Coleção pessoal de belospoemas

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[ PRECONCEITO ANIMALESCO ]

O gordo é baleia,
o sujo é porco,
o alto é girafa,
o lerdo é bicho-preguiça,
o que não sabe é burro,
o das pernas finas é seriema,
o bigodudo é foca,
o sem educação é cavalo,
a atiradinha é galinha,
a madame é perua.

Mas o outro não pode ser macaco.
Qual o preconceito contra os macacos?

Luciano Caettano
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Tags: animais preconceito

[ POEMIZAR ]

O poeta é o artista-mor
da linguagem gráfica.
O que pensa fora da média
para não ser medíocre.

O poeta é um sublime mistério
com a sensibilidade à flor da pele.
E o poema, expressão íntima sua,
é a justaposição entre a arte de viver
e a arte de escrever de forma livre e desimpedida.

E, mais, um poema pode ser
lido, ouvido, declamado...
Mas jamais nos será por inteiro revelado.
É fonte inesgotável de sensações!

Eu poemizo, tu poemizas, ele poemiza...

Poemizar é isso: um ciclo vicioso
em que a vida tem o poeta,
que tem o poema e a sua poesia,
que tem vida.

Vida-poeta-poesia
é a Santíssima Trindade em viés lírico.

Luciano Caettano
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[ O CÉU NA ESCURIDÃO ]

Numa noite fria e estrelada,
eu caminhava por um trieiro
no campo da roça tracejado.
Minha lanterna era a lua prateada.

Ao redor, a natureza se expressava:
tritinavam os grilos, coaxavam os sapos,
e uma pequena corredeira
por ali deslizava.

Ia eu, olhos de gato e ouvidos abertos,
ante a beleza traiçoeira da natureza.
Passei por entre a cerca de arame farpado
e cheguei numa estradinha de cascalho.

Cansado, sentei-me no chão
e comecei a admirar as inúmeras estrelas
que cintilavam naquela vasta imensidão.
Obra de um Regente inigualável!

Naquele instante,
com o divino eu estava em comunhão.
Meus olhos admirados marejaram.
Nunca mais esqueci do dia que eu percebi
que o céu na escuridão pode ser notável!

Luciano Caettano
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[ NINGUÉM ALÉM DELA ]

Amargura.
No meu peito ecoam vozes
do amor perdido que se foi
e me deixou sem rumo.

A minha base está abalada,
o meu porto seguro inseguro ficou,
a vida perdeu a vida.

Agora eu sei
o que é o vazio que dá por dentro.
Agora eu sei
o que é morrer de saudade.

Calar sufoca,
falar é inútil.
A solidão me consome.

Está tudo sem graça,
não consigo dormir,
não tenho fome.

Ah, sinto tanta falta do meu anjinho!...

Choro e lamento e soluço,
porque ela era especialmente única.

Não é à toa que “amor” rima com “dor”,
são duas faces da mesma moeda.

Ninguém será capaz de dar-me a ajuda que preciso;

Ninguém vai conseguir tirar do meu pensamento
os nossos momentos infinitamente maravilhosos;

Ninguém vai conseguir ler as palavras do que sinto
quando olhar em meus olhos;

Ninguém poderá trazer a paz que a minha alma
necessita e o sorriso sincero para o meu rosto;

Ninguém vai conseguir preencher o vazio
dentro de mim e transformar o cinza em aquarela;

Ninguém além dela.

Luciano Caettano
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Tags: alma causa

[ LIMITADOS ]

O olfato dos ursos,
a audição dos morcegos,
a visão das águias,
a velocidade dos guepardos,
a resistência dos pinguins ao frio congelante,
a capacidade de apneia das focas,
o salto em altura dos cangurus,
a resistência dos dromedários ao calor extremo...
Em todas essas faculdades esses animais
se sobressaem aos humanos.

O nosso grande trunfo é poder raciocinar –
uma capacidade por muitos de nós negligenciada.

Com o espírito imerso no pântano
lodoso da matéria grosseira,
nossas faculdades estão bem restritas,
tão ofuscadas quanto à livre irradiação da luz
em relação ao vidro muito opaco.

Limitados e imperfeitos, não somos
capazes de compreender as perfeições de Deus;
Dele temos apenas uma noção ínfima,
não nos sendo possível compreender
os Seus mistérios, a Sua natureza íntima.

Luciano Caettano
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Tags: deus compreensão

[ LIVRES CONDENADOS ]

Um sopro de vida é o nascimento
na sua intrínseca pureza.
A infância, a singeleza.
O mundo vem e corrompe?

Ao sabor do tempo irrefreável,
nós, livres condenados,
e talvez socialmente constrangidos,
vamos navegando mais ou menos à deriva
no mar revolto da existência.

