Carlos Vieira de Castro: MORTE SÓZINHA Velho passarinho sem eira...

MORTE SÓZINHA Velho passarinho sem eira nem ninho, Passou-te ao lado a luz da sorte. Foste novo, voador e forte, Hoje, como eu, sempre sozinho. Fustiga-te o tem... Frase de Carlos Vieira de Castro.

MORTE SÓZINHA
Velho passarinho sem eira nem ninho,
Passou-te ao lado a luz da sorte.
Foste novo, voador e forte,
Hoje, como eu, sempre sozinho.

Fustiga-te o tempo e não te abrigas,
Pois não vale a pena, vem aí a morte.
Já não tens quem te conforte
E faltam-te as palavras amigas.

Sei que vais nesse canto morrer,
Como um pobre na valeta
À espera do anoitecer.

Já nem a chuva nem a geada
Te fazem mover daí.
Escolheste a morte com enteada.

Soneto de Carlos Vieira de Castro.

1 compartilhamento