Mensagem Espírita sobre o Tempo
O Artista e o Abismo
Se afasto a mão do ofício,
treme a lâmina do tempo.
As cores desbotam nos olhos,
as notas desafinam no vento.
]
É no vício do traço e da pena
que a ruína ainda se sustenta.
Se largo o verbo, me perco,
se calo o canto, me ausento.
E o mundo? Ah, o mundo...
segue órfão de beleza,
tropeçando no silêncio
sob a sombra da tristeza.
Quem se aparta do fogo,
gela na sombra do nada.
Quem solta o pincel ou a lira,
caminha sem luz, sem estrada.
Não me peçam que pare,
não me exijam o exílio.
Minha arte é meu fôlego,
meu abismo e meu alívio.
O Lamento Incrédulo
Choro de pedra, de pó e de abismo,
lágrima seca na face do tempo,
um grito que rasga o véu do infinito,
mas Deus se esconde no entendimento.
As dores dos mortos pesam na carne,
vozes antigas sufocam o sono,
nas ruas, exércitos marcham sem glória,
resta-me o nada, o pó do abandono.
Abraço que afaga e logo desfaz-se,
esperança em cinzas, fé em ruína,
o beijo da culpa que arde na pele,
o pecado sem nome que nunca termina.
E se Deus não houver? Se tudo for sonho?
Se a dor for em vão, se o mundo for frio?
Sou sombra sem dono, sou noite sem astro,
cometa perdido no próprio vazio.
Por Evan do Carmo
O CANTO DAS RUÍNAS
Caminho entre escombros,
não de pedras, mas de ideias
que o tempo julgou inúteis,
mas que em mim ainda acendem velas.
Ouço o eco do silêncio
das vozes que não quiseram calar,
perseguidas, vencidas, vencendo
na memória de quem ousa pensar.
Vejo no cinza dos muros
as cores que negaram pintar.
Tantos tentaram impor moldes,
mas o pensamento há de escapar.
Não há grilhão que contenha
a febre de um verso solto.
A mente livre é tempestade
que não se embala no mesmo porto.
Se tudo o que nos resta é o caos,
se viver é administrar abismos,
que ao menos o verbo seja nosso,
mesmo entre os ruídos dos cinismos.
Pois há beleza em ser falho,
em não saber, em não caber.
A arte não é conforto:
é um espinho doce de se ter.
Epifania no Rosto de Uma Mulher
Não sorri.
Respira.
Como se o tempo nela descansasse
e a luz, vencida, ajoelhasse.
Há alvorada em sua pele,
brancura que arde sem queimar,
sombra de flor que não murcha,
sede de quem sabe amar.
Olhos — dois portos antigos
onde o mundo ancorou seus espantos,
e as marés recuam em silêncio
para que ela permaneça intocada.
Sua boca é um poema contido,
um verso que ainda não se escreveu,
mas já vive nos lábios dos anjos
e no suspiro de quem a leu.
Ela não posa: revela.
Ela não chama: acende.
É beleza que não se explica,
é paz que surpreende.
E o poeta, órfão de palavras,
deixa cair sua pena no chão,
porque diante desse rosto
a única resposta é a contemplação.
HELENO
(poema para meu pai)
Não sei se o tempo te levou
ou apenas te escondeu —
num canto do corpo,
num gesto meu.
Tinhas mãos de lavra e mundo,
silêncio denso, olhar profundo,
e uma coragem que não gritava,
mas era chão.
Era chão.
Morreste cedo demais pra mim,
mas deixaste cedo o bastante
pra nunca morrer de todo.
Ficou teu modo de erguer o rosto,
de não baixar os olhos ao medo,
de fazer do pouco
um gesto inteiro.
Tu não sabias de poesia —
mas tinhas verso nos ombros,
rima nos passos,
e um segredo de eternidade
no modo exato de calar.
E eu, que fiquei menino,
fiz da tua ausência
meu templo.
Aprendi a te lembrar
sem fotografia,
a te honrar sem retrato,
a te ouvir
sem som.
Heleno:
nome de força quieta,
de alma que não se despede.
Tu foste antes que eu soubesse
quem eu era —
mas hoje,
tudo em mim te repete
O Ipê-amarelo amarelo brinda
carinhoso a tarde azulejada
pelo tempo aberto sob a benção
do amor e do Universo,
Eu sei que a sua vida agora não
há de ser mais a mesma,
E no mesmo sentido
assim será a minha porque
o amor tem feito a gente
nascer de novo todos os dias.
