Gabriella Beth Invitti: Queria lhe agradecer – queria. “Não...

Queria lhe agradecer – queria.

“Não leve apenas o que foi bom, as coisas ruins também contam, minha querida”. Foi o que ele me disse pela última vez – com sua voz linda que era tão tranqüila que parecia música em meus ouvidos – quando eu lhe disse que havia sido um estúpido comigo e que eu iria esquecê-lo a todo custo. – “Não leve apenas o que foi bom...” – aquelas palavras, naquele momento, me fizeram desabar. Não fazia sentido lembrar-me das coisas ruins... Não fazia sentido lembrar-me dos momentos de humilhação, de brigas, de dor... E ele se foi. Mandou-me algumas palavras uma e outras vezes, ligava-me, pedia-me para não esquecê-lo e depois desaparecia – até lembrar-se novamente que eu existira. Mesmo com todos os seus erros, eu nunca conseguira rejeitar-lhe algumas palavras. Sempre lhe respondia. Sempre lhe ouvia. Sempre suspirara com sua forma doce de agir comigo. Mas nunca me esquecia de tudo que passei – de toda a dor – porque ainda doía. E assim, sempre lhe dava o silêncio quando ele resolvia falar de “nós” – “nós” hoje esta palavra me parece até piada.
Pois bem, ele se foi, para longe deste lugar e de meu coração. Confesso que ainda me lembro – com alegria – dos momentos felizes, e, também dos momentos de tristeza. Pois ele estava certo. E eu tenho que admitir – baixar a guarda pela primeira vez – e aceitar: por mais cafajeste que ele tenha sido, o infeliz estava certo. – “Não leve apenas o que foi bom, as coisas ruins também contam...” – contam mesmo. As coisas ruins lhe servem para, primeiramente, esquecer. E, depois, para aprender.
Aprende que – assumir um relacionamento não é primordial, primordial é senti-lo.
Aprende que – para haver qualquer coisa, seja algo importante ou não, deve haver reciprocidade, deve haver respeito, deve haver sinceridade, deve haver paciência, e, sobretudo deve haver lealdade.
Aprende que – serás e agirás da mesma maneira que gostaria que seu amado agisse contigo.
Aprende que – deves deixar seu amado livre, e ser livre da mesma maneira. Mas que nenhum dos ambos amados deverá confundir a liberdade com libertinagem.
Aprende que – se tu não és exclusiva e não tem prioridade, não há porque tratar a pessoa da mesma forma, e, não há porque continuar.
Aprende que – se for verdadeiro não enjoa, acostuma-se a qualquer rotina – até a da distância e a das regras –, aumenta com o tempo e solidifica-se com cada momento.
Aprende que – o amanhã sempre vem, mas o amanhã é sempre tarde para falar o que se sente agora.
Aprende que – a sinceridade é o fruto do seu amadurecimento, e, que ser sincero exige entrega.
Aprende que – qualquer relacionamento exige entrega.
Aprende que – se não te faz feliz, não é amor.
Aprende que – o amor é bem mais do que alianças no dedo. Que o amor é bem mais do que se pode imaginar, e, aprende que – sem amor, tu não vives de verdade.
As decepções e as vitórias lhe dão maturidade para aceitar as coisas e buscar sempre a sua felicidade. Dão-lhe maturidade para entender o próximo. Dão-lhe maturidade para respeitar o próximo.
Dão-lhe maturidade para perder a paciência para joguinhos e pessoas que não lhe farão bem, para entender que amores de uma noite acabam e que, na maioria, você pode arrepender-se no outro dia. Dão-lhe maturidade para ser sincera e não brincar com os sentimentos alheios.
Dão-lhe maturidade para aprender a esperar, doar, receber, proteger, e, a por um ponto final naquilo que não vai levar-lhe a lugar algum – que não vai acrescentar-lhe nada. Porque o amanhã é incerto, e, não se pode perder tempo com aquilo que não sai do lugar. Senão, a vida passa, as pessoas se vão, e, você vai ficar sentado olhando a vida passar.
Dão-lhe maturidade, sobretudo, para amar e ser amado.
“Não leve apenas o que foi bom, as coisas ruins também contam, minha querida”, eu levo de você todas as coisas boas e ruins, e não sabes como aprendi com você, meu doce e velho melhor-amigo.
Ainda que, a convivência não nos pertença mais, você ainda é o meu primeiro amor. E, te levarei sempre, mesmo que o nosso amor também não pertença mais a meu coração. O amanhã é incerto, e você ensinou-me a não perder tempo, e, amar – simplesmente amar – de verdade, com todas as forças da alma. – “Obrigada!” por fazer-se eterno.

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Inserida por gabiiinvittti