Poemas Nao quero dizer Adeus
Lar
Diga que não quer que eu vá
Peça pra eu ficar
Porque na verdade eu não quero partir
Mas preciso de sua boca ouvir:
-Nao se vá, faço de você, meu lar.
Ale F.
Madeira e lascas
Não quero falar das vespas,
pois são fáceis de reconhecer.
Nem as revoluções correntes
são perigosas.
A morte na sequência do ruído
foi desde sempre decidida.
Preocupe-se, sim, com as efemérides
E as mulheres, com os caçadores de domingo,
os cosmetólogos, os indecisos, os bem-intencionados,
com os jamais atingidos pelo desdém.
Das florestas carregamos gravetos e troncos,
e o sol demorou a brilhar para nós.
Em êxtase com o papel na linha de montagem
não reconheço os galhos,
nem o musgo, fervido em tintas mais escuras,
nem a palavra, talhada em córtices,
real e atrevida.
Usura de folhas, letreiros,
cartazes negros… De dia e de noite
estremece, sob estas e outras estrelas,
a máquina da fé. Mas na madeira,
enquanto ainda está verde, e com a bílis,
enquanto ainda está amarga, sigo
disposta a escrever o que era no início!
Tratem de ficar acordados!
A marca das lascas que esvoaçaram avança
com o enxame de vespas, e na fonte
arrepiam-se face à tentação,
que primeiro nos enfraquecia,
os cabelos.
Olho para mim e vejo um pequeno mortal
Olho para dentro e penso: Não quero ser igual
Olho para minhas mãos, cansei do natural
Olho pro meu coração, eu busco o sobrenatural de Deus
e eu me pergunto
por que vou colocar uma criança no mundo sendo que eu quero sair dele?
eu não sei se dou conta
eu não sei se vou ser uma boa mãe
sempre quis ser mãe
acho lindo o poder de ter uma criança formando em meu ventre
mas eu não estou dando conta de mim
eu não consigo me manter nesse mundo
só quero que as ondas me acertem como eu planejei
Permaneço imersa em mim, tentando acreditar que não sinto falta de nada. Sim, eu me basto e quero ser feliz assim. Mas sinto na pele o arrepio da solidão me abraçando. Não tento fugir disso, é o que eu escolhi. O vazio, o vácuo. Aos poucos, os que estavam perto se afastaram. Aos poucos quem me cercava sumiu. Sim, esta foi a minha escolha! Escolhi assistir a pseudo felicidade dos outros do meu mundo. Decidi torcer calada, sofrer calada, sorrir calada.
Decidi tentar me desejar como eu desejo aos outros. Tentar me amar como eu amo ao próximo, com o mesmo impeto de abdicar ate de mim pelo sorriso do outro.
Não sei porque eu me perco de mim com tanta facilidade.
Descobri que tenho um relacionamento abusivo comigo. Onde me refugiar e me proteger de mim?
Quem vai me salvar de mim?
Eu não quero a modernidade
E todo o imediatismo que com ela chega
Não quero a modernidade
Que promove encontros superficiais
Deixando o amor lá atrás
Quero Ser Criança
Foi
Não volta
Sente
Como sente
Faz falta
Tempo
Traga-me
Aquela criança
Para este velho
Sozinho brincar
Como na infância
Por favor, volta!
Preciso mudar a minha maneira de ser.
Não quero ser o que sempre fui.
afinal, não quero continuar na mesmice.
Difícil não é vencer o mundo.
Quem consegue controlar a sua própria vida é um sábio.
Controlar impulsos, desejos, vontade de falar ou emitir opiniões.
Quem consegue lidar com insultos, confrontos e adversidades,
merece ser ouvido em qualquer lugar do mundo.
Sigo nessa caminhada sem desistir de ser um mestre...
Não quero mais saber se tenho direito, razão e a certeza.
Como disse um sábio anônimo:
"Não há razão alguma para ser arrogante".
Quero que acabe
Quero que acabe a dor
Quero que acabe o sofrimento
Quero morrer , não quero ir para o céu ou pro inferno, só quero desaparecer para sempre
Sumir do mapa ou da vida, eu só queria que tudo parasse e começasse a ser diferente
Um diferente bom
Começasse a ser feliz
O que eu quero ouvir de você
não poderei mais saber, nem ouvir
Afinal, você deu um basta
pôs fim aquele belo sentimento
todos os momentos que vivemos juntos
Sentimos um ao outros, em meses
muitos meses eu tive você
Doeu mesmo, a falta das carícias
os beijos e delírios, o que dizer?!
