Agatha Prado: OS URUBUS CARNICEIROS CICIANTES À mim...

OS URUBUS CARNICEIROS CICIANTES

À mim é risível a preocupação com os urubus,não eles despertam-me cólera (somente repulsa),mas o poder que as presas dilatam e a aceitação passiva deste como natural predador. Quão absurdo é permitir a dominação dum ser tão vil e hediondo;vaga aqui e alhures em busca de carniça,ou de moribundos,paralíticos da mente que rastejam,para que com suas garras ensanguentadas dilacerem os pequeninos inócuos. Vivem estes últimos circunspectos ao som de seu próprio caminhar,abstêm-se da lascívia ou de qualquer forma de volúpia,temerosos aos urubus ciciantes,receiam a difamação; À eles torturante por serem miúdos e desprotegidos,incertos de si próprios,razão da perniciosidade dos urubus. Porém concomitantemente,fazem-se de urubus para seres inda menores,num ciclo de predação doentio. Sinto que o fado me cutuca em sátira quando mete estes pequenos amedrontados em minhas orlas solitárias,pedindo proteção ou consolo dos sanguinários,e gargalha ele inda mais de mim quando direciona a revoada de ratos voadores - que são estes carniceiros - ao meu redor simpáticos e malandros oferecendo-me aliação e conivência,já com um punhado de carniça em suas garras insistindo minha degustação,como se pudésse suceder minha participação em seu bando sórdido. Ri-me do fadário o lançando uma piscadela,e bati minhas botas no chão espantando a imundície alada; Fazei o mesmo.

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Inserida por AgathaPrado