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Fernando Kabral

Fernando Kabral

Tem gestos que não cabem em agradecimento rápido nem em frase curta. Eles pedem tempo para a gente entender o tamanho real do que aconteceu.

Nesses dias, eu recebi um presente que, para a minha realidade, é grande. Não pelo luxo, não por aparência, mas porque está completamente fora das minhas possibilidades financeiras. Foi uma reforma simples, feita em um único dia, em um ambiente pequeno, já que se trata de um kitnet. Ainda assim, só a mão de obra custou R$ 400, fora as tintas, as massas e outros materiais, todos pagos à parte. Para quem vive apertado, para quem vive numa corda bamba financeira, isso é caro. É um valor que eu jamais teria condições de pagar.

Moro neste kitnet há quase 12 anos e é a primeira vez que ele está sendo reformado. É nesse contexto que a gente entende o tamanho do gesto. Tinha mesmo que ser um presente. Um presentão. Fiquei super feliz.
Esse presente é para poucos e me dá um certo orgulho.

"É reconhecimento pelo meu trabalho, e isso importa. Através dele pude me aproximar de tantas companheiras e companheiros, e é nessa convivência que cada um se sente representado."

Não é sobre luxo, é sobre dignidade. É sobre alguém olhar para o que você faz e dizer: eu vi, eu reconheço.
Há cerca de dois anos e meio, quando eu consegui um freelancer na internet, eu estava com um celular muito velho, que já não dava conta do que eu precisava fazer. Naquela época fui agraciado, as pessoas se juntaram, fizeram uma vaquinha, cada um como pôde, e deu para comprar o celular que eu uso até hoje. Foi mais do que um aparelho. Foi uma ferramenta de trabalho e de sobrevivência.

É com esse celular que eu trabalho até hoje. Ganho trocado com ele, faço comunicação artesanal em rede na base e educação virtual. Muitas vezes faço isso como parte de uma corrente do bem, onde uns produzem, outros compartilham, a gente se fortalece, se comunica na rede e segue adiante. É essa troca que nos mantém vivos e é isso que nos faz diferentes.

Esse trabalho me possibilitou, ao longo desses quase 10 anos, conhecer pessoas, construir vínculos e caminhar junto. Isso é conquista. O reconhecimento que veio ao longo desse período não é pequeno. Ele tem peso, tem história e tem memória. E é por isso que eu fico profundamente agradecido.

Para quem passou o Natal e o Ano Novo literalmente socado dentro de casa, liso porque liso dorme, esses gestos ganham ainda mais peso. Eles surgem em momentos nos quais aprendemos a valorizar o essencial e a reconhecer todas e todos que, mesmo em silêncio, se importam.

Hoje o celular já é considerado velho, mas ainda funciona muito bem. Ainda aguenta o tranco. E agora, com a inteligência artificial empurrando o carro, ele segue rodando, mostrando que não é sobre ter o melhor equipamento, mas sobre não desistir do caminho.
Quando faço essas comparações, não é para expor nada, nem para criar espetáculo. É só para dizer, com honestidade, que existem coisas que não conseguimos sozinhos. E quando alguém estende a mão de forma concreta, isso tem um peso enorme.
Deixo aqui minha gratidão sincera à pessoa que tornou isso possível e a tantas e tantos que, ao longo do caminho, caminharam comigo. Gratidão que não precisa de rótulo, nem de exposição. É palavra dita dentro de casa, entre irmãos e companheiros.
Esse conteúdo não é para publicação em rede. É uma fala pessoal, compartilhada apenas nos grupos dos quais eu vivo e convivo, onde me sinto representado: o grupo do PT Olinda e o grupo do Comitê Popular pela Democracia de Olinda. São quase 10 anos de caminhada, de troca, de afeto e de luta coletiva.

Estamos no início de 2026.
Um ano que certamente vai nos exigir atenção, firmeza e união.
Que a gente caminhe juntos e juntas, fortalecidos, sem soltar a mão de ninguém.
Feliz ano novo a todas e todos.

Hoje é dia 7 de janeiro de 2026, 16:00.

Fernando Kabral

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Foi nesse contexto que eu nasci.


Dois dos meus irmãos passaram a rodar a cidade de Olinda, indo de casa em casa, durante toda a vida. Eu sempre soube da existência deles, mas nunca os conheci pessoalmente, porque a minha avó não permitia que eu tivesse contato. Eu era impedido de conviver com eles.


Fui criado dentro de uma casa fechada. Não tinha acesso à rua, não tinha acesso à convivência. Era assim a cultura da época. Uma espécie de prisão. Muitas vezes eu ficava trancado dentro de um quarto escuro, principalmente por eu ser um menino muito elétrico.


Os castigos eram constantes. Começavam em casa e continuavam na escola. Muitos deles envolviam ficar de joelhos sobre caroços de feijão. Foram muitas violências físicas e emocionais, que hoje eu reconheço como torturas.


Eu só vim conhecer o que era infância perto dos meus 15 anos, quando fui para o Rio de Janeiro. Nesse período, minha própria avó já não me aguentava mais. Eu havia entrado em um processo de rebeldia que fugia completamente ao controle que ela tentava exercer sobre mim, inclusive por meio da religião.


O primeiro livro que eu li na vida, e do qual jamais vou esquecer, foi “A Verdade que Conduz à Vida Eterna”. A partir dali, comecei a me questionar profundamente. Que Deus é esse que permite que crianças sejam mantidas trancadas, sofrendo, enquanto adultos observam calados? Que Deus é esse que convive com hipocrisia e com abusos, inclusive abusos sexuais contra crianças, praticados por pessoas próximas, muitas vezes ligadas ao ambiente religioso, em quem minha avó confiava cegamente?


Nada disso se apaga. Não adianta tentar suavizar. Nada muda a dor que senti naquele momento e a dor que ainda sinto hoje. É por isso que, em muitos momentos da minha vida, eu só consegui dizer: mundo, afasta de mim esse cálice.


Dando continuidade, meu irmão Joel, o mais novo, que tinha apenas 40 dias de nascido quando ficou trancado naquela casa, foi criado pela minha avó paterna, mãe do meu pai. Eu fui criado pela minha avó materna, mãe da minha mãe. Cada um de nós seguiu um caminho separado.


Eu só fui entender, de fato, o que era família por volta dos 15 anos. Foi quando saí de Olinda e fui para o Rio de Janeiro. Lá encontrei uma estrutura familiar diferente, já formada. Foi ali que ganhei mais dois irmãos, do segundo e verdadeiro casamento da minha mãe.