O que pensar, tenho que caminhar
desde aquele dia, sem você
Meu coração ainda dói, as vezes
claro, que menos... cada dia menos
tenho só medo de te esquecer
Se não sabes, mas eu amei você
(24/03/2019)
Eu não consigo sair da minha zona de conforto - que não é tão confortável como o nome diz.
Quero dizer que não consigo me "mexer", fazer algo de útil e tornar o meu dia produtivo.
Eu queria ter a facilidade em cumprir deveres. Queria ser disciplinada e ter muita motivação. Mas tudo que sei fazer é reclamar e choramingar.
Minha vida é um completo tédio. Eu poderia está apaixonada e ocupar minha mente em amar alguém que não fosse minha família. Porém, não existe ninguém. Não tem ninguém pra tampar meu vazio.
E os dias passam, passam, as horas passam, e eu não me importo.
Eu não me importo, inclusive, com minhas responsabilidades.
Não sei nem que dia é hoje...
Nada é interessante.
Nada faz sentido, principalmente a vida: viver não faz sentido.
Queria entender tudo e ser um robô como os outros, mas eu simplesmente não vejo prazer.
NÃO HÁ PRAZER EM VIVER. Porque eles são robôs. Robôs prestes a morrer. Robôs que, a qualquer momento, instante, pode falhar e nunca mais ser ligado.
Robôs sim. Eles nascem, vão para a escola, estudam e depois estudam, depois se casam, filhos e filhos, trabalha (muito trabalho) pra poder ter grana e viajar. Pra poder ter grana e viajar...
Sim, apenas por isso.
Chamam isso de vida? Chamam isso de "felicidade"?
O pior de tudo é, e se eu não conseguir nada disso? Serei um fracassado?
O que não entendo é, do que adianta todo esse sacrifício, se no final todos nós iremos morrer?
Se você é rico ou pobre, bonito ou feio, legal ou chato, humilde ou egocêntrico, não adianta NADA.
Todos, todos, exatamente todos nós iremos morrer.
E eu?
Eu prefiro pular essa parte de ter que me sacrificar pelo resto da minha existência, e ir logo para a parte onde eu morro de uma vez.
Não quero essa mudez de condolências
a mim, a ti, ou só à terra
que tu e eu pisamos — e comemos.
Pergunto simplesmente se tu eras,
quem eras, e onde foste
depois que se fizeram quatro horas.
Só quero um motivo pra continuar
Só quero um sinal pra acreditar
Não sei se vou aguentar
Continuar sem saber
Sem a certeza que tudo é real
Que a ilusão só está no mundo
De quem não acredita.
Então me faça acreditar
Que não pertenço a esse mundo
Me faça ter a certeza
Enquanto a incerteza
não me consome aos poucos
Mais parece que não me escuta
Por aqui o mundo machucá
Por que não me ajudar
Estou me afastando cada vez mais
Não quero cumplicidade mas quero respeito
A porta do carro não precisa abrir pra mim
Porque se ele quer que o filho seja um bom sujeito
Joga o machismo fora, abre a mente e faz assim
Às vezes quero saber como anda você
Se vai bem sem mim e tentar entender
Que querer não é poder e se eu pudesse, iria me contradizer
Eu já tentei colocar os meus pés no chão
Me esforcei para achar uma solução
Só que essa solução pode ser bem melhor
Pra mim do que pra você
Nãos *icarus. Último dos seus.
Não, de novo não
não quero me perder
ficar à deriva no chão
me contradizer
não, não dessa vez
não quero esperar
a troco de um talvez
não, eu nego
deixo passar
não me entrego
não vem
que seu poema eu já conheço
dos seus versos já vi cem
tentativas de tropeço
a mesma boca que afaga
a sátira duma ilusão
também propaga
a tortura de um coração
veja você mesmo
os tantos sapatos descalços
já foram usados
por quem só sabia pisar
e caso queira alguém para amar
desculpa... hoje não dá
estou ocupado
te apresento alguém.
I.S.S
Gira a Roda
O que eu quero agora? Que não me tires a calcinha, que me venha com vontade, que me tenha como se nunca tivesse tocado minha pele ou sentido meu cheiro. Quanto mais você me quer, mais eu quero você; e assim giramos a roda do desejo, eu e você.
Não sei quem sou
Fraude de mim mesmo
Espaço vazio.
Tudo que eu quero
É não querer.
Não há escolha
Sacrifiquem-me!
Não sou imaculado
Mas de algo deva valer.
Não há culpados.
Conflitos internos.
Só tenho um pedido
Não tenham pena.
Estou aqui há muito tempo
Este é só mais um dia.
De volta a margem.
Degrau por degrau.
Cuidado com as quinas.
Você não é o culpado.
