Nathara Nones: Colocamos esperanças no tempo como se...

Colocamos esperanças no tempo como se os anos fossem amenizar a dor que nos sufocou por tanto tempo, nos questionamos quando isso vai acabar e vamos deixar de sentir que um dia está tudo bem e no outro nos falta um pedaço rente a carne que não há como suturar.
As cicatrizes ainda doem quando tocadas, voltam as lembranças de um dia que supostamente tivemos o coração preenchido de amor, de carinho, de bondade.Uma história que certifica o real como somente um detalhe nos fazendo ainda ter aquele fio de esperança guardada num baú a sete chaves.
No fundo temos medo de deixar com que ela se vá e carregue um pouco de nós consigo.Mesmo não sendo culpa sua ou minha, são somente as entrelinhas que sempre falam por si só, que reavaliam aquele último momento, aquele toque, aquele olhar.É somente em minha pequena e feliz recordação que sinto minha alma mais leve e com menos carga negativa.
E quando me pego relembrando sinto meu corpo reagir das formas mais estranhas possíveis, essa carga emocional seja em bagagem ou contrabando, as vezes me pesa.E sabe, eu colidi com você. 
Nós podemos pôr a culpa no tempo pelo que você é e pelo que eu sou, mas ele não cura ferimentos nem realiza esquecimentos em nome do amor. O tempo é o que nos resta pra vivermos.
É a crença de que tudo que acontece em um momento pode nos ensinar uma lição, que toda tristeza nessa vida reflete uma alegria que vem na contramão, tão súbito que quase não se vê. 
Já teve tempos de ver você nos lugares onde eu tinha plena certeza que não estava, eu me questionava até onde iria o meu estágio de loucura.E quando a imagem foi aparecendo, ficou mais que claro que deveríamos nos encontrar, tentar conversar, mas o tempo passou, o orgulho exclamou um grito e o medo falou mais alto.
Fica claro que nos entendemos, sem ao menos ver face a face os nossos trejeitos quando abrimos a boca pra falar, é tão óbvio, tão natural que chega a ser espantoso.
E por isso digo que nos reconhecemos, que buscamos uma imagem uma da outra lá de dentro, e quando nos vimos num dia qualquer não havia mais o que explicar, sentimos e foi só.
O quebra cabeças completo sobre a mesa, a nossa imagem em futuras fotos de uma vida inteira a nos encarar. A vida que ainda não conhecíamos, mas que de qualquer maneira insistia em começar.
E sabe, em todas idas e vindas eu aprendi que existe verdade em um clichê, que para aceitar tudo que se ganha é preciso também se perder algo. 

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Inserida por Naahnones