Latumia.: Vida campestre Frio vento, e eu andando...

Vida campestre

Frio vento, e eu andando a passos lentos, escutando o barulho que meu sapato fazia quando entrava em atrito com aquele monte de cascalhos espalhados pela estrada. Era muito tranquilo, ouvia os pássaros, alguns insetos e o barulho da pequena cachoeira que havia a alguns metros da estrada. Continuei a andar, e fiquei impressionado como tudo acontecia naquele lugar, como era diferente a vida junto à natureza, tudo tão calmo e pacífico.

O sol aquecia minha pele suavemente, sentia o suor sendo refrescado pelo vento da manhã. Ainda caminhando avistei animais, um rebanho pastando o verde capim neblinado, alguns pássaros brancos, possivelmente garças, alimentando-se de insetos que se encontravam no couro do gado. Bem distante vi e ouvi um vaqueiro tocando suas vacas de corte, vacas pretas e brancas, que iriam ser ordenhadas quando chegasse ao curral. E logo pude ver a casa branca, a chaminé estava saindo fumaça, possivelmente a senhora do vaqueiro estava ali preparando o cafezinho, coado no bule de pano, feito no fogão à lenha, aquela incrível simplicidade, sinceramente imaginei como seria o cheirinho daquele café, me deu até uma vontade de fazer uma visita àquela gente, mas não parei, prossegui na caminha.

Já se passavam uns 15 minutos, e eu bem sossegado no meu percurso, quando ouvi: Bom dia!
Olhei para o lado vi um senhor, ele estava com uma camiseta branca, calças pretas e uma botina bem velhinha, furada do lado do dedo mínimo do pé. Logo respondi: Bom dia senhor, tudo bem? E ele respondeu que sim. E logo começamos a conversar, ele estava indo buscar um balde em uma fazenda vizinha, era um sábio senhor, educado e perceptivelmente bem vivido. Falou sobre sua vida na sua pequena chácara que ficava atrás de uma montanha, me mostrou onde era, deveria ser uma bela chácara pelo que ele comentou. Disse que já vivia há muito tempo naquelas terras, e que ali iria morrer, falou de sua esposa e filhos e da felicidade que é a vida no campo, e também sobre a sua experiência que teve em cidade grande, eu percebi que era paulista, e ele me confirmou. Repudiou a vida da cidade, dizia não aguentar tanto barulho, tanta desarmonia entre as pessoas, tenta violência. E por mais ou menos uma hora, falamos sobre muitas coisas até que chegou a uma encruzilhada, onde se despediu e foi cuidar dos seus afazeres e eu continuei reto pela estrada.

O sol estava bem quente, minha camiseta ensopada de suor e eu já um pouco cansado resolvi sentar de baixo de uma grande gameleira que se encontrava próxima a uma represa nas proximidades da estrada de cascalho. Lá cansado, com a respiração a mil, resolvi tirar a camisa joguei sobre a graminha que tinha na extremidade da represa e deitei sobre ela. Ouvi uns pássaros alimentando seus filhotes, que estavam no topo de um galho da grande gameleira. Olhei para a água e vi um casal de patinhos mergulhadores, quando eles me viram logo afundaram, não pude vê-los mais, só restaram às ondas naquela água parada, a represa era bem limpa, águas claras. Fiquei admirado e também com sede, levantei e fui tomar um pouco. A água estava bem gelada, e era boa, gosto bem agradável, tomei e voltei a deitar sobre a camiseta. Lá fechei os olhos, era tão bom, um silêncio surpreendente, e devido estar cansado da caminhada adormeci ali mesmo.

Fiquei ali dormindo há horas. Acordei com fome, estômago nem mais roncava, já gritava suplicando por alimento, resolvi voltar, pois tinha andado muito. Na volta tudo era diferente, parecia que estava passando por um lugar que não era o mesmo por onde tinha vindo. Vi algumas goiabas, pequenas mais bem amarelinhas, resolvi pega-las. Peguei quatro, quando mordi, olhei para ver se era de miolo amarelo ou vermelho, e era vermelho. Estavam bem doces e sem bichos, comi todas, aquele sabor maravilhoso, que só encontraria ali. Comecei o percurso de volta.

Andei, Andei e Andei, logo avistei novamente a casa branca do vaqueiro, que já não saia tanta fumaça da chaminé. As vacas estavam todas próximas da porteira de entrada, uma quando me viu, berrou, e logo as outras olharam, logo comecei a rir sozinho e continuei andando.
E quando estava quase chegando, em um lugar de onde não me recordava de ter saído, assustado acordei com o despertador, e logo percebi que tudo não passava de um mero sonho, que parecia ser incrivelmente real. Latumia(W.J.F.).

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Inserida por Latumia