Poesia os Dedos da minha Mao
"Não há mistério ou segredo,
vitupério ou mansidão,
apenas que em toda essência há o desvelo do nó górdio dos nossos medos,
e o nosso eu que desabrocha em solidão."
O destino pôs a gente
Para cruzar o olhar
E igual a adolescente
Faltou coragem pra falar
A timidez atrapalhou
Quando o olhar paquerou
O meu olhar o olhar dela
E a vergonha não deu trela
Para uma conversação
Porém a imaginação
Só me faz pensar nela.
Sou nordestino da gema
Que a faceta traduz
Sou nordestino de força
E acredito na cruz
Sou nordestino de fé
Sou tomador de café
Idem comedor de cuscuz.
Eu peço sempre a Jesus
Que nunca venha faltar
Comida na minha mesa
Ou em qualquer outro lar
Eu oro e peço pelo irmão
Que nunca falte no coração
A tal vontade de amar.
Autorresgate
queimei velhas certezas
explodi antigos cárceres
abri por fim meus braços
mantenho comigo o vento
que é quem sustenta
o voo dos pássaros
Sem perdão
aqueles que lavam as mãos
de costas pro mal que se expande
não as lavam com água e sabão
mas sim numa tina de sangue
BICHO SOLTO
Se de verdade eu te amo,
não devo cobrar reciprocidade.
Pássaro feliz não tem dono
e só fica onde está à vontade.
LevitAção
Manter-se leve e voando
é o maior desafio da vida
:
saber se livrar dos pesos
do parto até a partida
MANTRA
Depois de percorrer várias estradas,
aprendi a lição de suas curvas:
viver não é evitar tempestades.
É saber como dançar na chuva.
VIGÍLIA
Na rua à esquerda do sonho
bem na esquina com a fantasia,
seguirei sentado, cão sem dono,
esperando que amanheça o dia.
Voo livre
tenho voado tão alto
que, nesses últimos dias,
penso, respiro e exalo,
à flor da pele, poesia.
O jogo
Se acerto, movimento a pedra do jogo.
Se erro, prossigo, penso, tento de novo.
Assim foi, é e para sempre será.
Eu só não posso parar de caminhar.
DUPLO
Algo que em mim não dói
talvez em meu outro até doa.
Não confunda a pessoa do artista
com o artista da pessoa.
Sísifamente hercúlea
Que triste a nossa sina:
conviver com a morte
todos os dias
e lutar pra mantê-la
esquecida.
Getsêmani
a cruz que mais me dilacera
e que traz maior sofrimento
não é a que o ombro carrega
e sim a que pesa aqui dentro
Sem telescópio
ainda giram ao seu redor
muitas estrelas raras, lindas
não espere o cair da noite
para se dar conta de quais
brilham mais, mesmo que de dia
CANINO
o capitalismo
sempre arreganha os dentes
seja pra sorrir
ou devorar
um cão selvagem
é sempre um cão selvagem
inclusive quando
calmo ele está
DOS DOIS
para Carlos de Queiroz Telles
de amor mesmo, nada sei.
mas amo além do que posso.
ao sair de mim, te achei.
deixei de ser meu: eu sou nosso.
AMOR BACANTE
a noite divide o dia em retalhos,
cada resto de luz some num abraço.
na cama, também me desfaço:
são teus todos os meus pedaços.
BLINDADOS
para Ruy Proença
Quem se lembra ainda daqueles tempos idos
em que havia poucos muros, grades e redes?
As paredes até podiam ter ouvidos,
mas os ouvidos não tinham tantas paredes.
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