Desce a tarde como
delicada bailarina
sobre o tempo
fazendo ventania
e espalhando as flores
do esplendente Ipezeiro,
Sobre a urgência
de amor é claro que tenho,
No entanto, não sou eu
que devo dar o primeiro
passo em nome da ordem
das coisas neste mundo
virado de cabeça para baixo.
17/08
Ninguém precisa
ter razão ou opinião
o tempo todo,
Busque se afastar
do confronto
e encontre uma chave
que te leve o seu paraíso secreto.
Metapoesia
A conversa na Via Láctea
entre a Lua, o Sol,
as estrelas e o tempo
pode ser entendida
como poesia para quem
sabe interpretar,
A poesia que é capaz
de falar sobre poesia
é metapoesia a se explicar.
O poeta como súdito
do tempo sabe colocar
tudo no lugar: o Sol, a Lua,
a Chuva e as estrelas
sabendo muito bem ordenar
a memória nos seus poemas,
Assim ele segue guardando
o tempo, a memória
e o sentimento sempre necessário
que venha ser resgatado,
Tudo depende do coração que sente
estando ou não ao lado,
porque lidar com gente
pede jeito, amizade com tempo
e delicadeza com o sentimento.
.
Ver o Butiá-azedo
enfeitar o jardim,
Não ter mais medo
do tempo passar,
Ter você do meu
lado é o meu maior
desejo apaixonado.
O tempo mostra quem é quem,
não há um só que não esteja
atento ao cansativo jogo
de manipulação e total desgaste
daqueles que se perderam
no personagem e carecem
de falta de autenticidade,
e precisam no modo aleatório
inventar mentiras sobre
adversários que não existem
e nem nunca existiram,
ocultando assim a índole algoz,
covarde, perseguidora e atroz,
porque sentem uma inveja
inesgotável da autonomia
e da capacidade criativa
de quem não precisa
assassinar a reputação
de ninguém para se sobressair.
Versos Intimistas escritos
além do humor e do tempo
por todo os lugares,
voltando da boêmia
no meio da madrugada
e se deparando com
ipês-brancos florescidos
poéticos indicando quais
passos que serão dados
para unir os destinos
de dois corações apaixonados.
Há quanto tempo
a gente não se vê
Trouxe meus
Versos Intimistas
e uma muda de Ipê
lá da amada Bahia
de presente para você.
As flores azuis estão
abertas com esplendor
no jardim do tempo,
E nesta tarde aqui
no Centro de Rodeio,
Toda a nossa inspiração
no Médio Vale do Itajaí
sob a Lua Nova serena
com certeza vale
mais de um poema.
31/07
Quando ninguém
se importar contigo,
Busque ocupar
o seu tempo com aquilo
que coloca o seu
pensamento no topo
para que o destino
se encarregue do que
realmente faz sentido.
Não existe nada de errado
comigo ou contigo,
o amor florescerá no tempo
certo como foi previsto
O Ipê-branco-do-cerrado
despontará pleno no meio
do sonetário dos ipês
que está sendo escrito
Com total paz embaladora
e poesia amável e sedutora
para a gente se aproximar
Até as estrelas já sabem
e estão indicando o lugar
onde vamos nos encontrar.
O Ipê-roxo empresta a beleza
para esta tarde que as flores
do tempo foram recolhidas
aqui em Santa Catarina,
e eu encantada devolvo
os meus Versos Intimistas
para que as flores do tempo
me retribuam com mais poesias.
Como é linda a Paraíba
em tempo de floração
do Pau-d'arco-rosa
que com poesia
me empresta os mais
lindos Versos Intimistas
para embelezar os dias
sem flor e sem amor.
Não é preciso dizer uma
só palavra porque eu sei
que ocupo há muito tempo
a sua mente e o coração.
E eu te amo sem te ver
profundamente e quando
falo sobre você soa
sempre doce como canção.
Acreditamos firmes na força
da grande Pátria Austral
sob o Hemisfério Celestial Sul
com os olhos fechados.
Sem estar nos meus braços
sei que nos combinamos
desde de sempre e estamos
interiormente conectados.
Todos os seus mais pequenos
sinais mesmo aqueles que
os mantenho silenciados
ao coração ainda falam cadenciados.
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