Esse homem, companheiro da minha mãe até os últimos dias da vida dela, tem todo o meu respeito. Ele cuidou não apenas dos filhos dele, mas também de dois filhos que não eram biologicamente dele, mas eram filhos dela. Foi ali que eu vi, pela primeira vez, um cuidado real.


Minha mãe só voltou a ter contato com os filhos que moravam em São Paulo quando eu fui para lá, depois do período no Rio de Janeiro. Fui eu quem trouxe esses irmãos para ela reencontrar. De tão distante que tudo tinha ficado, ela já nem lembrava mais como esses meninos eram.


É desse lugar que eu falo quando falo de rejeição. Não é teoria. É história vivida.


Fernando Kabral


7 de janeiro de 2026
9:58


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Professora Jacy,


Eu queria lhe explicar com calma uma coisa que, para muita gente, parece exagero quando a pessoa fala, mas é real: o sentimento de rejeição não nasce do nada. Ele pode começar muito cedo, antes mesmo da gente entender o mundo.


Na década de 60, o mundo girava de outra forma. Existia uma cultura muito dura com as mulheres e com as crianças. Muitas famílias viviam na pobreza extrema, sem apoio, sem orientação, sem saúde emocional, sem planejamento familiar. Muita gente tinha filhos em sequência, no automático, porque era assim que se vivia. E criança, naquela época, muitas vezes não era vista como sujeito, como pessoa com necessidade de cuidado e proteção. Era só “mais uma boca”, e pronto.


Quando uma criança nasce dentro de um ambiente de briga constante, abandono, desestrutura, medo e falta de afeto, ela cresce sentindo que não tem lugar. Às vezes nem precisa alguém dizer “eu não te quero”. A rejeição se forma pelo clima: silêncio, ausência, descuido, humilhação, falta de acolhimento, falta de segurança.


No meu caso, a história familiar começou com conflitos graves entre meus pais. Ainda no ventre, eu já estava dentro de uma casa sem paz, sem estrutura emocional. Depois disso, veio um período de abandono e separação. Eu cresci com marcas dessa desorganização familiar, e isso mexe com a cabeça e com o coração de qualquer criança.


E tem outro ponto importante: quando uma criança é criada por alguém que não tem preparo emocional, ou que vê a criança mais como obrigação, ou como alguém para “servir” dentro de casa, essa criança aprende cedo que o amor é condicionado. Ela aprende que precisa ser útil para merecer presença, comida, atenção, carinho. E isso é um tipo de rejeição também. Porque a criança entende que, se ela não for “boa” ou “útil”, ela não vale nada.


Então, professora, quando eu digo “me senti rejeitado”, eu não estou falando só de um momento específico. Eu estou falando de uma construção. É como uma ferida que vai sendo alimentada com o tempo: abandono, desatenção, falta de colo, falta de escuta, falta de segurança, falta de carinho. E depois, na vida adulta, a pessoa vira alguém que tenta compensar isso do jeito que dá: trabalhando demais, buscando aprovação, se doando, se cobrando, se sentindo sempre “a menos”, mesmo quando está fazendo o melhor.


Eu quis lhe explicar isso porque eu confio na senhora e eu respeito sua sensibilidade. Eu não estou pedindo pena, nem justificando nada. Eu só estou mostrando o contexto para a senhora entender como certas dores não começam na fase adulta. Elas vêm de muito antes, lá de trás.


Obrigado por me ouvir.
Fernando Kabral




7 de janeiro de 2026


9:35

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Sobre Meninos e Lobos é um filme que não se limita a contar uma história policial, ele abre feridas e expõe silêncios, e ao assistir senti como se estivesse diante de algo que não se conclui, como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés, porque a trama de três amigos de infância marcados por um trauma e reunidos novamente pelo assassinato da filha de um deles não termina com justiça ou redenção, termina com silêncio e omissão, e esse silêncio me trouxe de volta lembranças da minha própria infância, de tempos em que a sociedade preferia calar diante da dor, em que todos sabiam mas ninguém dizia nada, e talvez seja por isso que o filme provoca tanto desconforto, porque ele mostra que o passado não desaparece, apenas retorna em novas formas, e ao mesmo tempo que acompanhamos Jimmy, Sean e Dave tentando lidar com seus fantasmas, nós também somos obrigados a encarar os nossos, e é nesse ponto que a obra se torna mais do que cinema, se torna um espelho, um convite à reflexão, uma experiência que deixa marcas, e por isso acredito que outras pessoas deveriam assistir, não para encontrar respostas fáceis, mas para sentir esse impacto, esse vazio que nos obriga a pensar sobre justiça, memória e hipocrisia social, porque Sobre Meninos e Lobos não fecha portas, ele abre, e quem se permitir atravessar vai sair diferente, talvez sem chão, mas com muito para refletir.


Fernando kabral



Olinda 15 de novembro de 2025

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⁠MÃES QUE ME FORMARAM

Eu venho de um mundo diferente.
Um mundo em que o que eu mais tive, desde muito novo, foi mãe.
Mãe não só no sentido do sangue — mas no sentido do cuidado, da bronca, da atenção.
Apanhei na escola, da diretora, da madrinha, da vizinha.
Na minha época, a gente apanhava tanto que o que mais tinha era mãe.
Era porrada misturada com afeto — ou, pelo menos, com o que entendiam por amor naquele tempo.

Minha mãe de sangue sempre viveu no Sudeste, no Rio de Janeiro.
E eu cresci no Sítio Novo, em Olinda.
Dois mundos separados por quilômetros e por silêncios.
Fui conhecê-la de verdade já quase aos 15 anos.
E mesmo assim, foi uma passagem rápida —
a vida logo nos colocou em direções diferentes.

Saí de casa muito cedo, com os trapos na sacola, e fui girar o mundo.
Nesse giro, encontrei muitas mães:
as que me deram teto, comida, um conselho, uma bronca, um colo, um olhar.
Algumas já nem lembro o nome.
Mas levo um pedaço de cada uma dentro de mim.

Essas mulheres me ensinaram a me virar, a respeitar o outro,
a ser homem sem ferir ninguém.
Foram todas mães à sua maneira —
e todas ajudaram a compor quem eu sou hoje.

Por isso, nesse Dia das Mães, minha homenagem vai pra todas elas:
as que me pariram e as que me pariram de outras formas.
Meu muito obrigado por terem me acolhido no mundo quando o mundo parecia não ter lugar pra mim.

Fernando Kabral
Olinda, 11 de maio de 2025. 13h32

⁠Oi, companheira Iolanda.

Esse é um assunto constrangedor para mim, especialmente pelo grande carinho e admiração que tenho por você.

