acordava a todos daquele lugar
O namoro do casal que muito tempo atrasado estar
Aperreava-se com o galo a cantar
Vendo a hora a mãe da moça se acordar
Beijos pra lá
Beijos pra cá
Mãos acolá
Continuava o namoro sem parar
Mas antes das três
O galo resolveu se alevantar.
E, se, pois a cantar.
Demarcando o seu lugar
Ordenando as galinhas a se acordar
Demonstrando que estava ao casal invejar.
Insistiu tanto no seu cantar
Que sua dona fez acordar
Acabando o namoro que estava a melhorar
Depois desse dia e desse lugar
Onde houver um galo
Jamais irei passar
Nem tão pouco namorar
Missa do Galo pra mim vai se acabar
O Galo da Madrugada não irei mais brincar
A Torcida do Galo Mineiro vou vaiar
O horóscopo do Galo chinês vou rasgar
O Galo de Barcelos vou quebrar
E canja de galinha vou comer em qualquer lugar
Pra o galo pagar a raiva que me fez
Naquele dia e naquele lugar.
MEU MUNDO
Um grão de areia perdido
Um coração recém-nascido
Um olhar despercebido
Um caminhar sem sentido
Um grito oprimido
Um amor divido
Um cristo vivo
Um dilema vivido:
De onde vim
Pra onde irei
Antes de
Teres-me
Consumido.
TERRA!!!!!!
TERRA!!!!!!
TERRA!!!!!!
... Por aquele pensador ao crer
Em um único Deus supremo de paz e amor
Será condenado e morto
Por um Rei cruel e ditador.
"Nave Negreiros não tarda a chegar
Muitos morrem sem te encontrar".
A PELEJA DO SAPO
Me falaram de uma história
Que minha imaginação
Não acreditaria
Falavam de um Sapo
Que um certo dia
A lua engoliria
Fiquei tão impressionado
E imaginando
Como isso aconteceria
Um Sapo tão pequeno
E a lua tão grande
Como ele conseguiria
Falavam que era noite
E o Sapo na lagoa
Pela Lua se apaixonaria
Vendo o reflexo da Lua na lagoa
O Sapo planejou um plano
Que logo em pratica colocaria
Dando um mergulho na lagoa
Com a boca bem aberta
A Lua, ele engoliria
Prosseguindo o plano da sua vida
Saltou pra dentro da lagoa
Bebendo toda água que podia
Bebeu tanta água
Que sua barriga pequena
Nunca conseguiria
Saiu da lagoa boiando
E passou semanas rolando
Por que saltar não podia
Coitado do Sapo
Recebeu uma lição
Para o resto da sua vida.
SEGUNDO DOMINGO DE MAIO
É um grande Dia e muito especial, mas é pequeno e insignificante comparado com Aquela que perdemos.
Combater a fome e a miséria enquanto se recebe um gordo salário pago pelo povo miserável é, no mínimo, contraditório.
Benê
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