ElcioJose: UM POEMA EM CADA ÁRVORE, A Lágrima...

UM POEMA EM CADA ÁRVORE,

A Lágrima chora

Um poema em cada árvore,
Na lápide de mármore.
Sem defesa, perde o desarme,
Luz acesa grita o alarme.

A lágrima da madeira,
Vira rio, desce a ladeira,
Escorre por ribanceira,
Corre inerte e vira cachoeira.

Das folhas verdes exuberantes,
Oxigênio dos navegantes,
Perde o jogo pros diamantes,
Águas turvas intolerantes.

Adereços da natureza,
Perde o glamour da realeza.
O jantar sem sobremesa.
Queima o pão que vai pra mesa.

Flores e folhas dançam ao vento,
Quiçá a imprensa como instrumento,
Pede guarida os animais,
Nas folhas negras dos jornais,

Em sua caminhada, abandonado,
Sofre no presente como no passado.
Tem ganância e tem matança,
Falta Lei e segurança.

A natureza não reclama,
Mesmo transformada em lama.
Com ela não se brinca,
Pois um dia ela se vinga.

A serra corta na carne, sem dó,
Tudo se esvai, não fica nem o cipó.
Poderosos, sem coração e piedade,
Aos poucos destroem a humanidade.

Pulmão do mundo da esperteza,
Dilacera a natureza.
Erva daninha de tristeza,
Lágrimas perdidas na correnteza.

Em nome do desenvolvimento,
Tem fogo e desmatamento.
Tem pássaros em revoada,
Não tem casa, não tem morada.

É a luta do momento,
Ainda há discernimento.
Poucos lutam pra valer,
Pra não deixar o mundo morrer.

De tristeza, a lágrima chora,
De sede, a fome implora.
Vem nos salvar, Nossa Senhora,
Plantio de sonho. Chegou a hora.

Élcio José Martins

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