Durante nossa conversa hoje, acabei passando meu CPF, mesmo sem estar totalmente à vontade. Agora, ao perceber com mais clareza o seu vínculo com uma candidatura que não me representa, me sinto na obrigação de te pedir — com todo respeito — que não utilize meu nome ou meu CPF em nenhuma composição ligada a essa chapa.

Faço isso para evitar qualquer mal-entendido ou constrangimento entre nós, porque valorizo muito a relação de respeito que construímos.
Pode ter certeza: o carinho e a admiração por você permanecem.

Obrigado,
Fernando Kabral
Olinda, 03 de maio de 2025 - 00:44

⁠Minha Luta é Meu Legado

Saí de casa muito cedo, com os trapos na minha sacola, como na música de Zé Geraldo. A vida me levou para longe de Olinda aos 14 anos. Fui para o Rio de Janeiro para conhecer minha mãe e, depois, segui para São Paulo, onde conheci meu pai e meus irmãos. Mas não nos adaptamos, porque éramos apenas conhecidos sanguíneos, sem laços familiares.

Peguei meus trapos, joguei na sacola e fui rodar o Brasil inteiro, vivendo da minha arte, fazendo teatro e apresentações públicas. Era disso que vivíamos. Éramos felizes, éramos livres.

Foi nessa época que ouvimos falar de um homem em São Bernardo do Campo que reunia multidões com suas palavras. Juntamos uma galera e fomos conhecê-lo: era o Lula, o então "sapo barbudo" Como dizia o imortal Leonel Brizola. Suas palavras eram de uma força fenomenal, que nos transformou em guerreiros e seguidores. E assim, nos tornamos de esquerda, sem nem mesmo saber o que isso significava.

O contato com o governo de Luiza Erundina em São Paulo, nos anos 90 mudou minha vida. Fiz diversos cursos oferecidos pelo Estado, conheci pessoas que me levaram para o jornalismo, onde trabalhei como colaborador e desenvolvi amor pela área de comunicação. Ainda durante os anos 90, rodei boa parte do Brasil, sempre Sul e Sudeste, como correspondente colaborador de jornal, e há época era de papel, vivendo de meu próprio esforço e dedicação, conheci vários PT's pelo Brasil afora.

Sempre fui uma vírgula no processo político partidário do Partido dos Trabalhadores. Nunca busquei cargos nem privilégios. A minha luta é por ideais e causas, pela construção de uma consciência livre e por um sonho socialista. Meu respeito por lideranças como Leonel Brizola, Dilma Rousseff, Luiza Erundina, Lula e Tereza Leitão é quase celestial. Essas pessoas transformaram minha vida e moldaram meu entendimento político e social.

Tereza Leitão já acompanho sua trajetória desde os anos em que morei em São Paulo, ainda no governo de Luiza Erundina. Tenho uma admiração profunda por mulheres na política como ela, Luiza Erundina E tantas outras, que politicamente fazem parte da minha vida. Claro, que nesse contexto Marta Suplicy é um caso à parte, que tanto nos decepcionou. Em minha chegada de volta a Olinda, nossos caminhos se cruzaram novamente através da companheira Donana 🫶🏻, por quem tenho grande admiração. E assim seguimos caminhando até hoje.

Nunca quis ser candidato a nada. Sempre apoiei aqueles e principalmente aquelas, que me representam ou representam no campo político partidário dos grupos que convivo. Talvez por isso eu me sinta fora do eixo do PT em muitos aspectos. Mas a minha luta é clara e transparente: lutar pelo coletivo, construir um mundo mais justo e digno.

Respondendo ao companheiro Roberto Mardônio que, de certa forma, estimulou-me a produzir esse conteúdo:

Sinceramente, ao longo da minha vida, nunca me preocupei com o que pensam de mim. Eu me preocupo, sim, com o que eu sou e com a forma como eu atuo no campo político. Minha defesa das lideranças que admiro é quase idolátrico, assim como a dedicação às causas pelas quais milito. Esse é o meu legado. Militantes que se entregam à luta de corpo e alma muitas vezes são vistos como "cri-cri" ou "chatos". Mas eu prefiro carregar esses rótulos do que me afastar daquilo em que acredito.

Fernando Kabral - 02/04/2025 às 12:04

E obrigado TED, por me ajudar brilhantemente a compor esse texto.

"A Grande Manipulação: A Direita e a Extrema Direita em Ação"

Não é surpresa para ninguém que, ao longo desses anos – 10, 20, talvez até mais – vivi imerso nesse mundo digital. Eu costumo brincar que sou conectado 30 horas por dia, já que durmo e acordo plugado, sem nem precisar daquele cabozinho estilo Matrix. 🤣🤣🤣Mas, de qualquer forma, é preciso reconhecer, e com isso, tirar o chapéu para a estratégia da direita. Parabéns, direita! Parabéns, extrema direita! Não apenas no âmbito municipal, mas também no estadual, federal e mundial, esses caras realmente sabem o que estão fazendo.

Nos últimos 20 anos, observei como os cinemas se transformaram em igrejas, e como residências se tornaram "puxadinhos evangélicos", verdadeiros partidos políticos dentro dos lares. A estratégia da direita para dominar o planeta é, sem dúvida, fantástica, e é algo que, como militante de esquerda há mais de 40 anos, tenho que parabenizar. E ao longo desses anos todos, pude testemunhar como a direita e a extrema direita são mestres na manipulação, principalmente nas redes sociais. Não há um único dia em que eu não aplauda, mesmo sendo de um time oposto. O trabalho deles é eficaz, e nada pode ser mais impressionante.

Como parte de mais de 150 grupos nas redes sociais – entre Discord, Telegram, Instagram, Facebook e outros – onde sou administrador de alguns, vejo de perto como a direita e a extrema direita têm a capacidade de manipular o campo da esquerda. Se você parar para observar, os militantes de esquerda, em sua maioria, acabam sendo conduzidos pela pauta da direita e da extrema direita. É verdade, a manipulação é clara. A quantidade de vezes que o ex-presidente, hoje inelegível, é discutida em nossos grupos é absurdamente maior do que os feitos do próprio presidente Lula, o maior líder mundial vivo.

E o mais curioso? A pauta da direita, da extrema direita, e do fundamentalismo religioso, estão sendo espalhadas nos nossos próprios grupos de esquerda, enquanto as pautas da esquerda – aquelas que deveriam ser a prioridade – parecem estar se tornando um eco distante. Em muitos desses grupos, em vez de fortalecer as ideias de progresso e de luta, vemos os militantes da esquerda dando espaço a discussões sobre temas que deveriam ser combatidos. O ex-presidente inelegível e as pautas da direita estão mais presentes do que nunca, ao ponto de nos fazer parecer mais um suporte para as falas da oposição do que uma voz de resistência.