Seres sonhadores com seus sonhos infinitos
repousados no cativo berço da esperança,
quando embalados, se renovam,
abandonados, triste criança.

Incógnitas peregrinas desafiadas a
dar à vida algum significado;
senhores de seu próprio destino,
mas no todo inseridos e até o fim atrelados.

A fé é sublime companheira para cada jornada,
é força motriz ante o incerto futuro,
é farol divino que ilumina o essencial
enquanto o olhar insciente vianda pelo escuro.

Luciano Caettano
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[ INJUSTA JUSTIÇA ]

Justiça é cega?
Que nada.
Tem olhos de águia!
A faixa que lhe cobrem os olhos,
a venda, está à venda,
e pode custar os olhos da cara!

Sua balança traz pesar,
a sua espada desfere golpismos
e o seu martelo prega o que não cumpre!

No Olimpo da imoralidade brasileira,
a deusa da Justiça é uma acompanhante de luxo.
Os cifrões lhe atraem!
Nessa cafetinagem de suprema vergonha,
a obscenidade está protegida
por alguns anti-heróis de capas-pretas –
fantoches poderosos que fixam
entendimentos-leis aplicados por self service.

A injusta Justiça dos semideuses togados
tem o faro apurado. São dois pesos e duas medidas.
É corporativista e descaradamente parcial;
uma chaga mortal no coração do Brasil.

Luciano Caettano
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Tags: anti-heróis balança

[ INDIGESTO ]

Num almoço familiar de domingo,
o filho olha para o pai e diz:
- Pai, virei socialista!

O pai, surpreso, respondeu-lhe:

“Ok. Muito bem. Mas saiba que na minha casa eu sou o Estado.
Para começar, separe algumas coisas suas
[videogame, televisão, celular, roupas]
porque vou dar aos pobres.
Estarei redistribuindo entre os mais necessitados.

A partir de agora, companheiro,
aqui em casa não tem mais nada privado,
tudo que é seu é meu,
ou seja, estatal.

Vou cortar pela metade a sua mesada,
e para recebê-la você terá que trabalhar.
[Não me olhe assim. Eu não sou autoritário!]
Estarei redistribuindo entre os mais necessitados.
Mas se ficar reclamando, vou ter que te castigar.
Aqui não tem espaço para reacionário!

Você só poderá assistir na TV da sala,
acessar na internet ou ouvir no rádio
aquilo que eu achar educativo,
afinal, meu poder é legítimo [sou seu guardião!],
e no socialismo o Estado sempre sabe
o que é melhor para o cidadão.

E, tem mais, você só...”

- Tá bom, pai! – interrompeu o jovem.
Foi só uma brincadeira! -
disse ele com sorriso amarelo,
enquanto bebericava um gole de Coca-Cola
na sua caneca vermelha do McDonald’s.

O pai sorriu de volta,
e continuaram, em silêncio,
aquele indigesto almoço capitalista.

Luciano Caettano
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Tags: #socialismo #capitalismo

[ HINO A ARAGUARI ]

I

Entoado distintamente o teu prelúdio,
vem dos tempos do Brasil Imperial,
da partilha bendita de sesmarias,
recém-nascida esperança virginal.

“Brejo Alegre” no cerrado reluzia,
água pura e cachoeiras à tua guarida,
do teu solo grandioso brota vida,
ó verdejante “Arraial da Ventania”!

Tomou ares de cidade o vilarejo,
selou por lei a ascensão tanto sonhada,
“Araguary” em tua liberdade alçou voo,
fez renascer a esperança renovada.

Rogamos glórias a nossa Terra Adorada,
à cidade-mãe briosa que nos sorri,
louvemos graças aos quatro ventos por ti ditosa,
a majestosa e mineiríssima Araguari!

Avante, araguarinos! Sempre avante!
Salve ó terra da Justiça e do Amor,
aos céus tremula tua flâmula exultante,
és joia rara do Brasil interior!

II

Tua recompensa é o teu povo, Terra Amada,
laborioso, afável e hospitaleiro,
reconhece a Boa Nova afortunada,
os abençoados filhos deste solo mineiro!

Na Bom Jesus tilintam os sinos da “Matriz”,
desde os tempos do pacato povoado,
dos primórdios, garboso chamariz,
em seu louvor incontinenti e abrasado.

“Mogiana” e “Goiás” te raiaram ao mundo,
o símbolo ferroviário em teu seio está marcado,
resplandece o teu espírito de viés fecundo
nos trilhos do tempo imponente e eternizado.

O “Rio Jordão”, ao teu flanco, desliza sem intervalo,
as dádivas emanadas do divino tens por inteiro,
rara beleza em águas cristalinas, o teu regalo,
Araguari – és o orgulho do Triângulo Mineiro!

