Eu sou aquilo que Perdi Fernando Pessoa
A madrugada tem levado
o Ipê-ouro para brincar
de roda com a ventania,
Assim sou eu a inspiração,
o amor, a paixão e a poesia.
Deste animado Reisado
sou eu a sua Rainha
e você é o meu Rei amado,
Somos um só corpo,
um só espírito e um
coração apaixonado,
Não há mais como
viver desgrudados,
Nascemos para viver
sempre e nem colados.
Eu sou o seu mar,
para compreender
é preciso saber
nadar, estar em dia
com a tua carteira
de arrais e saber
que a tua carta
de navegação,
é mais a sua poesia
do que a minha,
Você como marujo
conhece a direção
das correntes,
E não importa por
onde você decidir
navegar a sua intuição
sabe que irá me encontrar,
porque passar nunca
vou passar porque eu sou
inevitavelmente o seu mar.
A aurora vespertina beija
as flores do Jacarandá-rosa,
Sou eu o seu porto de paz
e não há nada que te distraia
para do nosso destino jamais,
Em ti não apenas fiz uma casa,
e sim estabeleci amorosa Pátria.
Eu sou filha orgulhosa
da nossa Amazônia Azul
deste Atlântico Sul
onde está sagrada
a minha absoluta poesia
pela rota infinita
dos povos do Sul Global
que me ilumina e guia.
Dança o Jacarandá-do-litoral
com a sinfônica ventania,
Você sabe que eu sou
o ar que você respira,
A tal mulher misteriosa
sonhada com olhos abertos
e feita totalmente de poesia.
Sou eu que fotografo
as artes da minha Mãe
como quem colhe frutas
no pomar do Universo
neste nosso Hemisfério,
e no meio de tantas artes
é a poesia o meu caminho certo.
Eu sou brasileira
o chá que bebo é
o chá dos povos,
o chá do pajé,
o chá do quilombola,
o chá da imigração,
o chá da rezadeira
benzido de coração.
Sinto neste madrugada
profunda que sou eu
aquela que te ocupa
absoluta no seu silêncio,
De mim já não há mais
nenhum regresso,
Sou como as Ibirapirangas
com sementes espalhadas
pelo caminho, o seu plano
ambicioso e desejo íntimo derramando e amoroso.
Quando as correntes
do oceano carregam
as intenções eu sou
como os afetos nas areias
dando vida novamente
para outros poemas.
O exagero poético
me licencia em
dizer que eu
sou os olhos,
a fisionomia
e o físico
exaustos
do General
que já deveria
ter sido pela
justiça libertado.
Não consigo cair
na conformação
daqueles que
dizem que poucos
são capazes de
sair dessa prisão.
Não pertenço
aos vis que
espalham fel,
tecem ardis
e desejam
transferir uma
responsabilidade
estatal para
a individual,
em detrimento
de um um passado
relativamente
distante que
insistem
os caluniadores
em dizer que
assim aconteceu,
o mais curioso
é que eles
nem rostos têm.
Porque bom senso
e espírito de justiça
não me faltam,
e não deixo faltar,
num mundo onde
as pessoas só pensam
em lucrar e se vingar.
Em letras claras
não posso deixar
de ao mundo falar
que o General não
está sendo punido
por atos do ofício
do passado,
mas porque não
deteve o ímpeto
de discordar
com o justo, humano
e necessário que
muitos por covardia
vivem a se calar
e outros vantagens
infaustas a buscar.
Eu sei bem
quem eu sou,
e que em dias
normais quem
veste calças
escreve poesias
para inquietar
e em outros dias
quem veste saias
escreve poesias
para perturbar.
Quem possui
pensamentos
de libertação,
quem é poeta
não é liderado,
me leve a sério:
o autoritarismo
mora ao lado.
Quem nasceu
herdeiro de um
vero legado,
sabendo que há
prisões politicas,
jamais seguirá
em frente e calado.
Poetisa Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
assim eu sempre sou,
do Norte até o meu Sul,
de Leste só Oeste,
Escrevo para fazer
da rotina algo que preste.
Não apenas escrevo
frases para redes sociais,
Eu sou poetisa que
escreve poesia contemporânea
para quem sente demais,
e não quer fazer da vida
um tanto fez ou tanto faz.
Não sou a favor da violência,
eu sou a favor a tapas poéticos
que alcançam direto a consciência.
Se você não viu o míssil que explodiu
o Shopping em Kremenchuk,
a câmera da fábrica e muita gente viu.
Não foi um gesto de boa vontade
abandonar a Ilha da Cobra,
afinal a Ilha não te pertence.
Se o teu entendimento a cada
recuo é encarado como gesto
de boa vontade volte para a sua casa.
Não é da arte da política querer
se impôr por meio da guerra,
e sim buscar sempre convencer.
Você usou mal a arte da política
e o teu tempo será encurtado
e colocado numa situação crítica.
Não é da arte da guerra invadir
outra terra: quem convenceu
o contrário não passa de besta fera.
Nunca será da arte de qualquer
religião não fazer um exame
de consciência e para gente como
você não haverá na vida clemência.
Nunca será de todas estas artes
agir sem estado de ampla consciência,
retire as tropas de uma vez não prolongue a sua vergonha,
e pare de gastar toda a paciência.
Não me peça
conselhos de amor,
Por favor, não insista,
eu apenas sou poetisa,
E poetas não sabem dar
conselhos de amor;
Todo o poeta só sabe
nesta vida é viajar.
Eu sou poetisa,
e conselhos de amor
eu não sei dar;
Tenho a minha própria
vida para cuidar,
E no amor do outro
ninguém deve se meter.
Uma coisa certa
posso te aconselhar:
Sempre que invejar
o amor do outro,
Você pode perder
a chance de perceber
o teu amor chegar.
Eu sou o poema
da dupla fronteira
venezuelana e brasileira,
E de todos os povos
originários do continente.
Poesia oculta feita de vários
livros nas estantes das bibliotecas,
Assim sou eu a abrir caminhos
para todas as descobertas.
Por mais que fechem ou queimem
sempre serei aquele livro
que ao reaparecer iluminará alguém
quando menos esperarem.
Porque silenciosa de vários livros jamais serei rebelião controlada,
Podem me fechar ou queimar,
que sempre haverá alguma escapada.