É irônico, mas é preciso reconhecer: a direita tem feito um trabalho tão eficaz que até nós, militantes de esquerda, estamos cada vez mais dando palco aos discursos que, em teoria, deveríamos combater. Como se estivéssemos constantemente lutando contra dois inimigos: a direita e a extrema direita, mas também contra aqueles que, teoricamente, deveriam estar ao nosso lado na batalha pelo que é justo. A presença de postagens, vídeos e piadas, que fazem alusão a figuras da extrema direita, está se tornando uma constante, até mesmo em nossos espaços partidários.

Então, é hora de dar os parabéns, sim, à direita e à extrema direita, pela maneira impecável como conseguem manipular e conduzir os militantes de esquerda, fazendo com que as pautas da oposição ganhem força dentro do nosso próprio campo. A manipulação é tamanha que, ao invés de nos focarmos em nossa luta, acabamos sendo usados como massa de manobra para legitimar aquilo que lutamos contra. E quem mais está ganhando com isso? Claro, a extrema direita, o fundamentalismo religioso e todos aqueles que se beneficiam dessa divisão.

A luta interna dentro dos nossos próprios grupos, que deveria ser um espaço de união e de debate construtivo, tem se transformado em um campo de batalha onde nos vemos consumidos pelo jogo da direita. De certa forma, estamos sendo derrotados pelas nossas próprias mãos, ao dar espaço para aquilo que tanto criticamos. E quem são os culpados por isso? Todos nós que permitimos que essa estratégia tivesse êxito. Parabéns, direita, parabéns, extrema direita, parabéns, fundamentalismo religioso.

Fernando Kabral militante político partidário do PT
9 de março de 2025 13:52

⁠O TRABALHO INVISÍVEL, MAS ESSENCIAL: COMO A PRODUÇÃO DE CONTEÚDO MANTÉM A ORQUESTRA TOM MAIOR VIVA NO MUNDO DIGITAL

Vivemos em um mundo onde a presença online é tão importante quanto a presença física. Mas quem faz isso acontecer? Quem garante que artistas, projetos culturais e empresas sejam vistos, lembrados e valorizados na internet? Esse é o trabalho do produtor de conteúdo digital, uma função que exige estratégia, constância e muita dedicação.

Desde o dia 4 de janeiro até 4 de março, o trabalho digital da Orquestra Tom Maior foi levado a um novo patamar. 30 horas por dia (sim, porque até quando o cliente dormia, o trabalho continuava!), estivemos conectados, garantindo que a presença digital da orquestra, do maestro e do Espaço Cultural Social Tom Maior – um espaço físico localizado no bairro de Águazinha – fosse sempre ativa e profissional.

O QUE FAZ UM PRODUTOR DE CONTEÚDO DIGITAL?

Muita gente acha que gerenciar redes sociais é apenas "postar fotos e vídeos". Mas a verdade é bem diferente. Por trás de cada publicação, há um processo detalhado de criação, análise e estratégia. Aqui está um resumo do que acontece nos bastidores:

1. CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DIGITAL

O Maestro Cebolinha não é apenas uma pessoa física, mas um personagem criado para atuar no mundo comercial da música. Isso significa que sua imagem precisa ser gerida de forma profissional e estratégica.

Criamos 12 plataformas digitais, cada uma com uma abordagem diferente, para garantir que seu trabalho como músico e maestro seja visto pelo maior número de pessoas.

2. DIVULGAÇÃO DA ORQUESTRA TOM MAIOR

A Orquestra não pode existir apenas no mundo físico. Para ser contratada, ela precisa ser vista, comentada e compartilhada.

Cada apresentação é capturada, editada e promovida online para criar engajamento e atrair novos shows.

3. ESPAÇO CULTURAL SOCIAL TOM MAIOR

O Espaço Cultural Social Tom Maior – um espaço físico localizado no bairro de Águazinha – realiza trabalhos sociais e culturais, que também precisam de visibilidade.

Isso envolve cobertura de eventos, contato com advogados parceiros e divulgação de ações beneficentes.

O TRABALHO NÃO PARA!

Diferente de outras profissões, a produção de conteúdo não tem horário fixo. Nosso trabalho vai além do evento presencial:

Antes do evento: Criamos expectativas, divulgamos informações e chamamos o público.

Durante o evento: Coletamos fotos, vídeos e histórias para serem trabalhadas depois.

Depois do evento: Editamos, postamos e acompanhamos a repercussão, interagindo com o público.


Tudo isso requer dedicação constante. Enquanto os músicos param de tocar ao fim da apresentação, o trabalho digital continua.

O RECONHECIMENTO DO TRABALHO DIGITAL

Ainda há quem acredite que o trabalho digital pode ser "feito por qualquer pessoa". Mas a realidade é que sem um profissional dedicado, a orquestra e o Espaço Cultural Social Tom Maior – um espaço físico localizado no bairro de Águazinha – não teriam a mesma presença e impacto na internet.

Além disso, a questão financeira precisa ser transparente. Em um acordo de cavalheiros, um acordo verbal prometeu um pagamento por evento, mas essa parte parece não ter sido cumprida corretamente. Estive todo o tempo à frente e à disposição de toda a comunicação, não só do maestro Cebolinha, da orquestra, mas também do Espaço Cultural Social Tom Maior, interna e externamente. Enquanto isso, o trabalho digital seguiu ininterrupto por dois meses, sem pausas, sem finais de semana, sem limites de horário.

O PAPEL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Outro diferencial do nosso trabalho é o uso da inteligência artificial. Enquanto muitos produtores de conteúdo trabalham sozinhos, temos a sorte de contar com tecnologia avançada para otimizar tarefas, gerar textos, criar imagens e estruturar campanhas. Isso nos permitiu entregar ainda mais qualidade e eficiência.

CONCLUSÃO: O DIGITAL É ESSENCIAL!

O mundo digital não é um “extra”, não é um detalhe. É o que mantém a imagem de um artista ou projeto viva, ativa e valorizada. Sem esse trabalho, não há público, não há engajamento, não há crescimento.

O reconhecimento desse esforço é fundamental. Afinal, enquanto muitos dormem, o trabalho digital segue acordado, garantindo que tudo continue funcionando.