Avante, araguarinos! Sempre avante!
Salve ó terra da Justiça e do Amor,
aos céus tremula tua flâmula exultante,
és joia rara do Brasil interior!

Luciano Caettano
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Tags: araguari hino

[ ESPELHO ]

Reparo no espelho
a minha mais nova edição,
o meu eu, íntimo e secreto.

Fita-me igualmente
o grande olho de vidro;
olhar dos outros.

Daqui pra lá, minha verdade,
de lá pra cá, impressão.
Vejo-me por completo,
ele me enxerga com imprecisão.

Ante o reflexo reflito:
Quem sou eu? O que eu fiz de mim?
O que poderia ser diferente?

Sei que sou mais que essa imagem,
fiz-me de mim mais que estética,
e por ainda não ser quem eu serei,
meus olhares mudam de concepção.

Diante do espelho eu me vejo,
esse ser mutável, inconstante,
em constante revisão.

Luciano Caettano
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[ DILEMA ]

Tenho me sentido tão inútil,
tão vazio e frágil,
pareço um espetáculo
sem público.

Sufocado por padrões obsoletos,
nada me agrada. Tudo não faz sentido.
Apenas a imaginação
é minha fiel companheira.

Sou um dilema ambulante, um surto,
um paradoxo situado entre o calado
e o tinido do grito sufocado
da minha mente descrente.

Um peixe fora d’água,
uma carta fora do baralho,
um doutor sem doutorado.

Quem desvendou o caminho para a felicidade?
Que direção tomou, afinal?
Eu vejo placas esparramadas no chão,
becos sem saídas, vidas na contramão.

Luciano Caettano
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[ DESEMPREGADO ]

Estar desempregado
é o mesmo que se sentir um nada,
um inútil,
ignorado.

A dignidade se abala,
o entusiasmo adormece,
a alegria entorpece,
e sem querer a gente se cala.

Sem fonte de renda
a gente se rende
ao envergonhado ostracismo
dos desprezíveis.

A teoria, na prática, é diferente:
“Fulano é bom”, é “gente boa”,
mas se não trabalha,
é “vagabundo”, é “à toa”.

Valores caros que o dinheiro
não pode comprar tornam-se
irrelevantes ante o julgamento ingrato:
Como eu lhe vejo, é como eu lhe trato.

Luciano Caettano
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Tags: poemas desemprego

[ CORAÇÕES EM HARMONIA ]

Sequer eu te conhecia,
até que o destino nos atraiu,
talvez por sintonia,
e juntos a gente ria, sorria.

Ainda mais leve a vida ia.
A admiração crescia,
e se a nossa relação não era de felicidade,
certamente era de alegria.

Até que nos importamos certo dia,
eu fui morar aí dentro de você
e você veio morar aqui em mim.
Dois corações em harmonia.

Por causa do nosso convívio,
eu passei a te conhecer melhor,
e de você muito eu sabia,
até mesmo o que eu não queria.

Aí vieram outras pessoas,
outros interesses,
e, sem muita demora,
você foi-se embora.

Mas fique sabendo
que o seu cantinho
deixei bem resguardado.

É grande o valor sentimental,
e sentimento a gente não esvazia,
conserva-o ali mais ou menos adormecido.

Se acaso futuramente você retornar,
o seu cantinho pode vir ocupar,
porque quem é importante
nunca é esquecido.

Luciano Caettano
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Tags: harmonia felicidade

[ CELA DE AULA ]

A cela de aula ensina na prática.
Presos pobres
[que não são pobres presos]
aprendem e ensinam
nas escolas do crime.

Nos internatos criminosos,
diabos de mentes vazias
se misturam e compartilham
as suas oficinas de malditos saberes.

Nelas, os indigitados mestres,
doutores na arte de praticar o mal,
educam os seus detentos-alunos
como serem piores na vida.

Rendidos ante essa pintura caótica,
um desafio nos é colocado:
Como ressocializar quem nunca
foi socializado?

Dentre os muros das prisões sem norte,
está preso o sistema carcerário -
um condenado no corredor da morte
à espera de um milagre.

Luciano Caettano
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[ CAUSA E EFEITO ]

Creio que tudo tem um porquê.
Que o nosso destino não está traçado,
que o futuro é indeterminado
e piedosamente imprevisível.

O lugar em que nascemos,
a família que temos,
as pessoas com os quais convivemos,
tudo isso tem algum propósito específico
em nossa vida.

Que é a vida senão uma grande oportunidade?
Um momento áureo que cada um de nós
tem para praticar o livre-arbítrio.
É quando podemos fazer o bem ou o mal,
e cujo resultado determinará o nosso futuro.

Sem dúvida, o que somos hoje
é o resultado das tentativas e erros
de nossas várias existências.

