Faz de Conta Qu eu Acredito
Dos meus sentimentos
Nunca soube falar
E em vários momentos
Não os consegui expressar
Infelizmente creio
Que não conseguirei mudar
Por isso tenho certeza
Que continuarei a me ferrar
Sou um leigo
Na arte de amar
Além de ser péssimo
Na hora de pôr alguém
Escolher me apaixonar .
Hoje acordei
Com vontade de escrever
Apenas por lazer
Sem desejo de me comprometer
Sem querer
Me submeter
A nenhum assunto
Específico
Sendo sincero
Não sei o que quero
Transmitir com meus textos
Não sei se são sentimentos
Pensamentos
Ou lamentos
Mas na moral
Espero nunca chegar
A uma resposta real
Cifra
Como num simples toque, Gerando um singelo som… me encontro em meio a um breve devaneio sob as cordas de um violão.
E neste pouco tempo falando sobre o som, que o próprio vento ecoa… Forma se a melodia! Que faz se do movimento em suas mãos...
Enquanto ao desenvolvimento, a melodia mesmo que tardia, gera em forma de poesia o momento!
E cada corda em sintonia, cada nota em harmonia, diz o real motivo! O temor retraído, a saudade ao relento.
Dentre outros movimentos o dedilhar se perde… e junto a ele vem o sentimento! O entendimento mesmo que por pouco tempo.
De uma nota escondida… ouvida porém não sentida! tocada, escrita, mas nunca redigida!
E em meio a multidão que parece não prestar atenção, nada mais consigo ouvir, além do sol, do lá, do si…
A cada vibração, vem do fundo a noção! Das partes de um inteiro, separadas… esquecidas…
E em mim forma se a empatia! Em forma de utopia! Porém logo vem angústia trazida pela sua avaria…
E agora vai se esvaindo a tal melodia... Pouco a pouco, nota após nota… e das últimas cifras, reduzidas agora a cinzas... Sobram apenas as breves lembranças da sua ousadia...
Enfim o silêncio! Que mesmo ao mais alto som, se faz absoluto…
Percebo então que não estive em mim durante esses minutos...
Volto e revejo… um ambiente agitado, a mesa cheia, o barulho ao meu lado… E eu aqui! Em devaneio, ao o som do seu violão...
Nos encontramos em um ambiente viral! Uma doença generalizada que corrompe e destrói seus hospedeiros. Aqueles que a tem não percebem, e os que não tem, não se importam.
Obra de um dia só
Sob o calor escaldante, mas um perpétuo dia de trabalho...
Ouço o som das marretas, pás, picaretas!
Todas transmitindo um som revigorante! Porém falho...
Pedra a pedra, tijolo a tijolo, formando-se a base da ambiguidade!
O medo desconstruído pela beleza, o contentamento alcançado pela inautenticidade...
Monumentos se erguem momentos, se despedem.
Massa sobre massa, naqueles que se perdem.
A tristeza se forma, mas o sorriso remedeia!
E ao entardecer, quando o expediente termina, ficam apenas as sobras, daquilo que havia de dia…
Em mim só existem dois tipos de amor: o que pratico com quem me ama e o que pratico com quem me odeia. Porque em nome do amor, a reciprocidade é obrigatória.
Troca de favores
Os últimos trapos, sobras de um único retalho. Costurados, costurados, fio a fio, ponto a ponto.
Por conveniência talvez, ou por descaso… substituídos! afinal, não se precisa mais de retalhos!
“O tecido é novo, o tempo é favorável, então sigamos em frente! Costurando agora linho, seda, lã… fazendo um bom trabalho!
E aquelas velhas mãos cheias de calos… porque fazê las sofrer? Coloquemos logo uma galoneira!
Que além de economizar tempo, ganhamos mais!”
Então que sigam! E deixem para trás os tais trapos de renda e cetim. Ainda há quem os queira!
Disso tenho certeza! E as mãos cansadas, também tem salvação!
Pois mesmo acabadas, sempre costuraram! E sempre costurarão!
Carta para um ser humano
Respira a dor, ser humano! Prova tua incontestável virtude perante teus atos!
Mostra que tua calma e paz, se fazem verdadeiras na prática!
Dizer a mentira é fácil! Mentir sobre a realidade é um fato!
Fato esse que todos julgam correto.
Mentir sobre a mentira, girando no eixo de si mesmo. Enganando a si mesmo, roubando de si mesmo, matando a si mesmo.
Então respira! Agora contigo está a ferida. E como arde não é?
Como dói a falta de controle da vida, e como atinge graus tão altos!
Como é ruim não conseguir se mover! Dizer o quão fácil é estar e ser, mas no fim não conseguir exercer.
Então ser humano? Prova tua benevolência! Mostra o quanto és corajoso perante a insuficiência do bem, que mesmo fraco, distorce o mal e se torna fatal.
Mas é real! O fato da fraqueza dos falsos fortes, físicos pela lógica! Porém abstratos pelo sentido!
Não sentido de ser, pois esse não existe… existe apenas o sentir, que reflete concretamente na forma de ir e vir.
Fazer ou não fazer! As prioridades da humanidade!
Sempre mais por menos, sem se importar com igualdade.
Sem sentir o medo para com suas consequências, gerando cada vez mais causas, de desavenças, onde está a eloquência?
Onde estão os que respiram o ar puro de viver? Onde está a lógica de aprisionar a vida em si mesmo até o momento de morrer?
Onde está o sentido, esse falso e idolatrado de ser! Ser feliz!
Ser amado! Mas nunca ser odiado!
Pobre ser humano... tão frágil
E por último, onde está você? Que a todo momento vive em busca do prazer?
Momentâneo ou não, seja qual for, a busca pelo futuro interminável se reflete em terror.
O medo de estar imperfeito a semelhança geral! De não ser aceito como ser pensante, pelo padrão social.
Apenas como coadjuvante, que segue o caminho do caos.
Então a todos os seres humanos que respiram neste momento, peço um segundo de atenção!
Enquanto respiram tenham em mente que o mundo gira, a vida começa e termina e a morte predomina.
Então que se vá a última melodia com o vento!
Que se mostre imparcial a cada momento!
Porém que seja firme, e em bom tom, para que se tenha entendimento...
Pobre burro… não conseguia mais mover-se, estava exausto! Quanta carga já havia trazido e levado? Seu montador, dono do chicote, desceu então da montaria! Olhou para o pobre burro, e perguntou-lhe:
-Porque parou? Ainda não chegamos! Temos muito pela frente, seu trabalho é andar! E fazer da carga sua vontade!
Mas o burro não obedecia… como poderia? Cansado e faminto a dias… Seu montador então desistiu!
-Se não tens capacidade para completar a caminhada, não tens então porque continuar vivo!
De longe ouviu-se o som do sacrifício. O chicote e a carga, agora eram somente lembranças da insistência do animal! Mas assim foi, e melhor foi...
Todos adoram falar sobre penalizações, leis, julgamentos! Mas seria eloquente, se os mesmos que vos falam, agissem com tal concordância!