Olinda, oito de março de 2025

Fernando Kabral
Social Mídia

HASHTAGS

#orquestratommaior #espacoculturalsocialtommaior #músicanarede #comunicação #trabalhodigital #inteligênciaartificial #fernandokabral

⁠Então, professora Jane, o problema não está no conteúdo do texto, mas sim na forma como ele foi compartilhado. Acho que a situação precisa ser explicada de forma cuidadosa, porque a senhora é uma professora, e não quero que minha fala soe de forma brusca. O que aconteceu é o seguinte: você postou o texto sem dar a origem a ele de forma clara.

Eu entendo a importância do que a senhora escreveu, e por isso gostaria de sugerir que, para garantir que sua mensagem chegue intacta, sem alterações de interpretação ou formatação, o texto seja sempre publicado em sua própria rede social, ou em algum site de sua confiança, como o site O Pensador. Isso porque, na rede, para que possamos compartilhar seu conteúdo de maneira segura e respeitosa, precisamos do link original.

Esse link, professora, é nossa autorização jurídica para divulgar o conteúdo. Ele mantém a autenticidade do que a senhora escreveu, com todas as palavras, vírgulas e até as possíveis imperfeições que fazem parte da sua escrita no momento em que ela foi concebida. O que importa aqui é manter a essência do que a senhora quis dizer, e, para isso, precisamos ter a garantia de que o conteúdo original não será distorcido.

O link serve para garantir que qualquer compartilhamento, por mais que seja feito por diferentes pessoas, remeta sempre ao conteúdo original. Isso impede que a sua mensagem seja alterada ao longo do caminho. Porque, sem um link, não temos como controlar a origem do texto, e ele pode ser reescrito e reinterpretado por outros de maneiras que não correspondem ao seu pensamento inicial.

Portanto, a minha sugestão é: publique o texto em um lugar seguro, como o site O Pensador, onde sua autoria e a data de criação estarão registradas. Depois, basta compartilhar o link de onde o texto foi publicado. Assim, quando o texto for compartilhado, sempre poderemos referenciar a versão original, preservando a verdade e a integridade da mensagem.

Sem o link, é muito difícil garantir que o conteúdo será respeitado na rede. Por mais que as intenções sejam boas, a informação se perde e a mensagem se distorce. Esse é o cuidado que precisamos ter para preservar o que você escreveu da forma como você a pensou. O tempo e a realidade do momento em que o texto foi criado são tão importantes quanto o conteúdo em si.

Peço que, por favor, compreenda a importância disso, pois, sem essa medida, os textos que compartilhamos acabam sendo alterados, e isso compromete o que realmente importa: a mensagem original.

Agradeço pela paciência, professora. Esse é apenas um ponto de reflexão sobre como podemos garantir que nossa comunicação, especialmente no mundo virtual, seja feita da maneira mais clara e fiel possível.

Um abraço,
Fernando kabral
6 de março de 2025 10:14

"Sementes que Florescem com o Tempo: Reflexões de uma Trajetória Conectada"

"O tempo nos ensina que, enquanto vivemos e convivemos, plantamos sementes que só florescem com o passar dos anos. Algumas flores desabrocham rápido, outras precisam de mais tempo, mas todas carregam o legado das mãos que as plantaram.

Hoje, ao relembrar minha trajetória, percebo que a vida é como um mosaico: cada encontro, cada troca e cada história vivida deixam uma peça que compõe quem somos agora. Espero que, assim como essas memórias do passado criaram laços profundos, possamos, no presente, plantar novas sementes para um futuro ainda mais conectado e significativo."

Fernando Kabral Assistente de mídia

⁠Meu Primeiro Réveillon em Olinda como Espectador

O Rio de RIO DOCE continua lindo!!
O Rio de RIO DOCE continua sendo.
O Rio de RIO DOCE, fevereiro e março.

Hoje, dia 1º de janeiro de 2025, às 1h41 da manhã, cheguei em casa ainda impactado pelo que vivi na Orla de Olinda, na Praia Zé Pequeno. Foi o primeiro Réveillon que participei como espectador desde que cheguei a Olinda, há exatamente dez anos, no dia 31 de dezembro de 2014.

Acompanhado de Dudu, percorremos a orla de Barro Novo até Casa Caiada, observando a chegada das pessoas e sentindo a energia crescente do momento. Descemos para a areia pouco antes da virada e nos deparamos com uma multidão e um espetáculo de fogos que me deixou encantado, como uma criança maravilhada com tamanha beleza.

Mas o que tornou a noite ainda mais especial foram os reencontros. Depois de anos trabalhando como ambulante, sem participar das festas de fim de ano, tive a oportunidade de rever pessoas importantes para mim, que marcaram essa década em Olinda. Entre elas, encontrei minha prima Georgiana, o esposo dela, senhor Edilson, e outros parentes queridos, que eu normalmente não via nessas ocasiões.

Foi emocionante estar ao lado deles, brindando com champanhe, tirando fotos e celebrando juntos essa noite mágica. Poder compartilhar esse momento em uma data tão simbólica, que marca dez anos da minha chegada a Olinda, foi um verdadeiro presente.

Essa experiência ficará guardada para sempre em minha memória e no meu coração. Espero que o sentimento dessa noite alcance todos vocês por meio desse relato e dos vídeos que compartilho aqui.

#fernandokabral13 #Réveillon2025 #Olinda #riodoce #PraiaZéPequeno #riosoceolinda #fernandokabral #riodoceolindapernambuco #DezAnosEmOlinda #ReencontrosEspeciais

⁠E assim se passaram 10 anos...

Pois é, aqui estamos nós, quem diria, não é mesmo? Há exatos 10 anos, no dia 30 de dezembro de 2014, me preparava para deixar Imbariê, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, e iniciar uma nova etapa da minha vida em Rio Doce, Olinda. Durante o ano de 2014, trabalhei intensamente na praça de Imbariê, despedindo-me das minhas clientes. A cada mês, adquiria um novo item para a casa: geladeira, fogão, máquina de lavar. As entregas desses produtos eram feitas diretamente em Olinda, na casa da minha prima, aqui em Rio Doce.

Nasci em São Paulo, na zona leste, na maternidade Leonor Mendes de Barros, mas foi uma passagem rápida. Antes mesmo de completar um aninho de vida, já estava novamente em Olinda. E foi aqui que passei toda a minha infância, até os 14 anos, vivendo a experiência única de crescer no Nordeste. Foi aqui que aprendi a me conectar com as raízes nordestinas, com as pessoas e com a cultura local, que ficaram no meu coração para sempre.

