Eliane Brum: Eu sentada num banquinho, ela encostada...

Eu sentada num banquinho, ela encostada na pia, esquecida do serviço, acompanhávamos as peripécias da heroína, dia após dia, até o catártico final feliz. Que, por paradoxal que fosse, era também um pouco triste, porque depois dele havia só a nossa vida. E nela, a tristeza, assim como a felicidade, eram mais cinzas. Mas em seguida vinha outra, e podíamos voltar a viver na fabulação, mais do que no real, que não agradava nem a uma, nem a outra.

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Inserida por rodkalenninfe