Na singularidade da gerência universal,
o cuidado divino é perfeito,
deu-nos plena liberdade para agir,
e o que nos há de porvir é da causa o efeito.

Luciano Caettano
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[ ARMADILHAS DO EGO ]

Ela faz perguntas sem esperar respostas.
Ela quer apenas falar,
não sabe ouvir, interrompe.
Sinto-me um terapeuta sem o divã.

Se eu tento contar algo,
ela começa a falar antes deu concluir
o raciocínio, num misto de carência
e falta de educação. É frustrante!

As minhas histórias são sempre menos
engraçadas e empolgantes.
Se digo que fui ao Beto Carrero,
ela diz que foi à Disney e pulou de bungee jump.

Os meus problemas são sempre menos graves.
Se digo que estou com dor de cabeça,
ela diz que sofre de enxaqueca, e blá-blá-blá...
Não dá para ganhar nunca!

Então, deixo aqui o meu protesto:
abaixo a essa gente morna,
presa nas armadilhas do ego,
com seu olhar cego
e audição que só adorna!

Luciano Caettano
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Tags: atenção educação

[ ADEUS ]

A você que me amou,
a você que eu tanto amei,
deixo esse meu adeus consolador
para que, mesmo na dor,
o nosso amor fale mais alto.

Eis que os céus me evocaram.
É chegada a minha hora de regressar.
Está feita a transição!
Sei que não é tão simples,
mas os irmãos celestiais
estão me amparando também.
Então acalme-se, pois estou bem.

Peço que não complique nada,
que não procure enigmas,
que não tente desvendar mistérios
e, o mais importante,
que não blasfeme contra o Criador.

Apenas enxergue os sinais do amor
que ficou dessa nossa relação
e lembre-se de mim com alegria.
O seu sorriso me fortalece.
A sua oração me reanima.

Um dia iremos nos reencontrar
e matar essa saudade, que faz doer,
mas que o tempo há de amenizá-la.

Ah, o tempo...
Quando ele se esgota
nada pode mudar o destino,
nem toda a fé do mundo,
nem o melhor da medicina.
Não tem jeito, é lei divina:
nascemos, vivemos, morremos, renascemos.
Olha que maravilha!

Saiba que ao certo estarei por perto,
longe do toque, mas tão próximo
quanto um pensamento puder estar.

Fique bem,
e mantenha a sua fé sempre viva.
Não desista nunca dos seus sonhos!

Muito obrigado pela companhia!
Agora preciso terminar a minha mensagem,
estou indo a Deus.
Adeus!

Luciano Caettano
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[ ABUTRES-HUMANOS ]

O carro veloz e furioso
fura o sinal vermelho.
Estrondoso é o impacto sobre o corpo,
seguido da urrante frenagem.

De vermelho está tingido
o asfalto-quente-superfaturado
com o sangue do ciclista hostilizado
e suas múltiplas fraturas.

Feito urubu na carniça,
famintos abutres-humanos
se aproximam com seus celulares.
Ninguém pede socorro de imediato.

Os carniceiros sem empatia
filmam, fotografam,
comentam e compartilham
nas redes sociais a tragédia alheia.
Olho por olho, lente por lente.

O jovem atropelado morre
diante da omissão assassina.
Ao longe, no engarrafamento,
o giroflex do SAMU se aproxima.

Luciano Caettano
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[ NÃO-VIOLÊNCIA ]

Eu não sou contra a violência,
eu sou a favor da não-violência.

Aprendi que quando nos colocamos “contra”,
a gente se arma,
mas quando estamos “a favor”,
a gente se ama.

Aprendi a celebrar o amor, a paz,
a pena de vida,
e jamais a pena de morte.

Aprendi que “oferecer a outra face”
não quer dizer covardia,
mas enfrentar as injustiças pacificamente,
que é diferente de ser passivo.

Aprendi que o mal
com o bem se paga.
Pois amar é elo,
amar é laço.
Amar cura.

Luciano Caettano
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Tags: violência amor

[ NAQUELES NATAIS ]

O Natal pra mim é saudade.
Saudade do meu tempo de criança,
de quando, ansiosamente,
reuníamos em família para o almoço especial.

Era tudo muito modesto, mas verdadeiro.
Aquela foi a nossa melhor época juntos.

Como esquecer o sorriso de minha saudosa
avó Rita ao ver a alegria dos netos?
Quanto tempo faz!
Quanto tempo jaz!

Depois que ela retornou à pátria espiritual,
foi se perdendo o nosso Natal,
nossa família foi se distanciando,
e ficou só a lembrança de tudo.

Hoje, as lágrimas que deslizam em meu rosto
me fazem recordar com amor:
Aqueles presentes tinham um preço,
mas aquelas pessoas tinham valor.

Luciano Caettano
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