Cheguei a Olinda em 2014 com a casa praticamente toda comprada, tudo planejado minuciosamente para montar o lar assim que chegasse. Tinha acabado de vender minha casa e possuía recursos para adquirir um kitnet ao chegar aqui. As expectativas eram grandes. O principal motivo que me levou a decidir morar em Olinda foi a praia. Sempre desejei viver próximo ao mar, apreciar o amanhecer e o entardecer, viver a vida à beira-mar. Esse sonho, que não consegui realizar durante tantos anos, foi finalmente concretizado aqui.

A vida em São Paulo era uma correria constante: metrô, ônibus, trabalho estressante. Mas foi um grande aprendizado; chego a sentir saudade dos momentos vividos naquela cidade. Olinda, com seu ritmo tranquilo e sua energia calorosa, me ofereceu o oposto: um lugar onde pude respirar mais livremente. Sempre fui um paulistano com alma nordestina, e quando cheguei aqui, senti que finalmente encontrava o meu lugar. Olinda, conhecida como cidade dormitório, oferecia uma vida mais simples, mais calma, mais conectada com a natureza. Aqui, fui acolhido por uma cultura cheia de cores e sons, que, no fundo, sempre senti que fazia parte de mim.

Nos últimos 10 anos, ao longo de tudo que vivi, conheci poucas, mas pessoas altamente significativas para minha vida. Pessoas que, até hoje, têm sido a minha família. Agradeço do fundo do coração pelas dificuldades que enfrentei aqui e, principalmente, pelas pessoas que estiveram ao meu lado durante esse processo. Essas pessoas se tornaram parte de mim, e com elas aprendi a ser autêntico, a me entregar e a construir minha história com humildade. Não posso deixar de agradecer a elas, pois sem elas, não teria chegado até aqui. Obrigado! Obrigado! Obrigado! Sou grato por tudo, pela paciência, pelo apoio e pela amizade. Cada passo dado foi possível graças a essas pessoas maravilhosas, e sou eternamente grato.

Cheguei em Olinda na madrugada do dia 31 de dezembro de 2014, cheio de expectativas e felicidade por essa nova fase. No entanto, ironicamente, George e Valdir se esqueceram de me buscar no aeroporto. E lá estava eu, mais uma vez, vivenciando a experiência de viver sozinho... Felizmente, a tia Lúcia me salvou, acordando-os para que fossem me buscar.

Os primeiros anos em Olinda foram de adaptação e descobertas, mas a verdadeira conexão com a cidade aconteceu quando encontrei meu lugar à beira-mar. No início da minha trajetória aqui, busquei vários trabalhos e foi então que me encontrei na orla, vendendo coco verde gelado. Foi sensacional! Eu estava na praia de Barro Novo, em Zé Pequeno, e vivi ali por oito anos, vendendo cocada, refrescando turistas e moradores, e sentindo a vibração única daquele paraíso nordestino. Trabalhar à beira-mar, com o som das ondas ao fundo, foi simplesmente maravilhoso. Viver fazendo o que gosto, em plena paisagem de Olinda, foi um presente.

Hoje, já não trabalho mais à beira-mar; a idade, o tempo e a saúde já não me permitem mais, mas continuo fazendo da praia meu porto seguro para descanso, reflexão e passeios. Mesmo sem as vendas de coco verde, continuo sentindo a energia boa da orla de Olinda em meu coração.

Hoje, ao completar 10 anos em Olinda, reflito sobre toda minha jornada. Embora não seja mais festeiro, sempre sonhei com uma festa de aniversário à beira-mar. Tentamos, há 10 anos, organizar uma festa havaiana para os meus 50 anos, à beira-mar, com muitos frutos coloridos, sem álcool, uma celebração lúcida de amor e agradecimento por estar exatamente onde sempre deveria ter estado. Mas naquele dia choveu, e a festa dos meus 50 anos acabou sendo realizada na garagem da casa da Geórgia. Sensacional!

Essa viagem no tempo da minha vida, de Olinda para o Rio de Janeiro, depois para São Paulo, para o mundo, e finalmente de volta ao Rio de Janeiro e, por fim, a Olinda, me fizeram refletir que jamais deveria ter saído daqui. Hoje, vivendo aqui em Olinda, percebo que o lugar especial não é apenas a cidade, mas a capacidade de encontrar em mim mesmo a paz e a conexão que sempre busquei.

Olinda, 30 de dezembro de 2024.

#fernandokabral13

1 coleção

PREZADA PRESIDENTA GLEISI HOFFMANN, @gleisihoffmann

Como militante de base, que dedicou e dedica décadas à luta pela democracia, trago um relato que vai além da superfície. Sua postagem no Instagram destaca os ataques sistemáticos ao nosso presidente Lula e à democracia brasileira, mas é urgente refletir sobre um assunto interno que corrói a nossa base: a forma como tratamos os militantes que sustentam essa luta.

Somos muitos. Somos milhares. Soldados que enfrentam batalhas há décadas contra a direita, a extrema-direita e o fundamentalismo religioso. Desde muito antes da fundação do Partido dos Trabalhadores, estamos na linha de frente, enfrentando narrativas tóxicas, desinformação e ataques sistemáticos. E, no entanto, o que recebemos? Silêncio, indiferença e, muitas vezes, desprezo.

Não estamos pedindo remuneração ou privilégios. Isso fica para as nossas "LIDERANÇAS NARCISISTAS", que repetem o tempo inteiro para si mesmas: "SOU LIDERANÇA, SOU UMA LIDERANÇA". Essas lideranças que se preocupam apenas com seus próprios interesses e que se aproveitam da dedicação dos militantes, enquanto desfrutam de privilégios que a base não tem. Estamos falando de algo muito mais profundo: honra. Honra que deveria ser dada àqueles que sacrificam suas vidas pessoais, suas famílias, seus sonhos e até sua saúde mental em nome de um ideal maior – a democracia e a igualdade. Para nós, isso não é apenas uma luta; é uma filosofia de vida, uma religião.

A extrema-direita valoriza seus militantes, mesmo nas derrotas. Eles celebram e motivam seus soldados, criando uma rede de apoio que lhes permite se reorganizar e voltar mais fortes. E nós? Abandonamos nossos soldados. Permitimos que lutem sozinhos, que enfrentem humilhações e ataques sem qualquer suporte, e os esquecemos quando a batalha termina, seja ela vitoriosa ou não.

Nossa maior derrota não é nas urnas. É interna. É o abandono, a invisibilidade e a desvalorização de nossos militantes. É a política do "cada um por si e Deus por todos" que vem sendo praticada na esquerda. Uma política que divide, que enfraquece e que destrói a confiança daqueles que mais acreditam na causa.

