Agatha Prado: INEBRIEI-ME EM MINHA DEMÊNCIA LASCIVA...

INEBRIEI-ME EM MINHA DEMÊNCIA LASCIVA

Quão voluptuoso é o arremesso no precipício do meu ‘eu’; Assoviar com os canarinhos de plumas azul-celeste que por lá voam um voô irrequieto,emprenhar-me da brisa macia e açucarada da inquietude de minha meditação,responsável por um redemoinho de pensamentos faiscantes;eis meu gáudio. Rasgar e recombinar ideias caricatas,até que possuam feição ridente e exalem erudição em seu bailado rotiforme,inebriar-me em minha demência abstrata e lasciva,fechar meus olhos e sentir a carícia de minha alma acanhada e travessa em forma de vento hesitante. Muito abaixo vejo formigas aflitas pela companhia uma doutras,latejam penosamente seus coraçõezinhos miúdos no ermo,e patinam excitadas buscando esbarrar noutra e friccionar suas patinhas imundas em êxtase. O ignóbil torna-se lastimável com uma pitada de condescendência;não obstante,até agora indago-me a razão de tanta parvoíce,bem como a origem de tanta podridão intelectual e primitivismo,ante o qual tenho enorme desprazer em deparar-me amiúde,quando desço e observo de perto tais seres.

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Inserida por AgathaPrado