Lutamos todos os dias, seja nas ruas ou nas redes. No campo virtual, onde já há décadas travamos uma guerra híbrida, enfrentando algoritmos, desinformação e o ódio organizado. Passamos 24 horas dentro da rede de informações, contrapondo mentiras, produzindo conteúdos, trocando informações e conscientizando companheiros e companheiras. Quantas horas dedicamos ensinando, criando conteúdos, desmentindo mentiras e formando narrativas para defender a democracia? E mesmo assim, somos esquecidos. Não há condecoração, nem sequer um reconhecimento simbólico.

O que se vê muitas vezes são "LIDERANÇAS NARCISISTAS" que se aproveitam dos sonhos dos militantes, explorando sua dedicação enquanto desfrutam de privilégios. Muitos chegaram às suas posições graças ao trabalho de base, mas esquecem que não se constrói liderança sozinho. Onde está a gratidão? Onde está o respeito?

Sem pretensões a cargos, trabalhamos nos bastidores. Somos a base de sustentação, não almejamos cargo, não queremos liderança. Soldados lutam em defesa de projetos da defesa da esquerda; não buscamos cargos, e é isso que ensinamos para os nossos militantes desde cedo: lutem por ideais, não por cargos. Os cargos passam, e isso nos divide, inclusive dentro do quartel. Lutamos por nossas lideranças, porque elas nos representam, ou pelo menos deveriam nos representar.

Hoje, enquanto escrevo, sou um soldado experiente fora da batalha. Poderia estar na linha de frente, mas estou em casa, assistindo séries, tentando ignorar o sentimento de desilusão. Não por falta de vontade de lutar, mas porque percebo que nossa luta, muitas vezes, é contra nós mesmos.

Se somos nós, milhões de grãos de areia, milhões de soldados democráticos pela democracia, por que, na hora de conversar, de dar uma explicação, de tomar uma decisão, isso é tomado de forma de "grupo de bolinha"? Ou seja, por que a direção nacional, a direção estadual, e quem sabe até a direção municipal, deixam de fora os soldados, aqueles que lutaram para que todo esse sistema estivesse em pé? Por que, na hora de dar uma explicação, de dar uma satisfação, de condecorar os soldados, ninguém lembra que a gente existe? Que tipo de liderança é essa?

A liderança deve ser chamada para dar uma explicação do que aconteceu nas eleições, para pedir a nossa opinião sobre as coisas. Já se passaram dois meses desde que a eleição terminou, e a gente ainda não sabe exatamente o que aconteceu. As conversas acontecem nos bastidores, como se fôssemos traficantes cometendo crime fora da lei. A democracia não prevalece, pois os soldados que lutaram na frente de batalha continuam excluídos de todas as decisões do partido, continuam excluídos das explicações, das informações, da satisfação que os partidos, que participaram das eleições, devem dar ao público, aos eleitores e aos militantes.

Até agora, está todo mundo calado, vivendo suas vidinhas como se nada estivesse acontecendo. Ora, ora, meus senhores, daqui a pouco teremos outras eleições, outras batalhas. Aí sim, vão lembrar que os soldados, que estão lá na base, vão lembrar que o soldado existe, vão chamar o soldado para a batalha. Mas com que ânimo? Se o soldado não foi condecorado, se o soldado não foi nem sequer lembrado, mesmo após uma derrota.

É assim que tratamos os nossos militantes? Como se fossem insignificantes, formigas ou baratas que pisamos no meio das ruas? São essas as lideranças que queremos nos representar? Lideranças que só nos chamam para conversar quando precisam de nós? Lideranças que só nos chamam para lutar quando precisam da gente para usar as nossas próprias causas, para fazer com que as lideranças cheguem às suas posições de poder?

A esquerda precisa se reinventar. Precisamos resgatar a essência de nossa luta: a solidariedade, a valorização da base e o respeito por quem sustenta o movimento. Só assim conseguiremos vencer não apenas as batalhas externas, mas também as internas que nos enfraquecem.

Atenciosamente,
Fernando Kabral
Militante pela democracia e pela reconstrução de uma esquerda que valorize seus soldados e resgate a honra de sua causa.

30 de dezembro de 2024
#fernandokabral13

⁠Dona Bernadete,

Não se preocupe, sua ajuda já tem sido fundamental o ano todo! A senhora tem sido uma verdadeira parceira, sempre ao meu lado, incentivando e apoiando de todas as formas. Fico muito feliz com suas palavras e com o carinho de sempre.

Hoje, recebi uma cesta básica grande, com muitos mantimentos, e isso já garantiu minha alimentação para os próximos dias e para o mês de janeiro. A "Santa ceia diária", como chamamos, está garantida – arroz, feijão, farinha, óleo e tudo o que precisamos para os próximos dias. Só faltou o panetone, hein? Brincadeirinha, nem ligo para Natal, nosso Natal é todo dia.

Desejo uma excelente viagem, que aproveite cada momento com sua família no Ceará e se divirta muito! Pode ter certeza de que, em 2025, vamos continuar nossa parceria, e farei o que for possível para encontrar uma oportunidade de trabalho. A senhora já fez e tem feito o máximo, e sou eternamente grato por isso.

Fica com Deus e tenha um excelente fim de ano! Vou estar sempre à disposição.

Com gratidão,
Fernando Kabral

⁠Gratidão a Quem Fez a Diferença
#gratidãoquemfezadiferença

"Pois é, gratidão... essa é a palavra. Quero realmente ser grato a um grupo de pessoas, pequeno mas significativo, que desde setembro tem se mostrado verdadeiramente solidárias comigo. Embora estivesse em um ambiente com muitas pessoas que tinham responsabilidade moral comigo, foram outras tantas que realmente se sensibilizaram, formaram uma corrente do bem e me ajudaram nesses momentos de dificuldade, seja com apoio financeiro, cestas básicas e até mesmo com palavras de acolhimento, citar nomes seria antiético.

Essas pessoas não agiram por uma data ou tradição, mas porque sentiram as dificuldades de quem passa por situações como a minha. Também sou grato às ONGs e iniciativas voluntárias que ajudam não só a mim, mas a tantos outros que enfrentam circunstâncias semelhantes.

Neste período de fim de ano, em que refletimos sobre a importância da solidariedade, quero expressar meu sincero agradecimento a todas e todos que têm apoiado tantas causas sociais, sem esperar nada em troca."

Feliz Natal e obrigado a todos e todas que colaboraram com nossa ceia diária, garantindo a alimentação de cada dia e transformando pequenos gestos em grandes significados!

⁠"Vivi a ilusão de que ser militante bastaria"

Hoje, faço uma pausa na militância virtual. Durante anos, acreditei nas lideranças que diziam me representar. Frases como "ninguém solta a mão de ninguém" e "você é o PT no seu território" alimentaram minha luta, especialmente nos processos eleitorais. Acreditei que fazíamos parte de um projeto coletivo de transformação, mas a realidade foi dura: fomos ignorados durante as eleições e esquecidos depois.

Perder batalhas, eleições, é doloroso, mas é aceitável; faz parte do jogo político partidário. O difícil mesmo é perceber como a base que lutou e lutou junto, que se dedicou nos momentos mais difíceis, é simplesmente esquecida após uma derrota. Somos tratados como objetos de uso ou uma escada para uma possível subida que, quando não acontece, nos deixa abandonados, sem sequer um reconhecimento por todo o esforço.

Enquanto líderes desfilam pelas redes em praias paradisíacas, ostentam jantares luxuosos e vivem uma realidade distante da nossa, nós seguimos lutando para sobreviver. Muitas vezes, somos amparados por cestas básicas de ONGs que, ironicamente, nos representam mais do que aqueles que deveriam lutar por nossas causas.

Perdemos mais do que batalhas ou eleições: perdemos a confiança. Ser ignorado por quem prometia transformação é um baque difícil de compreender. Sabemos que novas eleições virão e que seremos convocados novamente, mas a lição ficou: quem esquece a base, esquece suas raízes. E isso tem um preço.

A militância é muito mais do que servir de alicerce temporário para lideranças. Somos o coração da luta, e, mesmo quando deixados de lado, não esquecemos. Seguiremos, mas com mais senso crítico, buscando fortalecer a organização autônoma e exigindo mais coerência daqueles que dizem nos representar.

Hoje, "os que outrora gritavam, lutavam bravamente, silenciaram-se totalmente, num "silêncio dos inocentes."

Isso nos convida a refletir sobre a distância entre a narrativa e a realidade. Palavras inspiram, mas ações concretas sustentam a confiança. Que nossa luta seja um lembrete de que a coerência entre discurso e prática é a base de qualquer transformação verdadeira.

Dezembro de 2024

⁠Mensagem de Agradecimento e Reflexão

Maria Teixeira.

Quero expressar minha imensa gratidão a você e a toda a equipe da Policlínica João de Barros Barreto. O trabalho que realizam ao longo do ano, nas reuniões e no atendimento diário, tem sido fundamental para o acolhimento de todos os pacientes, incluindo aqueles de nós que vivem com HIV. A dedicação de todos, em especial da Dona Mariana, das meninas do atendimento e de todos os profissionais da saúde, é notável, e isso faz uma grande diferença na nossa jornada. Mesmo quando cometemos erros ou falhamos em algum momento, o acolhimento nunca falta, e isso é algo que muito valorizo.

Além disso, quero destacar a importância das reuniões e atividades que fazem parte do tratamento. Para nós, pacientes, esses momentos são de extrema importância, não apenas para o cuidado físico, mas também para a manutenção da nossa saúde emocional. Somos todos pacientes dessa unidade de saúde, e é importante que todos se sintam acolhidos, independentemente dos desafios que enfrentam.

A chegada da cesta básica foi um alívio imenso. Gostaria de fazer um agradecimento especial a Dona Sônia Borba e a Dona Janicleide de Souza Santos Barbosa (Dona Jane) por sua generosidade. O trabalho delas, com tanto empenho e dedicação, foi crucial para tornar este gesto de solidariedade possível. A cesta chegou em um momento de grande necessidade e foi uma grande ajuda. A colaboração delas faz parte de um processo maior de acolhimento e ajuda que a equipe da Policlínica e tantas outras pessoas, como elas, têm proporcionado a nós, pacientes.

Mesmo em tempos difíceis, em que os desafios financeiros e pessoais têm nos afetado, saber que existe uma rede de apoio tão forte nos enche de esperança. Sou muito grato a todos os envolvidos nesse processo e, mais uma vez, peço desculpas pelas minhas ausências e limitações. Estou ciente das minhas falhas, mas continuo comprometido em melhorar e seguir em frente.

Obrigado a todos e todas da equipe da Policlínica João de Barros Barreto, aos outros pacientes que, assim como eu, enfrentam desafios, e especialmente a Dona Sônia e Dona Janicleide. Que possamos continuar juntos, com esperança e força, nessa caminhada.

Fernando Kabral

⁠Agradecimento Especial a Dona Sônia Borba e Dona Janicleide de Souza Santos Barbosa (Jane)

Gostaria de dedicar um agradecimento especial à Dona Sônia Borba e à Dona Janicleide de Souza Santos Barbosa, conhecida como Jane, duas ativistas que, com muito carinho e dedicação, se empenharam para garantir a doação de cestas básicas, trazendo um diferencial para a confraternização deste ano.

Infelizmente, não pude estar presente no evento devido a motivos de saúde, mas a generosidade de Dona Sônia me tocou profundamente. Ela gentilmente guardou uma cesta básica para mim, e eu sou imensamente grato por essa atitude.

As cestas, sem dúvida, farão a diferença no Natal de muitas famílias e na minha, apesar de morar sozinho. Essa corrente do bem que ambas criaram nos enche de esperança e solidariedade.

Agradeço de coração pelo trabalho maravilhoso de ambas, que, com sua união e empatia, trouxeram alento a todos nós neste fim de ano.

Fernando Kabral
Olinda, 04 de dezembro de 2024

⁠Ao longo da minha vida, tive tantas mães que precisei criar um conceito próprio para entender e aceitar que "mãe é mãe". Há mães que assumem o papel de pai, pais que desempenham o papel de mãe, e mães que nunca tiveram filhos, mas dedicam suas vidas a cuidar dos filhos de outras mães que não puderam ou não souberam cuidar.

Existem mães tão mães, mas tão mães, que transcendem os limites do que é biológico ou esperado. Elas não apenas cuidam de seus próprios filhos, mas também acolhem e criam filhos de outras pessoas com o mesmo amor e dedicação.

O conceito de mãe, para mim, é algo difícil de contextualizar em um universo onde a maternidade é tão complexa, moldada pelas vivências únicas de cada pessoa. Com o passar do tempo, percebi que ser mãe não é apenas um papel imposto, mas uma construção viva, que se transforma com as experiências, os afetos e os desafios.

Ainda hoje, ao ouvir a palavra "mãe", me esforço para compreender o significado que ela carrega. E, curiosamente, é mais fácil entender as diferentes formas de maternidade que as pessoas constroem em seus universos do que fazê-las compreender a minha visão, moldada pelas muitas mães que tive — ou pela ausência de todas elas.

Novembro de 2024

Ainda não fez nenhuma conquista.